domingo, 17 de maio de 2015

Toca-discos 03 | Problemas com áudio analógico e possíveis soluções

Vários leitores já me fizeram perguntas sobre regulagem e nivelamento de toca-discos e por isso, depois de muita pesquisa e levantamento de informações em sites e com alguns colecionadores do Clube do Vinil e Toca-Discos de Curitiba, resolvi fazer essa página dando dicas de como cuidar do seu toca discos para que ele funcione da melhor maneira possível. Mas como a página ficou bem extensa, resolvi dividir o conteúdo em partes para facilitar o acesso e melhorar a dinâmica de leitura.
Na terceira e última parte, citarei alguns os problemas mais comuns com o áudio analógico e citarei algumas possíveis soluções.
Lembro que os métodos são apenas sugestões, você pode conferir métodos diferentes em outros sites. Assim, a escolha por esses métodos seguem por sua responsabilidade. O blog não se responsabiliza por qualquer dano material ou físico ocasionado pela aplicação incorreta das instruções e procedimentos.
É importante salientar também que não sou audiófilo, nem engenheiro de som, por isso o que você vai encontrar aqui é um resumo do que eu encontrei na web e conversei com colecionadores e vendedores de vinil, além é claro, da minha própria experiência.
Esta página está em constante atualização, por isso se você tiver dúvidas ou sugestões, mande um email ou deixe um comentário.

4) Problemas com áudio analógico e possíveis soluções
Nesta parte citarei alguns os problemas mais comuns com o áudio analógico e citarei algumas possíveis soluções. É válido ressaltar que, devido a infinidade de equipamentos e possibilidades de configuração, a solução para os problemas com áudio analógico são na maioria por vezes por experimentação, melhor dizendo, por tentativa e erro, assim os métodos aqui explanados não são garantia de 100% de sucesso.


Além disso, é importante lembrar que, antes de procurar as soluções, você deve ter feito todo o procedimento citado acima, desde a checagem mecânica até o ajustes precisos de ângulos. Se você não se capaz de fazer esses ajustes, ressalto a importância de contatar um serviço especializado. Lembrando novamente que o blog não se responsabiliza por qualquer dano material ou físico ocasionado pela aplicação incorreta das instruções e procedimentos.

4.1) Definições
Primeiro precisamos entender alguns conceitos básicos para depois poder explanar a respeito dos problemas do som analógico. Esse texto tem como objetivo uma abordagem geral sobre os elementos e princípios mais comuns da Acústica constatados em nosso cotidiano.

4.1.1) Reflexão
A reflexão de uma onda acontece quando ela se choca contra algum anteparo e retorna aos nossos ouvidos (fenômeno também é conhecido como “eco”). A energia transportada num movimento ondulatório, transmitida pelo ar, tem sua intensidade de resposta de acordo com a superfície de interação, dependendo da rigidez do meio. Ou seja, se uma superfície for maleável, a onda não voltará com a mesma intensidade que numa superfície rígida, como ocorre com a luz, que numa superfície perfeitamente lisa reflete totalmente, mas quando a superfície é rugosa, a reflexão se torna difusa e parcial.O ângulo de incidência da onda é o mesmo que seu ângulo de reflexão.
Se uma onda sonora que se propaga no ar encontra uma superfície sólida como obstáculo a sua propagação, esta é refletida, segundo as leis da reflexão ótica. A reflexão em uma superfície é diretamente proporcional à dureza do material. Paredes de concreto, mármore, azulejos, vidro, etc. refletem quase 100 % do som incidente. Um ambiente que contenha paredes com muita reflexão sonora, sem um projeto acústico aprimorado, terá uma péssima inteligibilidade da linguagem. É o que acontece, geralmente, com grandes igrejas e salões de clubes, etc.

4.1.2) Refração
A refração do som ocorre quando as ondas sofrem variações na sua velocidade de propagação quando influenciadas por fluxo de ar com diferenças de temperatura e velocidades variáveis.
Num dia de Sol, por exemplo, a camada de ar mais próxima do chão é mais quente se comparada com outras camadas mais altas. O som sofre uma curvatura no sentido da sublimação do ar, que pelo fato de estar mais quente, se torna menos denso. Esse fenômeno faz com que o som se torne indefinido a longas distâncias. Num dia frio ou à noite, o ar mais próximo do chão é mais frio, a curvatura se inverte melhorando as condições de qualidade sonora a longas distâncias.

4.1.3) Difração
O som é capaz de rodear obstáculos ou propagar-se por todo um ambiente, através de uma abertura. A essa propriedade é dado o nome de difração. Os sons graves (baixa freqüência) atendem melhor esse princípio. Cabe lembrar, portanto, que os sons graves (sons de baixa freqüência e de grande comprimento de onda) têm maior facilidade em propagar-se no ar, como também maior capacidade de contornar obstáculos.

4.1.4) Reverberação
Quando um som é gerado dentro de um ambiente escuta-se primeiramente o som direto e, em seguida, o som refletido. No caso em que essas sensações se sobrepõem, confundindo o som direto e o refletido, teremos a impressão de uma audição mais prolongada. A esse fenômeno se dá o nome de reverberação.

4.1.5) Eco
O eco é uma conseqüência imediata da reflexão sonora. Define-se eco como a repetição de um som que chega ao ouvido por reflexão 1/20 de segundo ou mais depois do som direto. Considerando-se a velocidade do som em 340 m/s, o objeto que causa essa reflexão no som deve estar a uma distância de 17 m ou mais.

4.1.6) Interferência
A interferência sonora ocorre quando acontece uma sobreposição dos vales ou cristas ondulatórias. Existem dois tipos de interferência, a construtiva e a destrutiva. A destrutiva ocorre quando a sobreposição das ondas coincide com suas áreas de pico e vale - em outras palavras, a combinação das duas ondas resultará em uma onda cuja região de compressão fica ainda mais comprimida e a região de rarefação fica ainda mais rarefeita. Em resultados práticos, se duas caixas de som estiverem emitindo ondas que estão interferindo uma com a outra construtivamente, o volume (intensidade sonora) ficará mais alto.
Na interferência destrutiva, a região de pico coincide com a região de vale. O resultado disso será uma onda que tende à homogeneidade na concentração de suas partículas, em que quase não haverá compressão ou rarefação. Em resultados práticos, no mesmo exemplo das caixas de som, a intensidade sonora ficará menor.

4.1.7) Ressonância
Ressonância é a coincidência de frequências entre estados de vibração de dois ou mais corpos. Sabemos que todo corpo capaz de vibrar, sempre o faz em sua freqüência natural. Quando temos um corpo vibrando na freqüência natural de um segundo corpo, o primeiro induz o segundo a vibrar. Dizemos então que eles estão em ressonância.
A ressonância é um fenômeno que ocorre quando um objeto, ao vibrar forçadamente, produz ondas que atingem outro objeto fazendo-o vibrar com drástico aumento na amplitude (que ocorre apenas quando a frequência da vibração do primeiro objeto é igual à frequência natural do segundo). Um exemplo desse fenômeno pode ocorrer num violão: se tocarmos uma corda de uma maneira tal que ela vibre numa frequência que seja a frequência natural de outra corda, esta segunda irá vibrar também (ressonância).

4.1.8) Microfonia
A microfonia é uma aplicação sobre a ressonância, pois a frequência sonora emitida pela cápsula de capitação de um microfone é absorvida pelo auto-falante que responde com a emissão de onda na mesma frequência entrando num ciclo perpétuo de captação e emissão de ondas com a mesma frequência.

4.1.9) Mascaramento
Na audição simultânea de dois sons de frequências distintas, pode ocorrer que o som de maior intensidade supere o de menor, tornando-o inaudível ou não inteligível. Dizemos então que houve um mascaramento do som de maior intensidade sobre o de menor intensidade. O efeito do mascaramento se torna maior quando a os sons têm frequências próximas.

