sexta-feira, 12 de julho de 2013

Conexões 01 | Lado A Discos bate-papo com Andrea do Sebo Hi-Fi

Para estrear a nova seção Conexões no De Volta Para o Vinil, nada melhor que um bate-papo feito pelo nosso parceiro Neigmar Vieira, do Lado A Discos, com nossa outra parceira Andrea, do Sebo Hi-Fi.

Foto: Diego Kloss
Nei: Há quanto tempo vocês trabalham com vinil?
Hi-Fi: Desde 2004. Nove anos.

Nei: Nesses anos quais foram as mudanças que ocorreram no mercado?
Hi-Fi: Piorar não piorou. Melhorou. Apenas alguns clientes ficaram com a mentalidade de 2004 e acham que os discos tem que valer R$ 5,00. O pensamento de alguns clientes ficou confuso. Eles não sabem o valor que cada disco tem realmente no mercado.

Nei: O que vocês pensam da "volta" do vinil com relançamentos em 180 gramas? Será que essa "volta" vai durar?
Hi-Fi: É complicado. No Brasil não tem apoio para relançar. A gente tem o que vem de fora. Não tem como saber se vai ficar ou não.

Nei: Qual seria o perfil de quem compra vinil?
Hi-Fi: É difícil falar de perfil. Eu costumo classificar em três tipos: O cliente que quer apenas ouvir o disco, normalmente ele quer PREÇO. Há o cliente que quer preço e qualidade (estado da capa, encarte, sem riscos superficiais no vinil) e o colecionador que quer o mais difícil, importado, o não convencional.

Nei: Quais os estilos ou gêneros musicais que mais vendem? Tem ideia dos motivos?
Hi-Fi: O bom e velho Rock n' Roll, Jazz e Blues são muito procurados, MPB. O motivo é que Curitiba tem uma raiz muito voltada ao Rock.

Nei: Vocês já tiveram algumas visitas ilustres. Como foi?
Hi-Fi: O Ed Motta se interessou por um disco, mas como não era importado acabou não levando. A coleção dele é de muita qualidade.
O Jello Biafra foi muito legal a presença dele. Levou Elba Ramalho, Emílio Santiago. Brincou. Ficou pouco. As pessoas o reconheceram.
Charles Gavin levou Velha Guarda, Emílio Santiago - disse que vai fazer um trabalho em cima da obra do Emílio.
Waltel não compra mais. Só visita as lojas.

Nei: O gosto musical mudou depois que passaram a trabalhar com vinil?
Hi-Fi: Meu gosto musical sempre foi meio Retrô. Mas não deixo de escutar bandas novas. Eu gosto do Rock dos anos 70, já o Leandro é mais 80.

Nei: Muita gente pensa que trabalhar com música é um privilégio. Qual é o lado bom e não tão bom de trabalhar com música?
Hi-Fi: O lado bom é que a gente está sempre conversando e aprendendo com o cliente. É muito gratificante ter o disco que o cliente deseja. A parte ruim são as pessoas acharem que a gente está brincando ou apenas se divertindo, e é o nosso trabalho.

Nei: Vocês já cometeram alguma gafe musical com algum cliente?
Hi-Fi: Já. Várias. Uma vez um cliente chegou e pediu
Rory Gallagher e eu disse que o Oasis não tinha lançado disco. Eu confundi com o Noel Gallagher. O cliente fez uma cara! Ninguém sabe tudo né?

Nei: Vocês têm algum caso curioso sobre algum cliente que pediu um disco de uma banda e na verdade o nome da banda era outro?
Hi-Fi: Tem a clássica do Iran. A gente falou, não será Ira? Não, é internacional. Daí o cliente lembrou: Iran Maiden.
Numa outra vez uma senhora de uns 80 anos entrou e perguntou tem RDP? Aí eu peguei um Ratos de Porão. Ela olhou e disse: Será que é esse? A minha netinha só tem 6 anos. Aí fui ver era RBD - Rebelde. (risos)

Hoje o Conexões foi com o Lado A Discos, mas pode ser com seu blog ou site, entre em contato conosco para sugerir alguma matéria.

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