Toca-discos

Índice
1) Introdução
2) Componentes de sistema de áudio analógico
3) Regulagem e nivelamento do toca discos
4) Problemas com áudio analógico e possíveis soluções
5) Estudo de Caso
6) Conclusão
7) Referências

1) Introdução
Vários leitores já me fizeram perguntas sobre regulagem e nivelamento de toca-discos e por isso, depois de muita pesquisa e levantamento de informações em sites e com alguns colecionadores do Clube do Vinil e Toca-Discos de Curitiba, resolvi fazer essa página dando dicas de como cuidar do seu toca discos para que ele funcione da melhor maneira possível.
Dessa forma, nessa parte do site, irei dar algumas dicas para você regular e nivelar seu toca-discos da maneira correta. Além disso, darei algumas dicas de como fazer as ligações do toca-discos, pré-amplificador, amplificador ou receiver e caixas de som e ainda citarei os problemas mais comuns com o áudio analógico e algumas possíveis soluções.
Lembro que os métodos são apenas sugestões, você pode conferir métodos diferentes em outros sites. Assim, a escolha por esses métodos seguem por sua responsabilidade. O blog não se responsabiliza por qualquer dano material ou físico ocasionado pela aplicação incorreta das instruções e procedimentos.
É importante salientar também que não sou audiófilo, nem engenheiro de som, por isso o que você vai encontrar aqui é um resumo do que eu encontrei na web e conversei com colecionadores e vendedores de vinil, além é claro, da minha própria experiência.
Esta página está em constante atualização, por isso se você tiver dúvidas ou sugestões, mande um email ou deixe um comentário.

2) Componentes de sistema de áudio analógico
O sistema de som analógico é formado por variedade de aparelhos e plataformas, por isso vamos tratar nesse página somente de um sistema simples de áudio analógico.
Os componentes de um sistema simples são:
  • toca-discos;
  • pré-amplificador;
  • equalizador;
  • amplificador ou receiver;
  • caixas;
  • cabos e conectores.
Iremos falar brevemente sobre cada componente, lembrando que em alguns sistemas os aparelhos podem fazer dois ou mais papéis.


2.1) Toca-discos
O toca-discos, radiola ou vitrola é um aparelho eletrônico consiste de uma base que acomoda o prato circular, que gira no sentido horário acionado por um motor elétrico, com um pino central onde se deposita ou encaixa o vinil. À direita do prato, existe um braço pivotante contendo, na extremidade, uma cápsula fonocaptora e agulha para se fazer a leitura dos micro-sulcos do vinil. Para se ouvir o disco, desde o início, a agulha é colocada na borda externa do vinil. As velocidades de rotação do prato podem ser de 16, 33 e 1/3, 45 ou 78 rpm, dependendo do modelo do toca-discos e do vinil que será tocado.
No auge do vinil vários fabricantes colocaram no mercado muitos modelos de toca-discos, alguns bem simples sem recursos e outros muito sofisticados, com variados recursos para audição de alta fidelidade, tais como ajuste fino da velocidade por meio de marcação estroboscópica, braços precisos, leves, com vários ajustes e equipados com cápsulas de excelente qualidade.

Um item muito importante do toca-discos é a cápsula fonocaptora e a agulha. Os toca-discos mais simples possuem cápsulas de pouco desempenho, enquanto que os toca-discos de alta fidelidade possuem cápsulas com excelente desempenho e com resposta de frequência superior, fazendo uso de agulhas elípticas que melhor se ajustam aos sulcos do vinil, permitindo uma leitura mais precisa e resultando em reprodução sonora superior.


2.1.1) Base do toca-discos
A função da base do toca-discos é servir de sustentação para os demais elementos. Geralmente possui uma tampa acrílica basculante para proteção contra poeira e pés anti-ressonantes (mais adiante trataremos das vibrações externas). A base geralmente é fabricada em madeira revestida ou pintada, mas utilizam-se diversos materiais, tais como plástico, vidro e acrílico. Ela deve ser perfeitamente plana e nivelada, para não afetar a correta leitura do disco (veremos também algo sobre nivelamento do toca-discos).
O tipo de montagem da base pode ser inteiriça ou sobre uma segunda base chamada de plinth, que a separa da primeira. Essa separação algumas vezes é feita através de molas que têm a função de absorver vibrações que podem ser transmitidas à base de sustentação para evitar um efeito conhecido como realimentação acústica. Os toca-discos profissionais utilizados por audiófilos possuem bases maciças além de um suporte com suspensão a vácuo, para deixar o som ainda mais perfeito, mas não entraremos nesse mérito, afinal estamos falando de um sistema simples de som.