4.1.10) Ondas Estacionárias
É um fenômeno que ocorre em recintos fechados. Consiste na superposição de duas ondas de igual freqüência que se propagam em sentindo oposto. Ao se sobreporem, a coincidência dos comprimentos de onda faz com que os nós e os ventres ocupem alternadamente as mesmas posições, produzindo a impressão de uma onda estacionária. Em locais fechados, o som refletido em uma parede plana e o som direto podem criar esse efeito, causando graves problemas acústicos para o ambiente.

4.1.11) Efeito Doppler-Fizeau
Quando a fonte ou o observador se movem (com velocidade menor que a do som) é observada uma diferença entre a freqüência do som emitido e recebido. Esse característica que é conhecida como Efeito Doppler-Fizeau, torna o som mais agudo quando as fontes se aproximam, e mais grave no caso de se afastarem.

4.1.12) Transmissão
Transmissão é a propriedade sonora que permite que o som passe de um lado para outro de um superfície, continuando sua propagação. Fisicamente, o fenômeno tem as seguintes características: a onda sonora ao atingir uma superfície, faz com que ela vibre, transformando-a em uma fonte sonora. Assim, a superfície vibrante passa a gerar som em sua outra face. Portanto, quanto mais rígida e densa (pesada) for a superfície menor será a energia transmitida.

4.1.13) Absorção
Absorção é a propriedade de alguns materiais em não permitir que o som seja refletido por uma superfície. O som absorvido por uma superfície é a quantidade som dissipado (transformado em calor) mais a quantidade de som transmitido.

4.2) Princípios do Som

4.2.1) Princípio de Huygens-Fresnel
A propagação do som no ar se dá a partir da fonte geradora, em todas as direções. Por ser uma vibração longitudinal das moléculas do ar, esse movimento oscilatório é transmitido de molécula para molécula, até chegar aos nossos ouvidos, gerando a audição. O Princípio Huygens-Fresnel se aplica a essa propagação: cada molécula de ar, ao vibrar, transmite para a vizinha a sua oscilação, se comportando como uma nova fonte sonora. A seguir são discutidas as propriedades da propagação no ar.

4.2.2) Propagação Livre
A propagação do som no ar se dá a partir da fonte geradora, com a formação de ondas esféricas. Essas ondas terão um comprimento de onda l e uma velocidade de propagação. Devemos levar em consideração que a densidade do ar é bastante influenciada pelo vapor d'água (umidade). Porém, o fator que mais influi na velocidade do som é a temperatura.
O som ao se propagar sofre uma diminuição na sua intensidade, causada por dois fatores:
 - Dispersão das ondas : o som ao se propagar no ar livre (ondas esféricas) tem a sua área de propagação aumentada, em função do aumento da área da esfera. Como a energia sonora (energia de vibração das moléculas de ar) é a mesma, ocorre uma diluição dessa energia, causando uma atenuação na intensidade.
- Perdas entrópicas : Sempre que se aumenta a pressão de um gás, a sua temperatura aumenta; ao se expandir o gás, a temperatura diminui (Boyle). Numa onda sonora, onde acontecem sucessivas compressões e rarefações, ocorrem pequenos aumentos e diminuições na temperatura do ar. Pela 2ª Lei da Termodinâmica, sempre que se realiza uma transformação energética, acontece uma perda, ou seja, parte da energia se perde em forma de calor. É a chamada perda entrópica. Sem a existência desta perda, seria possível o moto-contínuo. Assim, na propagação do som, parte da energia se transforma em calor, atenuação esta que depende da freqüência do som, da temperatura e da umidade relativa do ar.
A Atenuação do som na propagação :
  • é diretamente proporcional à freqüência, ou seja, o som agudo "morre" em poucos metros, enquanto que o som grave se pode ouvir a quilômetros de distância. - é inversamente proporcional à temperatura.
  • é inversamente proporcional à umidade.
  • a poluição do ar, principalmente o monóxido e dióxido de carbono, são muito absorventes, atenuando bastante o som.
  • não sofre influência da pressão atmosférica.
A Velocidade do Som na propagação :
  • é diretamente proporcional à temperatura.
  • é diretamente proporcional à umidade.
  • não sofre influência da pressão atmosférica.
  • não varia com a freqüência.
Portanto, na propagação, o ar oferecendo maior resistência à transmissão de altas frequências, causa uma distorção no espectro de frequências. Por isso que, nos sons produzidos a grandes distâncias, nós ouvimos com maior nível os sons graves, ou seja, os sons agudos são atenuados na propagação.


4.3) Problemas e soluções
Depois de compreendido essas definições vamos aos problemas e possíveis soluções.

