terça-feira, 18 de março de 2014

Submerged Turnable - A Vitrola Aquática de Evan Holm

http://evanholm.com/
No blog não recomendamos de forma alguma tocar o disco molhado, porque danifica não só a agulha como também os sulcos do vinil. Porém, essa semana li uma matéria a respeito de um artista plástico que criou um toca-disco em baixo d'água.
Submerged Turnable (2014), criada pelo artista Evan Holm,  foi colocada em uma sala do Museu de Arte Moderna de São Francisco, nos Estados Unidos, para mostrar aos visitantes uma nova e curiosa maneira de escutar música.
A instalação tem chamado a atenção de colecionares e apreciadores de vinil não só pela questão física, mas também por todo conceito envolvido na obra de arte.

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A experiência de escutar música em vitrolas e toca-discos sempre foi transformadora e, de certa forma, nos tem oferecido outras possibilidades, não só quanto à maneira como temos encarado a música e sua indústria, mas também nosso próprio jeito de ver o mundo.
Submergir é uma palavra que descreve bem a sensação de se desligar do mundo para apreciar a totalidade de um disco de vinil. Clássicos dos anos 1960 ou discos recentes, não importa, o que vale é botar o álbum no toca-discos e simplesmente apreciar. O problema é que alguém resolveu ir ainda mais longe nesse propósito, mergulhando literalmente um disco em baixo d’água.

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Holm criou um cenário em que a música é emanada de uma “vitrola aquática”. A experiência - que não deve ser repetida em casa como eu disse anteriormente -, gera uma sonoridade curiosa, límpida, ainda que delicadamente abafada pela camada de água da superfície. Na verdade, é como se o vinil fosse lavado a cada passada da agulha, deixando-o sem um ponto de atrito com a agulha. Ele certamente usou uma agulha especial e também regulou o braço para que não acontecesse o efeito cinzel, isto é, a agulha não deslizasse sobre o vinil. Holm encheu uma piscina com 200 litros de água , misturado com tinta opaca. Depois construiu o seu sistema de som composto de dois toca-discos, cujas peças eletrônicas foram removidas e colocadas nos galhos das árvores acima da água e as peças submergidas foram impermeabilizadas.



Porém, a obra não pode ser analisada apenas como um fato curioso, deve-se ir mais afundo procurando entender onde o artista quer chegar, o que quer nos dizer, que mensagem ele quer transmitir por meio das instalações. Holm sempre utiliza nas instalações elementos naturais como folhas, areia, água e galhos, e busca fazer uma conexão com meios eletrônicos sonoros. Isso é perceptível na obra Crystal Turnables (2011), em que o artista transforma artefatos de nossa cultura humana atual em outro sistema de codificação, tentando transferir nossas formas de arte esquecidas em uma linguagem que todos possam entender. Além disso, Holm também permite que o público ou o próprio som interfira na obra: como o piano de Drawing Machine 1 (2010), no qual o público faz desenhos aleatórios num quadro rotativo; a vibração gerada pela caixa de som desenha também num quadro rotativo, em Crytal Turnables.



Mas voltando a falar de Submerged Turnble, Holm afirma "haverá um momento em que todos os traçados da cultura humana vão se dissolver e voltar para o solo sob a queda lenta do universo que se desdobra. A piscina, preta e sem profundidade, representa perda, o mistério e o inconsciente coletivo da raça humana. Ao colocar esses registros sob a superfície obscura da piscina, eu estou decretando um momento de remorso por esta perda. 
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No final porém, esta é uma escultura otimista, pois logo após esse momento de submersão, o tom, a melodia e finalmente, a canção é puxada para  fora da piscina, passando pelo véu do subconsciente, para fora, sob o esmagamento de tempo e de volta a vida. 
Quando eu executar com esta escultura, estou honrando e celebrando todos os músicos, todos os artistas que ajudaram a construir a nossa cultura humana." 
Inspirado por uma imagem de "um registro silencioso, girando debaixo de água escura ", Holm transformou seu protótipo em uma obra de arte. "Eu não sou engenheiro, então eu tinha uma curva de aprendizado muito íngreme". A abordagem da Holm se concentra tanto em artefatos do presente como do passado e sua instalação traz uma sensação de mistério para uma tecnologia, de certo modo, obsoleta.
Assim, mesmo que todas as coisas voltem ao esquecimento, Holm esclarece que esta é, em última análise, uma peça otimista, ou seja, uma celebração de todos os músicos que ao longo do tempo contribuíram para a cultura humana .

Assista o making of de Submerged Turnables


Informações, fotos e vídeos retirados do site http://evanholm.com/

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