2.1.2) Prato e motor
O prato tem a função de acomodar e girar o disco de vinil no sentido horário e na rotação em que foi gravado, para que o conjunto braço/cápsula/agulha possa trilhá-lo e ler as informações sonoras nele armazenadas. Aparentemente é algo simples de ser feito, mas o tipo de tração utilizado é muito importante para que a rotação seja correta e constante, além do que esse mecanismo deve ser o mais silencioso possível, pois a cápsula capta não só as vibrações dos sulcos do vinil, como também as vibrações do conjunto prato e motor.

Tipos de tração
Existem três sistemas de tração que fazem o prato girar: por polia, correia ou acionamento direto.

Polia (Idler-wheel)
O sistema de polia consiste basicamente de uma polia de borracha ligada ao eixo do motor, que em contato com o prato o faz girar. É um sistema barato mas que pode ocasionar ruídos perceptíveis na audição (rumble). Desse modo é muito utilizado em toca discos mais simples e baratos ou nos mais antigos. No entanto, há aparelhos cuja construção reduz muito esse ruído, como os Garrard 401, muito usados profissionalmente a partir do final da década de 1960. Atualmente um aparelho de referência que usa esse sistema é o Garrard 501.


Correia (Belt-drive)
Utiliza uma correia de borracha que abraça o eixo do motor e o prato. É um sistema normalmente muito silencioso, preferido por muitos audiófilos em toca-discos High End, especialmente pelo fato de este sistema de tração transmitir menos emissões eletromagnéticas que possam ser captadas pela cápsula fonocaptora.


Tração Direta (Direct-drive)
Nesse caso o próprio eixo do motor é o eixo do prato. É considerado o melhor de todos pelos DJs, devido ao alto torque que esse sistema proporciona, porém é o mais caro e o mais difícil de ser construído, pois utiliza motor mais elaborado e circuitos eletrônicos para regular a rotação do prato. Algumas cápsulas fonocaptoras podem eventualmente captar algum ruído (conhecido como "hum", normalmente de 50Hz ou 60Hz) proveniente das emissões eletromagnéticas desse sistema.


2.1.4) Estroboscópio
O sistema estroboscópico é um indicador por meio do qual o prato, na correta rotação, é mostrado aparentemente estacionário, quando iluminado por uma luz em certa frequência, 50 ou 60 hertz. Isso é possível através de uma faixa de pontos ou marcações em torno de suas bordas ou sobre os mesmos, iluminada por uma lâmpada néon ou um led que emite luz através de pulsos controlados por um circuito especial. Quando a velocidade do prato estiver ajustada corretamente em 33 e 1/3, por exemplo, os pontos parecem estacionados.
Este dispositivo tem função técnica pois auxilia na calibragem da velocidade do prato em relação ao controle de velocidade “Pitch Control” em três diferentes velocidades, através do uso do Pitch Control (controle de velocidade) e da padronagem de pequenos círculos / bolinhas (pattern). Além disso, ajuda também o DJ a saber se o prato está girando ou não – algo  às vezes difícil de notar. Ao girar o prato, a padronagem de pequenos círculos prata em 4 linhas em sua lateral gera a impressão de que está se movimentado, devido ao estroboscópio. Para entender, com o prato girando / motor ligado, utilizando o controle de velocidade, diminua a rotação do prato até a primeira linha de cima para baixo aparentar estar parada. Quando isso ocorrer o prato estará girando 6% mais rápido; no caso da segunda linha 3.3% mais rápido; na terceira linha com as bolinhas maiores, estarão girando na velocidade exata definida em um dos botões de seleção da rpm, ou seja,  33 ou 45 giros / rotações por minuto, e por fim, na última linha, 3.3% mais lenta.


2.1.5) Braço
A função do braço é servir de suporte para que a cápsula fonocaptora e sua agulha trilhem os micro-sulcos do disco. No braço dos toca-discos ficam, entre outros, o sistema de lift, os ajustes de anti-skating, contra-peso da agulha e o braço (headshell) e a cáspula (shell), que serve de suporte e ajuste para a agulha. O braço também é muito importante, pois ajuda a conduzir corretamente a cápsula em seu trajeto pelo sulco. Existem braços automáticos que descem automaticamente no início dos discos e voltam a sua posição de repouso ao término do mesmo. Braços manuais devem ser inseridos e retirados manualmente do disco.