4.3.1) Vibrações
Trechos do artigo "Vibrações: têm elas importância para nós?" de Víctor A. Mirol
Uma vibração é uma oscilação das moléculas ou de todo um objeto. Dependendo da rigidez e do tamanho
da substância da qual este é composto, as diversas partes poderão oscilar em sincronia ou não. Quando essa vibração é anárquica – isto é, composta de frequências pobremente relacionadas – podemos considerá-la como ruído. Quando é fundamentalmente composta de frequências relacionadas, estamos na presença do som propriamente dito. Portanto, a divisão entre vibração e som pode ser muito tênue.
O único que sabemos positivamente é que quanto mais estáveis – ou seja,
sem vibrações – forem as condições de trabalho de um componente eletrônico ou eletromecânico, menor interferência haverá sobre os sinais que passam através dele.
Lembremos que vibrações do ambiente podem vir por três caminhos: pelo ar, pelo chão ou por contiguidade. No primeiro caso, estão ruídos diversos de dentro ou fora da sala e – não podemos esquecer – o próprio som provindo dos alto-falantes, tanto direto, como refletido por superfícies que podem vibrar predominantemente em determinadas frequências com muita intensidade. Estes sons “musicais” agem
por retro-alimentação: o sinal sonoro faz vibrar o componente, introduzindo uma modulação que estará atrasada no tempo com o sinal eletrônico passando por ele e pode estar em relações de fase variadas, resultando em distorção. Os outros induzem movimento vibrátil por acoplamento do ar com a estrutura
mecânica do componente, tanto mais quanto maior sua área e menor seu peso. Os ruídos transmitidos pelo chão chegam ao componente por acoplamento direto, ou através dos pés de borracha que possam existir, e que modificam – para melhor ou pior – o efeito resultante. Com exceção de vibrações próprias do planeta (sísmicas) e de acoplamento de elementos vibráteis com o chão ou paredes do prédio (motores, condicionadores de ar, trânsito), outros ruídos que chegam pelo chão são originados no ar (aviões, helicópteros, trânsito, alto-falantes). Estas vibrações agirão diferentemente de acordo com a massa e a rigidez do chão (que para este fim, é a superfície sobre a qual está apoiado o componente, seja o chão mesmo, ou uma estante ou outro suporte). Por exemplo, um chão de madeira solta irá vibrar com a sonoridade dos falantes e transmitir essa vibração para um componente nela apoiado, somando-se àquela que chegar diretamente pelo ar. Em todo caso, interessa determinar, para cada componente, qual o caminho de entrada da vibração (ar, chão) e, no caso das vibrações internas do componente, se sua atenuação está prevista no projeto do fabricante.
Diversos componentes vibram – ou são sensíveis a vibrações.
[...]
Toca-discos (terrestre, aéreo). Os discos em rotação – como qualquer outro objeto girando – geram oscilações basicamente no plano horizontal. No caso dos LPs, por volta dos 0,5 Hz e seus harmônicos. Também ondulações na sua superfície fazem o braço subir e descer e, portanto, criar oscilações
de baixa freqüência que influem no posicionamento da agulha dentro do conjunto magnético da cápsula. O motor também gera vibrações e, por isso, está geralmente isolado da bandeja por suspensões internas.
[...]
Todas estas vibrações afetam o posicionamento da agulha e criam sinais que modulam o sinal impresso no disco. São, porém, as vibrações externas – provindas do ambiente – as que criam
mais preocupação. Estas são causadas por passos, golpes e outras fontes na sala ou seus exteriores e, também, vibrações causadas pela própria música emanada dos alto-falantes. As vibrações aéreas acoplam-se facilmente pela ampla superfície e pouca massa da tampa do toca-disco e do próprio LP.
[...]
Pré-amplificadores (terrestre, aéreo). Como nos casos anteriores, o nível de sinal muito baixo – especialmente quando existe circuito de phono – é o que os faz sensíveis a vibrações, tanto as externas, como a microfonia (válvulas e alguns componentes passivos). Quando estão incorporados a amplificadores
– amplificadores integrados – a vibração do transformador da fonte de alimentação pode, também, ser um
problema. As válvulas podem ser muito sensíveis a vibrações – característica chamada de microfonia: a capacidade de gerar correntes quando submetidas à vibração em forma análoga a como reage um microfone. Naturalmente, estes sinais modularão qualquer sinal que estiver passando nesse momento, tanto
mais quanto mais tênues eles forem.
[...]
Os componentes passivos – em especial capacitores ou condutores imersos em campos magnéticos – também são sensíveis, às vezes, às mesmas vibrações.
Amplificadores. Os transformadores, em especial os de grande potência, podem causar vibrações que podem ser transmitidas a componentes de baixo sinal circundante, quando apoiados em superfícies leves e comuns. Os integrados, se de alto ganho, assemelham-se aos pré-amplificadores.
Alto-falantes. A situação aqui é complexa. Eles causam intensa agitação molecular no ar – ou seja, o som que ouvimos – e esta interfere com os componentes de baixo nível de sinal e, em especial, com transdutores: toca-discos, CD players e transportes. Além do som emitido diretamente pelos cones dos alto-falantes, as paredes da caixa, que recebem a onda posterior dos drivers, vibram e transmitem essa vibração ao ar, enfatizando certas frequências. A própria caixa como um todo, reagindo em oposição ao impulso dado à bobina móvel e ao cone do falante pelo sinal provindo do amplificador, oscila mais ou menos intensamente (lembremos que o cone do falante só irá para frente – com violência, no caso de um golpe de bumbo – ao sofrer aceleração causada pelo campo magnético da bobina móvel, se a massa e rigidez da caixa permitir, de acordo à lei da ação e reação. A caixa tende a oscilar em sentido contrário ao cone). Apesar do cuidado do fabricante, estas vibrações podem ter modos muito pronunciados, que são projetados para o exterior e
que agem também retornando sobre o próprio driver .
Temos que lembrar que, similarmente ao que acontece em cápsulas de toca-discos, o movimento
do cone sempre é relativo ao campo magnético do imã e, se este vibra, o sinal será modulado – ergo, distorcido. Daí a necessidade da caixa estar muito firmemente fincada no chão .
Condicionadores de sinal podem originar vibrações causadas por indutores que serão transmitidas ao
entorno, via planos de apoio. Fontes de alimentação podem, também, agir da mesma forma.
Nos casos de equipamentos leves, o efeito de qualquer tipo de vibração é sempre mais nocivo e cobra dimensões mais preocupantes.
[...]
Vamos lembrar, já que mencionamos força e pressão, a diferença entre elas. Força é definida como a magnitude que, aplicada a uma massa, imprime a ela uma aceleração – faz com que ela se mova no sentido da força impulsora, aumentando a sua velocidade com o tempo de aplicação, a uma taxa constante.
[...] uma primeira medida de defesa contra uma vibração seria a de aumentar a massa do componente. Como não podemos aumentar essa massa diretamente, o que fazemos é apoiar solidamente o componente sobre uma massa maior. Por isso é que um componente mais pesado será menos sensível a vibrações, e que um componente – leve ou pesado – apoiado rigidamente sobre uma massa maior também o será. Por isso, na coluna B vemos os componentes vibrando menos que nos casos da coluna A (casos de vibrações internas e aéreas: nas terrestres não haverá, logicamente, nenhuma vibração do componente). Também por isso é que, na coluna C, os mesmos componentes, apoiados sobre uma massa muito maior que eles – no caso, o chão – ficam quase isentos de vibrações (naturalmente, no caso das vibrações terrestres, o componente solidamente fixado ao chão – terceira linha – vibrará tanto quanto ele).
Por último, nas colunas D e E temos o caso de um apoio por intermédio de molas. Aqui, as vibrações serão
maiores ou menores, dependendo da freqüência natural de vibração do conjunto massa-molas
[...]
Ocorre que nestes casos, o efeito da vibração sobre a massa suspensa será diferente:
a) quando a freqüência da vibração é menor (pouca modificação);
b) igual (grande transferência da vibração para o corpo suspenso);
c) maior (atenuação da vibração transmitida, tanto mais, quanto maior a freqüência desta).
Podemos dizer, então, que desde que a relação de frequências seja favorável, a vibração será amortecida, tanto mais quanto maior for a massa (do componente ou da base na qual está apoiado solidamente) e quanto menor for a rigidez das molas.
[...]
O uso de elastômeros (cuja máxima vantagem seria a sua capacidade de mostrar amortecimento resistivo) pode criar problemas imprevistos, pois suas elasticidades costumam ser limitadas. Se somarmos a isso o uso de componentes de baixa massa (ou sem um suporte pesado), poderíamos estar favorecendo frequências ressonantes altas e perceptíveis. O seu componente resistivo pode atenuar esse efeito em parte. O resultado final dependerá de fatores, alguns mencionados, como: tipo, forma e volume do elastômero, peso do componente/base, tipo e frequências vibráteis existentes no ambiente e banda passante do sistema. Uma
consideração adicional seria a de que para ressonâncias em baixas frequências transmitidas pelo ar, às vezes uma mudança de local do componente pode amenizar o seu efeito deletério, devido à diferente pressão sonora em diferentes locais da sala de audição.
Casos especialmente desfavoráveis a considerar são:
1) toca-discos leves apoiados sobre tip-toes, em chão com muita vibração (madeira solta, por exemplo) ou sobre elastômeros, se situado muito perto de alto-falantes de boa extensão e volume de baixos;
2) caixa acústica leve apoiada sobre bases elásticas.
Os sistemas comumente utilizados e suas aplicações
A diversidade de origem (do exterior, do próprio componente), de freqüência (desde 0,5 Hz de um LP
até toda a faixa média de áudio emitida por alto-falantes, incluído aí o grupo de vibrações externas de baixa
freqüência, em geral), de planos de vibração (horizontal em discos, vertical e oblíqua em CDs, e diversa em motores de toca-discos, múltipla no caso de transformadores) faz com que diversas soluções tenham sido encontradas para combatê-las. Temos pés de borracha, tip-toes, caixas de areia, bolas de tênis, Shindos e tantos outros. Também muito diversos são os materiais de construção desses dispositivos. Indo por partes, poderemos tentar analisar cada grupo deles.
Air-born
Air-born é a vibração causada por ondas sonoras e no caso do sistema de áudio, das ondas provenientes das caixas acústicas.

Acessórios de acoplamento
O acoplamento em mecânica é uma conexão ou interação entre dois sistemas, mediante o que se transfere energia de um para outro.