Tipos de braços
Braço equilibrado dinamicamente: tipo de braço onde as massas são equilibradas com uma força de rastreio aplicada por uma mola.
Braço equilibrado estaticamente: as massas são inicialmente equilibradas, para o posterior reequilíbrio, com um peso determinado, por meio de uma massa concêntrica ao braço.
Braço tangencial (radial tonearm): este tipo de braço trilha o disco de vinil tangencialmente, para que não haja erro de rastreio.

Sistemas de regulagens dos braços
Sistema de lift é uma alavanca com sistema de amortecimento viscoso que permite subir e abaixar o braço suavemente no disco, evitando danos ao disco e agulha.


2.1.6) Cápsula fonocaptora (Shell) e agulha
A cápsula fonocaptora ou fonográfica e sua agulha, instalada na ponta do braço do toca-discos, tem a função de extrair as informações sonoras gravadas nos discos de vinil. Trata-se de um transdutor eletromecânico miniatura que converte a energia mecânica (produzida pela fricção da agulha percorrendo os micro-sulcos sinuosos impressos na superfície dos discos de vinil) em energia elétrica que depois é amplificada e finalmente convertida em energia sonora pelos alto-falantes (transdutor eletroacústico) das caixas acústicas. Os toca-discos mais simples possuem cápsulas de pouco desempenho, enquanto que os toca-discos de alta fidelidade possuem cápsulas com excelente desempenho e com resposta de frequência superior, fazendo uso de agulhas que melhor se ajustam aos sulcos do vinil, permitindo uma leitura mais precisa e resultando em reprodução sonora superior. A qualidade da informação que produz é fator determinante para que os outros aparelhos de som reproduzam da melhor forma possível o som gravado no LP.


Tipos de cápsulas
Cápsula cerâmica: modelo mais simples de cápsula, onde a captação de cada canal é realizada por uma pequena lâmina piezoelétrica (cerâmica). Geralmente tem uma faixa de frequência de resposta mais limitada (100 Hz - 10 kHz). Oferece tensão de saída relativamente alta, entre 100 mV e 250 mV ou até mais.
Cápsula magnética ou de relutância variável (induced magnet): o ímã e a bobina são fixos num suporte. As vibrações são transmitidas a uma pequena lâmina que, ao vibrar, corta as linhas do campo magnético do ímã variando a indução sobre a bobina, acarretando a circulação de uma corrente e o sinal de áudio. A tensão de saída dessas cápsulas geralmente fica entre 2,5mV e 7mV.
Cápsula magnetodinâmica (moving magnet): o ímã é móvel e a bobina é fixa. Os movimentos, a partir das vibrações captadas pela agulha ao percorrer o micro-sulco do vinil, são transmitidas ao ímã, que movimentando-se, faz variar a indução de seu campo magnético sobre a bobina, criando uma corrente elétrica através desta e originando o sinal de áudio. Fornece tensão de saída similar às de Relutância Variável, ou seja, entre 2,5mV e 7mV.
Cápsula Dinâmica (moving coil): O ímã é fixo e a bobina é móvel. A bobina, movimentando-se dentro do campo magnético do imã, provoca a circulação de uma corrente elétrica através da bobina, originando o sinal de áudio. Aqui a tensão de saída fica entre 0,4mV e 2mV. Há cápsulas do tipo MC chamadas de “high output” ou “high energy”, em que a tensão de saída é algo entre 1,5mV e 2,5mV, mas além de raras são relativamente pesadas já que esse acréscimo na tensão de saída é obtido através do aumento do tamanho das bobinas.
As três últimas cápsulas, magnéticas, reproduzem muito bem frequências entre 20Hz e 20.000Hz, e há as que chegam a reproduzir com qualidade as frequências entre 5Hz e 50.000Hz.

2.1.7) Agulha
As agulhas dos toca-discos são feitas de um material bem duro, como a safira ou diamante e recebem um tratamento para que sua superfície fique extremamente lisa. No caso de discos estéreo, as laterais da agulha apóiam-se nas laterais do sulco. Quando a agulha fica gasta, ela adquire faces pontiagudas que destroem facilmente os sulcos do disco e precisam ser substituídas.
Além de lisa, a agulha é muito leve e pequena. Ela é montada no cantilever, uma pequena e leve haste metálica presa a um suporte de borracha bem macia. Esse mecanismo permite que a agulha percorra a trilha do sulco sem danificá-lo.