Tip Toes ou spikes
Colocados no mercado há muitos anos, eles proveem – como mostra a coluna C – acoplamento rígido entre
o componente e o chão, criando um aumento virtual da massa do componente. São às vezes chamados de
diodos mecânicos, porque transmitiram vibrações do componente para o chão e não o inverso, o qual é particularmente verdadeiro quando se trata de pisos de madeira. De fato, foram muito úteis no caso de toca-discos e de alto-falantes colocados em pisos com carpetes, por permitir o contato direto com o piso subjacente.
Para que estes dispositivos cumpram o objetivo a que se propõem, é necessário observar alguns preceitos. Em primeiro lugar, eles devem ser três, que é o único número que permite um apoio estável de todos no chão. Quatro já poderia fazer com que um deles se apoiasse com menor força ou ficasse no ar, com o que o toca discos ficaria instável e parcialmente no ar, configurando a situação da coluna A. Alguns vêm com mecanismo de ajuste para evitar esse problema quando usados quatro ou mais, mas não é tão confiável como usar três cones.
O componente deve se apoiar nos cones em pontos fortes da estrutura. Estes costumam ser os locais onde estão situados os pés que o fabricante colocou originalmente, que deveriam ser retirados e substituídos pelos cones. O problema, normalmente, é que o toca-discos vêm com quatro suportes, geralmente de borracha. Necessariamente, um dos cones teria que ser colocado em um ponto da estrutura que poderia não ser devidamente reforçado. Por isso, um exame da estrutura do chassi do toca-discos é obrigatório para escolher o lugar do terceiro cone, geralmente colocado atrás. Outra consideração é a de tratar de manter uma estabilidade adequada do toca-discos e isso requer levar em conta a situação do seu centro de gravidade, que deveria ficar no centro geométrico do triângulo de cones. Deve, naturalmente, ser evitado
colocar material elástico entre o toca-discos e os cones, como borrachas, elastômeros ou os próprios pés originais do toca-discos porque isso anularia a vantagem do acoplamento rígido (ou, no mínimo, criaria uma situação difícil de calcular). Também deve ser seriamente considerado o plano sobre o qual apoiar o conjunto, já que, para que seja útil, deve ser sólido, estável e de alta massa. Por isso, bandejas de madeira, estantes, ou suportes de parede, devem ser analisados com cuidado e, em todo caso, usar bandejas
de suporte de granito bem pesadas para obter a massa amortecedora que procuramos debaixo dos cones. Uma outra consideração a ser feita é o caso dos toca-discos com suspensão interna. Muitas vezes o fabricante incorpora essa suspensão calculada para amortecer as vibrações do motor e externas. Como o sistema disco-cápsula está contido nesse sistema interno, mesmo acoplando o toca-discos com o chão por meio de cones, deixaríamos o prato e a cápsula abertos a vibrações provindas dos alto-falantes. Nestes casos, provavelmente, os tip-toes poderiam ser menos efetivos que no caso das bandejas sem suspensão.
[...]
Alto-falantes em chão acarpetado constituem sua mais clássica aplicação: eles fixam a caixa diretamente no piso, sem permitir sua oscilação reativa ao movimento do cone dos falantes e ajudando a dissipar as vibrações das paredes.Quando se pode dispor de uma base sólida e maciça, os cones (tip-toes) são confiáveis como acopladores de massa. Se a base não for confiável (quando ela pode ser origem de vibrações), não são uma boa escolha. Mesmo assim, o uso de elastômeros poderia ser pior, pois podem ser excitadas ressonâncias em freqüências audíveis que piorem a situação. Sem dúvida, um sistema com molas e massa suspensa é o melhor. [...]
Quando o toca-discos pode pode dispor de uma base sólida e maciça, os cones (tip-toes) são confiáveis como acopladores de massa. Se a base não for confiável (quando ela pode ser origem de vibrações), não são uma boa escolha. Mesmo assim, o uso de elastômeros poderia ser pior, pois podem ser excitadas ressonâncias em freqüências audíveis que piorem a situação. Sem dúvida, um sistema com molas e massa suspensa é o melhor.
O Tip Toe ou Spike tem por finalidade diminuir o contato da superfície, concentrando toda a força peso num único ponto, o que provoca maior “firmeza” de uma caixa acústica ao piso. Mas, se o seu piso vibrar, não tenha qualquer dúvida de que esta vibração será transmitida às caixas.
Desta forma, a utilização de spikes depende de outros fatores. Se o toca-discos estiver instalado num rack através de spikes e este rack vibrar ou for instável, a vibração atingirá a cápsula, inevitavelmente. Mas, se a base for muito rígida, feita em alvenaria e com tampo em granito, o uso de spikes vai provocar uma firmeza muito maior do toca-discos sobre este tampo.


A utilização de spikes em caixas acústicas é viável sim, pois a caixa mais firme favorece muito os graves, principalmente. Mas, como foi dito anteriormente, alguns outros fatores devem ser observados para que isso funcione assim, pois apenas o falante tem que vibrar. O movimento brusco do falante causa ação e reação no gabinete e sua tendência é se mover, mesmo que seja imperceptível. Portanto usamos spikes, para garantir o bom acoplamento da estrutura que deve ficar parada (o gabinete e não o falante).

Esferas Deslizantes (Shindo, Pulsar Points, Daruma etc)
Sistemas que funcionam como acoplamento rígido para esforços simétricos no eixo vertical, e como sistemas oscilantes para vibrações laterais ou assimétricas. Consistem em uma base côncava no centro e uma cobertura, também côncava, entre as quais existe uma esfera metálica que permite que a base e a cobertura deslizem entre si, aumentando a sua energia potencial na medida em que se afastam do centro de equilíbrio (nesse sentido agindo como molas). Quando três ou mais destes dispositivos são colocados como suporte de um componente, este pode oscilar lateralmente. O movimento lateral terá um efeito de retorno, já que as esferas, ao deslizar lateralmente, também o fazem em sentido ascendente devido à curvatura da concavidade, adquirindo energia potencial. Dependendo do acabamento das pistas de rolagem, esse movimento de vai e vem será amortecido mais ou menos rapidamente.
Por ser um movimento complexo, existe mais de um grau de liberdade no sistema, embora, quando considerado um único elemento, se equivalente é o de um sistema de molas com eixo horizontal, plano no qual são eficientes para limitar vibrações (como muitas das provindas do terreno, de vibrações de estantes ou de vibrações internas).
Para funcionar adequadamente, requerem um ótimo acabamento das superfícies côncavas e um material de alta dureza (nas pistas e nas esferas) para manter durabilidade e uniformidade de movimento. Combinados com elastômeros brindam elasticidade e amortecimento em todos os sentidos. Se isto é eficaz, dependerá do tipo de vibração perturbadora e do peso apoiado. Têm sido relatados bons resultados como suporte de alto-falantes, embora teoricamente não deveria ser assim. Existem alguns outros tipos de sistemas de amortecimento ou isolamento de vibrações que combinam um, dois ou mais dos tipos mencionados.
Devido à dificuldade em determinar uma freqüência de ressonância, é difícil predizer o seu resultado em cada tipo de aplicação, em especial os elastômeros e as esferas deslizantes. A audição ou a aplicação em componentes de peso e características similares àqueles onde se pretende usá-los é a única forma de
avaliá-los. Em geral, os diversos tipos de elastômeros ressoam em frequências bem dentro da faixa de áudio e, por isso, podem dar resultados em alguns componentes e não em outros.
Clamp
Conhecido como peso anti-ressonância possuir a função de melhorar a resposta nas baixas frequências e aumenta dinâmica e profundidade sonora. O clamp também ajuda a minimizar as vibrações indesejadas do vinil, bem como a estabilizar o mesmo.
É importante lembrar que existem dois tipos: o "record clamp" e o "record weight". O "record clamp" é um clamp de fato, que tem como princípio de funcionamento exercitando pressão (sem necessidade de ser pesado) em cima do centro do disco se "agarrando" no pino central e assim mantendo a pressão.
O peso desse tipo de clamp em teoria não afeta o eixo de um toca-disco, uma vez que se agarra ao pino, permitindo que se controle a pressão aplicada para aprimorar o contato do disco com o tapete. Porém, o que pode afetar é o exagero ao se aplicar a pressão.