Tipos de agulhas
Agulha cônica ou esférica (conical, spherical): agulha fonocaptora de secção transversal circular.
Agulha elíptica ou bi-radial: de seção transversal semelhante a uma elipse, que emprega dois raios de circunferência diferentes.
Existem ainda vários outros tipos de agulhas especiais, feitas com o objetivo de enfatizar certas características de captação das paredes dos sulcos dos discos, como as agulhas line-contact, stereohedron ou shibata.
Agulhas para discos estéreo são mais finas do que agulhas para discos mono, não sendo portanto recomendadas para discos mono sob pena de desgaste prematuro da mesma.
Agulhas para discos mono, por sua vez, podem não trilhar corretamente discos estéreo, podendo inclusive danificá-los.


2.1.8) Controle de velocidade (Pitch Control)
A função deste controle é permitir que os DJs sincronizem duas músicas relativamente próximas, quanto a velocidade. Nos toca-discos o “pitch” control acelera / desacelera a rotação do motor, o que faz a música tocar mais rápida ou mais devagar. O controle de velocidade permite ao DJ sincronizar duas músicas que tenham velocidades próximas, mas não iguais.

2.2) Pré-amplificador
Um pré-amplificador (pré-amp) ou amplificador de controle, é um amplificador eletrônico que prepara um sinal eletrônico para uma posterior amplificação ou processamento. O circuito do pré-amplificador pode ou não ser alojado separadamente do dispositivo para o qual um sinal está sendo preparado.
Em geral, a função de um pré-amplificador é amplificar um sinal de baixo nível para um sinal de nível de linha. Uma lista de fontes de sinal de baixo nível comuns incluiriam um captador, microfone, toca-discos ou outros transdutores. A equalização e o controle de tom também pode ser aplicado.
Em um sistema de áudio simples, o termo 'pré-amplificador' às vezes pode ser usado para descrever o equipamento que se limita a comutar entre fontes de nível de linha diferentes e aplicar um controle de volume, de modo que nenhuma amplificação real possa ser envolvida. Em um sistema de áudio, o segundo amplificador normalmente é um amplificador de potência (power amp). O pré-amplificador fornece ganho de tensão (por exemplo, de 10 milivolts à 1 volt) mas não ganho significante de corrente. O amplificador de potência fornece a maior corrente necessária para alimentar os autofalantes.
Muitos equipamentos de som mais recentes não possuem a conexão específica para toca-discos de vinil com cápsula magnética (entrada phono).Se você quer ligar um toca-discos ao seu aparelho de som mais recente notará que este não possui a entrada phono. Dessa forma, você terá que conectar o toca-discos a um "pré-amplificador de phono" antes de ligá-lo à entrada auxilixar do seu receiver, home-theater, amplificador, mini-system ou a placa de som do computador.
Encontramos a venda 3 modelos de Pré-Amplificadores para toca-discos, com preços variando entre R$ 85,00 e R$ 120,00 - todos os aparelhos são de fabricação nacional. São eles: "E. R. Pires", "Belltech" e "WLM". Obviamente existem outros modelos com qualidade melhor, mas os preços não muito convidativos e, para o sistema simples, não há necessidade de ser algo tão caro.


2.2.1) Pré amplificador dedicado
Aparelho que faz a conversão do sinal a analógico para o sinal de linha e é usado para ligar o toca-discos com saída phono em amplificador de potência com entrada line.
O termo "dedicado" é usado para designar um aparelho que realiza um função específica e isolada bem como usa uma fonte de energia separada.

2.2.1) Tipo de pré-amplificadores
  • incorporado na caixa ou chassis do amplificador que eles alimentam;
  • em uma caixa separada;
  • montado dentro ou próximo da fonte de sinal, como um microfone, um toca-discos ou um instrumento musical.
2.3) Equalizador
Equalizador é um aparelho de som empregado para se fazer a equalização paramétrica, isto é, alterar parâmetros que por sua vez alteram a curva de resposta em frequência em kHz (quilohertz) do sinal de áudio. Quanto menor a frequência em Hertz mais grave será som e, quanto maior a frequência, mais agudo. Um equalizador possui diversas faixas de equalização, isto é, controles de intensidade (amplitude) do sinal para as diversas frequências que o aparelho comportar. Normalmente os aparelhos possuem 10 faixas (uma faixa para cada oitava) ou 30 faixas (uma para cada terço de oitava). É um item muito importante dos aparelhos de som, pois sem ele não se pode corrigir certas falhas da frequência principalmente referentes aos graves e agudos.
Em aparelhos de som comuns, é utilizado para equalizar o som de acordo com a preferência do ouvinte no momento da execução. Neste caso, geralmente apresenta algumas predefinições para cada estilo musical como rock, pop, hall, música clássica, etc.