O "record weight" tem o objetivo do melhor acoplamento do disco no prato realmente através de peso sem se prender ao pino central. Verifique se o seu modelo de toca-discos suporta o peso do clamp. (sugestão de Reto Wüthrich)



Acessórios de desacoplamento
Ine­xis­tência ou eliminação de acoplamento entre dois circuitos.
Existem diversas formas de se absorver vibrações e as mais efetivas são feitas por componentes “amortecedores”. Estes sim têm a função de absorver o movimento (energia). Nestes casos, utilizam-se normalmente peças elásticas (não rígidas), como a borracha, molas e outros.

Vibrapods
No caso do toca-discos, geralmente (depende do caso), o desejável é o desacoplamento. Um bom desacoplamento geralmente feito com vibrapods, molas, borracha ou esferas, tem a propriedade de absorver vibrações, funcionando como um fio terra, ou seja, qualquer vibração causada por airborne vibration (vibração causada por ondas sonoras) é instantaneamente absorvida pelo desacoplador. Existe uma relação entre a massa do aparelho e o coeficiente de elasticidade do desacoplador. O desacoplamento só é eficaz caso essa relação seja correta.



Suportes Flexíveis (Elastômeros)
Construídos em sorbothane, navcom e similares, consistem em suportes para serem colocados embaixo dos equipamentos. De diversas formas e tamanhos, têm como característica comum a elasticidade combinada com amortecimento, próprio desses tipos de borrachas. Quando carregados com o peso dos componentes, confirmam um sistema ressonante cuja massa é a do componente e a elasticidade é a dos suportes. O problema, às vezes não considerado suficientemente, é que os elastômeros não possuem suficiente flexibilidade para ressoar a uma freqüência suficientemente baixa quando combinados com as massas pequenas dos componentes e que, quando usados pesos grandes, sua capacidade de deformação é excedida.
Uma solução é usar entre eles e os componentes, bases de granito pesadas, mas – como acabamos de dizer – o risco é o de esmagar as borrachas até o ponto em que não sejam mais elásticas. Colocar mais suportes não resolve, pois a elasticidade do conjunto diminui (os elementos elásticos em paralelo se combinam como resistências em paralelo e o valor total é menor que o menor deles) e fazem a freqüência natural de ressonância aumentar. Funciona, porém, em alguns casos, dependendo das frequências (ou harmônicos) envolvidas e do peso do componente.
Podemos usá-los embaixo dos suportes originais do componente, pois, embora isso aumente a incerteza, de todas as maneiras não temos uma forma fácil de medir seu comportamento.
[...]
Mesmo assim, é quase impossível medir o coeficiente de amortecimento, e isso faria com que o cálculo de
comportamento e de atenuação seja necessariamente só uma aproximação.
O recurso é o mais famoso em áudio: colocá-los e ouvir o resultado com paciência e com diferentes tipos de
música. Existem também em forma de lâminas de elastômero de alguns milímetros de espessura.

Sistemas com Molas de Compressão ou de Suspensão
Estes sistemas permitem ser calculados (ao menos no modo de liberdade correspondente ao k – coeficiente de elasticidade – conhecido das molas) com mais previsibilidade e, quando bem desenhados para a aplicação pretendida, costumam dar resultados consistentes.
[...]
Como podemos ver, o resultado de um sistema qualquer de atenuação de vibrações dependerá da previsibilidade do seu comportamento e do conhecimento que tenhamos do tipo de vibração existente no local e das características de cada sistema, em especial da freqüência de ressonância nos sistemas
elásticos envolvidos.
4.3.2) Problemas no ambiente e no suporte dos aparelhos
Desde que Thomas Edison inventou o fonógrafo, a tecnologia do som tentou reproduzir com aparelhos a mesma música que se ouvia ao vivo. Nunca conseguiu. A sensação de som envolvente proporcionada por uma orquestra num teatro dificilmente pode ser imitada. A barreira não está só na masterização, mas também na audição final, mesmo que os recursos e aparelhos para atingir o som puro sejam quase ilimitados. Mas como não estamos tratando de um sistema complexo com aparelhos profissionais valvulados, não vou discorrer sobre a disposição para audiófilos por dois motivos: primeiro porque não entendo do assunto e segundo porque esse tema é extremamente complexo e demandaria um artigo bem maior.
Dessa forma, podemos dizer que os problemas do sistema simples de audição não começa, somente na hora em que a música deixa o vinis e adentra a agulha, cápsula, toca-discos, conectores, cabos, pré-amplificador, equalizador, receiver e caixas acústicas, mas também na momento em que o som sai pelas caixas acústicas e o sinal elétrico passa para o indomável fenômeno da propagação das ondas sonoras pelo ar.
Antes de uma fábrica de vinis receber a fita master, o original que vai gerar a matriz para a produção dos discos, é feita a pré-masterização, quando a música recebe vários aperfeiçoamentos. No estúdio é possível realçar graves ou agudos de gravações novas ou antigas e criar ambientes que as músicas não tinham originalmente. Na mesa de mixagem qualquer música pode ser melhorada, pois em cada trecho se podem corrigir o volume e a freqüência (graves, médios e agudos), dando uniformidade à gravação.
Muito desse trabalho é feito segundo o ouvido de quem edita, mas há meios precisos de visualizar a qualidade de uma gravação sonora. Os chamados equalizadores paramétricos dividem as frequências audíveis pelo ouvido humano (entre 20 e 20 000 hertz) em 8 grandes grupos. Outro aparelho, o spectrum analyser, mostra as frequências em forma de gráfico. O técnico da mixagem pode então ver se algumas frequências estão com volume muito mais alto do que outras — o que pode significar, no ouvido, agudos estridentes ou graves cavernosos — e baixá-las.
A mesa tem recursos que mudam algumas características das músicas pela variação da reverberação, ou seja, a repetição do sinal original como um eco. Escolhe-se o modo “igreja”, por exemplo, e a mesa vai reproduzir o sinal original algumas vezes, dando a impressão de que aquela música foi mesmo gravada numa igreja, com todas as reverberações típicas daquele local. O mesmo efeito pode criar ambiência em gravações antigas, feitas com menos recursos técnicos do que hoje.
Entre o fim da edição de uma fita no estúdio e a produção da matriz do vinil, há muita tecnologia para garantir a qualidade do som analógico.
Com equipamento estéreo já é possível conseguir um som de altíssima qualidade. A criação da imagem acústica, ou seja, a capacidade de simular a espacialidade de uma apresentação ao vivo, é perfeitamente viável com os canais direito e esquerdo. Se ao tocar um vinil de música popular o ouvinte se posicionar corretamente entre as caixas, terá a impressão de que alguns instrumentos estão à esquerda, outros à direita e a voz no meio. Essa separação é feita na mixagem do vinil e proporciona a sensação de que se está defronte ao palco.
Porém, uma audição ao vivo acontece em condições que extrapolam a música vinda das caixas acústicas. No concerto de uma orquestra, o som que chega aos nossos ouvidos não parte em linha reta dos músicos: é a somatória das ondas sonoras que vêm dos instrumentos e das ondas refletidas nas paredes e no teto. A simulação de envolvimento, que faz com que o ouvinte se sinta numa platéia, só foi viável com a invenção do sistema Surround. Desenvolvido pela empresa americana Dolby, o Surround usa duas caixas frontais, como no estéreo, mais duas caixas de efeito atrás e foi criado originalmente para o cinema. O Surround gerou uma variante mais avançada, o Pro Logic, com uma quinta caixa para o canal central entre as duas da frente. Mas infelizmente para o vinis, gravados em apenas dois canais, não há os efeitos com dispostos num sistema de som com mais canais. Na verdade, apenas um percentual do sinal emitido para as caixas frontais vai para trás, trazendo a sensação de envolvimento de um concerto. Por isso, os home-theaters não são o melhor equipamento para a audição dos vinis. Mas mesmo com essa limitação o som analógico pode ter sim suas vantagens, na tentativa de chegar o mais próximo do som puro.
Não vou entrar nó mérito da discussão entre som analógico e digital, afinal isso é tema para um bom e longo artigo, tema de intensas discussões entre amantes do vinil e do CD.
A partir do momento em que é convertido em impulsos elétricos, para movimentar os diafragmas dos alto-falantes e produzir as ondas sonoras, todo o processo analógico pode perder seu grau de pureza, mediante alguns erros de ambientação, posicionamento, suporte da aparalhagem que compõe o sistema de som. Além disso, temos alguns problemas dos próprios aparelhos e dos cabos também, que trataremos mais adiante. Construir um ambiente para um sistema analógico com caixas acústica é um trabalho empírico, não há como fazer simulações, difícil de ser mensurado. Os testes são feitos um a um, em cada componente, até o produto final.
Algumas caixas extrapolam a noção das três divisões básicas das frequências escutadas pelos ouvidos humanos — woofer para os sons graves, midrange para os médios, tweeter para os agudos. Já existem caixas de quatro vias, uma das quais destinada a graves profundos, assim como há o subwoofer, uma unidade separada só para as baixas freqüências. O subwoofer apareceu como resposta aos exíguos espaços da vida moderna. É que, para se obter fidelidade sonora em freqüências abaixo de 200 hz, a caixa precisa ter grande volume, espaço difícil em residências minúsculas. A solução é compactar as caixas, colocando só os médios e os agudos, separando os graves. Os médios e agudos devem ficar à frente e na mesma altura das orelhas do ouvinte, pois dão a espacialidade do som.
Os graves, porém, mais do que audíveis, são sensíveis como um impacto. Pelo fato de ser uma onda sonora de grande comprimento e por não conferir o caráter de espacialidade, o subwoofer pode ficar em qualquer lugar da sala, até embaixo do sofá. Na verdade, para o sistema de dois canais não é recomendado a utilização do subwoofer.
Além disso, os materiais que compõem as caixas também influem é muito na qualidade. Os cones dos alto-falantes, as peças que vibram em alta velocidade para produzir o som eram feitos de papel, mas hoje existem modelos feitos de fibra de carbono e outros materiais mais nobres, já que se busca leveza e resistência.

Soluções
Para os colecionadores que desejam ter um som analógico num padrão aceitável, que talvez não possua um grande poder aquisitivo como é o meu caso, é possível sim ouvir som com qualidade com um bom equipamento estéreo, desde que se respeitem algumas regras:
1) A primeira é posicionar-se corretamente diante das caixas, para obter a melhor imagem acústica: o ideal é ficar num dos vértices de um triângulo imaginário formado pelas duas caixas e você.


2) Os aparelhos do sistema analógico devem ficar preferencialmente no meio das caixas acústicas e afastados pelo menos 30 cm um do outro.
3) As caixas devem ficar longe do toca-discos e em móveis separados preferencialmente, para evitar alguns problemas de ressonância que veremos mais adiante. Também não devem ficar no chão, mas na mesma altura do ouvido.

Jamais use esse Layout. As caixas estão muito próximas e no
 mesmo móvel que o toca-discos
4) No caso da utilização de um subwoofer (não recomendado), o ideal é colocá-lo no chão e no mínimo a um metro do toca-discos.
5) Enormes janelas ou portas de vidro na sala de audição provocam reflexões indesejáveis, que podem ser resolvidas com o uso de cortinas.
6) Procure usar móveis resistentes de madeira maciça para colocar os aparelhos que compõe o seu sistema, principalmente o toca-discos, já que o conjunto agulha e cápsula são muito sensíveis e suscetíveis à interferências externas do ambiente.
7) Procure ter todos os componentes com grau semelhante de qualidade: de nada vale um bom toca-discos sem boas caixas. O padrão de qualidade deve incluir até os cabos de conexão.

Layout simples e correto. Aparelhos separados um do outro e
caixas formando o triângulo e elevadas do chão. Seria interessante
afastar um pouco mais as caixas do móvel, por causa da vibração.

4.3.3) Hum ou Humming 
(Trechos do artigo "Eliminando os ruídos de áudio de 60 Hz (ART436)" do Instituto Newton C. Braga (NCB).
Os equipamentos que trabalham com sinais de áudio e que possuem grande sensibilidade estão sujeitos a captação de ruídos ou roncos de 60 Hz provenientes da rede de energia. Estes ruídos se manifestam na forma de um ronco que consiste num incômodo para quem monta um amplificador ou qualquer aparelho que trabalhe com sinais de áudio. Os roncos também aparecem nas instalações de um sistema de som quando diversos aparelhos como amplificadores, toca-fitas e equalizadores são interligados. O origem desses roncos desagradáveis e como eliminá-los é o assunto tratado nesta parte.
A rede de energia funciona como uma antena que irradia um sinal numa frequência muito baixa: 60 Hz. De fato, 60 Hz é a frequência da corrente alternada da rede de energia cuja finalidade é alimentar os nossos aparelhos elétricos e eletrônicos.
A irradiação do sinal não é algo desejado, mas ocorre e com ela alguns problemas que afetam o funcionamento de muitos aparelhos eletrônicos, principalmente os de som. O que ocorre é que, se o sinal de 60 Hz "irradiado" pela rede de energia for captado pelos circuitos amplificadores dos equipamentos de som, eles passam a ser reproduzidos em fones e alto-falantes.
Como 60 Hz é uma frequência de áudio, ou seja, corresponde a um som que podemos ouvir, o resultado é a reprodução de um som constante, semelhante a um ronco ou zumbido bastante grave. Se o leitor quer ter uma ideia melhor deste som, basta colocar o dedo num jaque conectado na entrada auxiliar de um amplificador.
Seu corpo funcionará como uma antena e captará os sinais irradiados pela rede de energia que então serão amplificados pelos circuitos do aparelho de som. Evidentemente, não se trata de algo interessante ter um ronco no alto-falante do sistema de som, quando não há música sendo reproduzida ou outro sinal.
Se este ronco está presente, ele pode estar "entrando" no seu equipamento de som de forma indevida.
As caixas dos equipamentos de som são metálicas e devidamente aterradas funcionando como blindagens eficientes. Os próprios cabos por onde passam os sinais são blindados e devem ter sua malhas aterradas para evitar a captação de zumbidos. Os sinais induzidos pela rede de energia ficam na malha dos fios ou na caixa do aparelho que os desvia para a terra.

A malha serve de blindagem evitando que os roncos e
 ruídos sejam misturados aos sinais.
Problema nos conectores
No entanto, por melhor que seja a blindagem de um cabo ou que seja a caixa que aloja um aparelho, os roncos podem encontrar "brechas" e penetrar nos circuitos amplificadores aparecendo então de forma ingrata nos alto-falantes.
Um primeiro ponto importante a ser observado é a própria conexão dos cabos. A blindagem atua onde pode alcançar, mas nos pontos de emendas ou de colocação de um jaque ou um plugue a blindagem deve ser removida, descobrindo um pedaço do cabo.

O pequeno pedaço de fio descoberto capta roncos.
Pode parecer pouco que um ou dois centímetros de um cabo descascado tenha algum efeito, mas esse pequeno comprimento pode perfeitamente captar alguns microvolts de ronco e transferi-lo ao equipamento de som. Os cabos que operam com sinais muito fraco, como por exemplo os que transferem o sinal de uma cápsula magnética de um toca-discos são bastante sensíveis a este problema.

Origem e soluções
O primeiro passo na eliminação deste problema é identificar sua origem:
  • coloque o amplificador na condição em que o ronco se manifesta.
  • desligue o cabo de conexão do toca-discos ou aparelho ligado ao amplificador da rede de energia, mantendo-o sem alimentação.
  • desligue o cabo de conexão do toca-discos ou de alta impedância ligada ao amplificador. Se, ao desligar o cabo o ronco desaparecer, estará caracterizada a origem do problema. Mas se o ronco não desaparecer, ele pode ter outras origens, conforme veremos. Pode estar sendo gerado no circuito do amplificador ou captado pela própria caixa em vista de não estar devidamente aterrada.
Se o ronco foi provocado pelo cabo, verifique então:
  • se sua blindagem está fazendo bom contacto com os plugues e o circuito nas duas extremidades.
  • se o jaque do amplificador está devidamente ligado à terra.
  • se existem emendas no fio, verifique estas emendas, reduzindo o tamanho exposto do cabo interno. 
Emendas também podem captar roncos.
Aterramento
Quando dois ou mais aparelhos são interligados, para que suas caixas ou chassi atuem como blindagem de maneira eficiente evitando o aparecimento de roncos, eles devem estar sob mesmo potencial.
Pode ocorrer que, por diferenças de características ou pelos próprios circuitos externos, dois aparelhos conectados à mesma rede de energia, quando em funcionamento apresentem uma diferença de potencial de alguns microvolts ou milivolts, pois diferenças de aterramento podem facilitar a captação de roncos.

Diferenças de aterramento podem facilitar a captação de roncos.
Essa diferença consiste num sinal que aparece nos circuitos de saída do toca-discos e entrada do pré-amplificador e do pré amplificador para o amplificador.
Por isso, essas ligações devem ser aterradas por meio de uma cabo de aterramento. A maioria do toca-discos possui saída para fio-terra, porém o pré-amplificador deve ter a entrada para o aterramento, o mesmo serve para o amplificador.
Lembre-se: não misture aterramento elétrico (tomada elétrica) como terra do toca-discos. O terra do toca-discos é para interligar a parte metálica do braço do toca-discos à carcaça do pré amplificador de phono ou do integrado com o pré de phono. O terminal correto para se ligar é esse com parafuso perto da entrada de toca-discos. Veja se a parte que faz contato esteja limpa, sem oxidação. Não interligue em mais de um ponto simultaneamente.

Soluções
É fácil o leitor verificar se o problema tem esta origem:
  • ligando os dois aparelhos sem sinal e abrindo o volume do amplificador o ronco aparece.
  • encostando a caixa de um aparelho no outro ou ainda interligando-a por um momento por meio de um pedaço de fio, o ronco desaparece.
  • interligando os "Terras" de dois aparelhos, se o ronco não desaparecer, sua origem pode ser outra.
Para eliminar o ronco que tenha esta origem, basta usar os terminais de terra comum que todos os equipamentos de som possuem em sua parte traseira.
  • Interligue os terminais de terra de todos os aparelhos que formam o sistema, se usarem caixas separadas. O fio usado nesta interligação deve ser grosso e o mais curto possível.
Para o aterramento gambiarras não funcionam, por isso não invente. Se o sue toca-discos não possui saída de aterramento não aconselho mexer no braço para puxar os fios de aterramento.

Não faça gambiarras, elas só irão piorar o ruído e
danificar o aparelho e as caixas.
Terras fora de fase
Dois aparelhos conectados à mesma rede de energia, um funcionando como fonte de sinal (tape-deck, pré-amplificador, equalizador, etc) e outro como amplificador final de potência, podem apresentar pequenas diferenças de potencial entre seus chassis ou caixas, da mesma forma que no caso anterior, mas por estarem com as fases diferentes de alimentação.
O que ocorre é que seus transformadores de força podem estar com as fases diferentes em relação à tensão de entrada o que afeta levemente a tensão do secundário em relação a fase.
Assim, entre os chassis ou caixas surge uma pequena tensão alternada na frequência de 60 Hz, resultante da defasagem da alimentação dos transformadores.

Origem e soluções
Uma maneira simples de se verificar se o problema é este é a seguinte:
  • ligue os aparelhos de modo que o ronco seja produzido.
  • inverta a tomada de força de um dos aparelhos, girando-a de 180 graus. Este simples procedimento pode ajudar na redução ou eliminação de roncos.
  • se o ronco desaparecer por completo, estará caracterizado o problema. Uma interligação adicional com fios grossos entre os chassi pode resolver de forma definitiva o problema.
Roncos internos
Existem também os roncos que são gerados por deficiências dos próprios circuitos ou ainda de casamento de características de aparelhos. Muitos amplificadores de montagem caseira também manifestam roncos, quer seja pelo mau dimensionamento da fonte quer seja por uma ligação indevida de seus cabos ou irradiação de componentes.
A conexão da fonte à placa ou entre as placas de um amplificador, assim como as linhas de alimentação devem ser curtas e grossas. Se possível, a entrada de alimentação deve ser desacoplada por meio de um capacitor. Fios curtos e grossos nas fontes ajudam a evitar roncos. Uma trilha curta, um fio fino e longo funcionam como antenas e podem captar roncos que vão modular os circuitos alimentados ou mesmo passar para as entradas de sinal, gerando os roncos. Uma blindagem de fios de alimentação não deve ser descartada nos circuitos muito sensíveis, como por exemplo os que possuam pré-amplificadores que operem com sinais de alguns microvolts na entrada.
Uma outra fonte de ronco é o próprio transformador de alimentação que irradia com grande intensidade sinais na frequência da rede de energia. De fato, o campo magnético em torno de um transformador de alimentação é suficientemente forte para poder gerar tensões nos circuitos de entrada, pois o campo magnético do transformador pode induzir roncos numa placa.

Origem e soluções
Um mau posicionamento do transformador dentro do equipamento pode causar sérios problemas de ronco.
Como descobrir se essa é a origem e o que fazer em caso positivo é o que veremos:
  • se colocando uma chapa de alumínio provisoriamente entre o transformador e a placa do amplificador o ronco diminui, a origem pode estar no campo magnético.
  • se aterrando por um momento o transformador, usando um fio o ronco diminui o problema está neste componente.
Este caso ocorre principalmente nos transformadores montados em placas cuja blindagem não esteja aterrada. As soluções são simples neste caso:
  • mudar de posição o transformador dentro da caixa, caso o amplificador seja um projeto caseiro. Na verdade, é bom experimentar antes de fazer a fixação deste componente.
  • aterrar a carcaça do transformador, se ele estiver montado em placa de circuito impresso, ligando-a ao terra do circuito ou ao chassi.
  • tentar afastar ou blindar os circuitos sensíveis de entrada do aparelho usando, por exemplo, compartimentos de alumínio ou cobre. Os transmissores, que são muito sensíveis a este problema devem ter suas fontes montadas em compartimentos para que sejam evitados roncos e a própria interferência de uma etapa em outra.

Volume e posicionamento
Duas outras origens comuns desse ruído são também o volume excessivo usado no amplificador e o posicionamento errado das caixas acústicas. Procure não exagerar no volume e verifique a potência suportada pelas caixas. Além disso, afaste as caixas acústicas dos demais aparelhos, principalmente do toca-discos, considerando sempre o tamanho do ambiente. Leia atentamente o tópico "Problema no ambiente e no suporte dos aparelhos".

Conclusão
O que vimos são apenas algumas das origens para os roncos que aparecem em equipamentos de som. Evidentemente, problemas de funcionamento dos próprios circuitos não foram considerados. Uma deficiência num capacitor de desacoplamento de fonte, um diodo com problemas numa fonte, um transformador que tenha fugas são apenas alguns exemplos de falhas que podem gerar roncos.
Além disso, existem aqueles que não têm origem na própria rede de energia e que não cabem ser analisados nesta parte.

4.3.4) Rumble
Se refere sempre a ações mecânicas, oriundas de realimentação acústica ou por vibrações geradas no próprio sistema de tração ou movimentação do prato, braço, suspensão etc.
O conjunto cápsula e agulha é estar suscetível também às vibrações geradas pelo motor do próprio toca-discos, principalmente os direct-drive. Além do próprio motor, a qualidade do material das peças que compõe o toca-disco também contribuem em muito para o aparecimento desse tipo de ruído. O pratos de plástico são o mais suscetíveis a vibração do motor e em alguns casos não tem muito o que fazer para acabar com essa vibração. Se você ainda não comprou seu toca-discos, prefira os que possuem pratos metálicos pesados e resistentes. Se você já comprou ou possui um toca-discos antigo, a seguir temos algumas possíveis soluções.

Soluções
1) Compre uma borracha com 2mm a 4mm de espessura.
2) Recorte no tamanho do prato.
3) Acomode a borracha no prato.
Esse procedimento pode resolver e/ou amenizar esse ruído, lembrando que o toca-discos da Technics são emborrachados em baixo do prato para evitar esse ruído. Você pode tentar também utilizar os feltros próprios para tocas-dico, mas lembre-se também de afastar as caixas acústicas.


4.3.5) Outras interferências
Ao contrário do que muitos podem pensar, a energia que chega até nossas casas pelos fios da rede de energia não é tão "limpa" como pode parecer à primeira vista.
Junto com os 60 Hz da "ondulação suave" da tensão da rede chegam picos de tensão denominados transientes, trens de pulsos e variações de maior duração, denominados surtos e até sinais de rádio gerados por aparelhos os mais diversos.
Os ruídos de maior frequência que chegam pela rede podem afetar o funcionamento de diversos tipos de aparelhos, principalmente os que operam recebendo sinais de rádio como receptores AM, receptores FM, televisores, video-cassetes e principalmente os sistemas de áudio a analógico.
No caso do toca-discos, esse ruído aparece na forma de barulho, um barulho que se assemelha muito ao próprio barulho do motor que o produz.
Pela rede chegam também sinais gerados por computadores, video-games, video-cassetes e outros aparelhos e captados por um televisor podem provocar ondulações da imagem e muitos outros problemas.
Outro grande problema são os sinais emitidos por aparelhos celulares e rede de internet wifi.

Soluções
Para o caso das interferências causadas pela rede de energia uma solução não muito barata, porém eficiente, é a utilização de um condicionador de tensão para energia elétrica exclusivo para seu som. Não pode ser utilizado para esse fim régua nem estabilizador ou nobreak.
Para o caso de posicionamento, procure manter os aparelhos e cabos do sistema de aúdio o mais afastados possível das fontes de interferência.

5) Estudo de Caso
Para finalizar, resolvi descrever os problemas com o áudio analógico e quais soluções eu adotei para melhorar a qualidade sonora. Depois de muita pesquisa e perguntas para alguns colecionadores e audiófilo, comecei a analisar as deficiências do meu sistema de áudio, os problemas que eu estava enfrentando e quais soluções mais viáveis e baratas poderia adotar para resolvê-las.
Meu sistema de áudio não é dos mais caros e perfeitos, mas comprei um toca-discos Stanton T92, ligado a um mixer Stanton M 202 (conexão PHONO) que funciona como o  pré-amplificador. O mixer está conectado na master a um micro-system Sony Genezi GTR 555 com subwoofer. A cápsula do TD é magnética modelo Stanton 500 v3 e agulha stanton 500.
O problema é que quanto eu mais aumentava o volume do mixer ou do som, principalmente o grave, fazia um som muito forte, tipo uma microfonia. Além disso, quando o toca-discos não estava ligado eu escutava um ruído chato.
Comecei a pesquisar sobre ressonância na web e o pessoal comentou sobre o problema de rumble e humming. Fiz alguns testes e constatei que não seria o rumble (problema de ordem mecânica) pois o barulho aparecia quando deixava agulha sobre o vinil sem executá-lo, isto é, sem o movimento do motor.
Verifiquei se não seria mal contato nos cabos RCA (antigos, não blindados) ou ainda nos cabos fonte, mas mesmo ligando em tomadas separadas o problema persistiu. Sempre liguei o toca-discos, mixer e som num filtro de linha. Pensei ser um problema de aterramento, mas esse modelo da Stanton possui aterramento interno e não tem saída para fazer o aterramento.
Depois de diversos testes e conversas com meu amigo Rafael Bardal do Clube do Vinil e Toca-Discos de Curitiba, constatei que meu problema era vibração acústica do meu subwoofer, mais conhecido como air-born ou vibração causada por ondas sonoras. Além disso, os cabos que eu usava eram de péssima qualidade e mesmo com o aterramento interno eu escutava o hum constante.

Soluções
1) Como eu não queria desligar o subwoofer, afastei o toca-discos do mixer, do som e das caixas acústicas. 2) Coloquei o mixer e o som entre as caixas formando o triângulo equilátero e o toca-disco ficou do lado esquerdo por causa do espaço do meu escritório. Infelizmente não consegui colocar os toca-discos e as caixas em móveis separados.
3) Coloquei o subwoofer no chão e abaixei o volume de 10db para 4db.
4) Mandei fazer cabos melhores, comprei dois cabos Sparflex com conectores Amphenol. Nessa troca, o problema do humming estava resolvido, mas o Air-born ainda persistia.
5) Mandei fazer um peça de granito do tamanho do meu toca-discos para tentar amenizar a vibração do móvel e comprei também uma borracha com 5mm de espessura para usar por baixo do granito (elastômetro).


6) Depois de mais alguns ajustes na equalização o problema de Air-born sumiu e agora posso aumentar o volume normalmente, sem o aparecimento do ruído.

6) Conclusão
Espero que esse artigo tenha ajudado os colecionadores a esclarecer suas dúvidas a respeito do sistema de áudio analógico, desde os componentes e nomenclaturas, passando pelo nivelamento e regulagem e concluindo com os problemas e soluções.
Se você ainda está com alguma dúvida entre em contato conosco pelo email <devoltaparaovinil@gmail.com>, tentaremos responder o mais breve possível.

Referências
www.facebook.com/groups/clubevinilcuritiba
www.clubehiend.com.br
www.xtreme-dj.com
www.somvintage.com
www.erpires.com.br
www.audiorama.com.br
www.clubedoaudio.com.br
www.enjoythemusic.com
www.noize.com.br
www.newtoncbraga.com.br
www.klickeducacao.com.br
www.if.ufrgs.br
www.kahlaudio.com

Se algum autor ou site não quiser que seu artigo seja apresentado no blog, por favor entre em contato conosco pelo email <devoltaparaovinil@gmail.com> que retiraremos o trecho sem problemas. Lembrando que o blog não possui fins lucrativos a ideia é apenas repassar conhecimento aos antigos e novos colecionadores.

16 comentários:

  1. Parabéns Diego!
    Que bela pesquisa e postagem!
    Infelizmente são poucos que reconhecem o esforço e trabalho árduo como feito por você neste tópico.
    Trabalho brilhante!
    Abraços

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  2. Para os meus amigo Audiófilos....................#ByOsvaldoLins

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  3. Muito bom.... e completa orientação ...parabéns......

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  4. Muito bom.... e completa orientação ...parabéns......

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  5. Orientação de primeira. Obrigado!

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  6. Olá tenho um problema e acredito que seja de áudio e não do motor ou borracha do Toca Discos 3x1 da panasonic. A voz do cantor sai perfeita, mas o instrumental sai com reverbação (robozinhos). Serão as caixas que estou usando?

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    1. Que bom que resolveu Rodrigo.
      Desculpa a demora, respondemos mais rápido pelo email ou pelo facebook.
      Estamos à disposição.

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  7. Excelente seu blog Diego. Parabéns!!!!

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  8. Que post excelente! Estava com o mesmo problema relatado, usava um TD Numark de plástico e muito leve(Nunca com não compre isto!!!) junto a um SUB ES-250P em uma sala viva. Desisti do vinil por conta do problema de "air-born". No meu caso nem a placa de granito junto aos elastômeros resolveram... Agora estou tratando a sala com placas de espuma além de "desalinhar" o teto. Também reposicionei o som de forma ao novo TD ficar menos exposto as ondas sonoras do SUB. Estou a procura de um TD menos sucessível a este problema e barato... acho que vou pegar um Gradiente DD-100Q.

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    1. Olá que bom que te ajudou.
      O problema de air-born pode ser confundido com os outros tipos, por isso é bom diferenciar.

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