2.3.1) Frequências
Num equalizador de 10 faixas temos por canal:
Faixa de 16kHz: Agudos super delicados.
Faixa de 8 kHz: Agudos comuns.
Faixa de 4 kHz: Os agudos estridentes "ardidos".
Faixa de 2 kHz: Médios.
Faixa de 1 kHz: Médios.
Faixa de 500Hz: Médio-graves. (Mais "ocos").
Faixa de 250Hz: Médio-graves. (Menos "ocos").
Faixa de 125Hz: Graves normais.
Faixa de 64Hz: Sub graves.
Faixa de 32Hz: Extremos sub graves.

2.3.2) Factor Q
A equalização ocorre como um aumento ou diminuição da amplitude de um sinal em uma dada frequência. No entanto, as frequências vizinhas também são aumentadas ou diminuídas em menor intensidade para que não haja uma transição brusca entre o sinal não equalizado e a frequência alterada. À largura da distribuição nas frequências vizinhas é chamado de factor Q, ou factor de qualidade. Amplificadores que possuam tal controle permitem que se regule se a alteração será agressiva (Q alto, pouca distribuição nas frequências vizinhas, criando um pico ou vale acentuado na resposta em frequência) ou se será suave (Q baixo, alta distribuição nas frequências vizinhas, cria um pico ou vale diluído na resposta em frequência).

2.4) Amplificadores de potência ou integrados
Receptores de áudio ou de vídeo-receptores são um dos muitos componentes da eletrônica de consumo tipicamente encontrados dentro de um sistema comum de áudio analógico. O seu principal objetivo é o de amplificar um som de uma das múltiplas fontes de áudio. O receptor inicialmente previsto inclui um sintonizador e um amplificador de potência (em alguns aparelhos o pré-amplificador já está embutido do receiver).
Existem vários padrões para a classificação e potência de saída de receptores. Diferentes países têm diferentes regras sobre a forma como os fabricantes especificam as saídas.

2.4.1) Amplificador de potência dedicado
O amplificador de potência ou power amplifier é o aparelho que recebe o sinal de linha e transmite para as caixas acústicas.
No caso dos toca-discos, para usar um amplificador de potência dedicado o sistema deve possuir necessariamente um pré-amplificador dedicado.
Muitos chamam de "amplificador" o aparelho que na verdade possui também a pré-amplificação, esse tipo de aparelho chamamos de integrado.

2.4.2) Integrado
Chama-se integrado o aparelho possui o pré-amplificador e o amplificador integrados no mesmo aparelho.

2.4.3) Receiver
Receiver é o aparelho que, além da pré amplificação e da amplificação, possui um tuner (rádio). Por sua vez os receivers são divididos em dois tipos: os receivers estéreo e os multicanais (home-theaters).


2.5) Caixas acústicas
Caixa acústica ou caixa de som é uma caixa construída em volta de um alto-falante para melhorar sua reprodução sonora. Geralmente a caixa é construída em madeira ou plástico com uma abertura para se instalar o(s) alto-falante(s).
A finalidade desse aparato é impedir que se misturem as ondas sonoras dianteiras e traseiras emitidas pelos alto-falantes, o que causa interferência destrutiva e anula o som. No entanto, também são usadas para melhorar a acústica da reprodução sonora tanto em resposta em freqüência quanto em tempo de resposta.
As caixas acústicas normalmente possuem mais de um alto-falante no intuito de cobrir melhor todas as faixas de freqüências audíveis (em torno de 20 Hz a 20kHz para seres humanos). As unidades pequenas são chamadas de tweeters e são responsáveis pelos sons agudos, as unidades de média freqüência são chamadas de mid-ranges e as de freqüências graves de woofer.
Para otimizar o funcionamento de cada tipo de alto-falante, o sinal que chega à caixa passa por um circuito divisor de freqüências (crossover), uma espécie de filtro eletrônico que distribui o espectro sonoro adequadamente entre as diversas unidades. Assim, após esse filtro somente os agudos são passados para os tweeters, os médios para os mid-ranges e somente os graves para os subwoofers.
Para audição em aparelhos de som de alta fidelidade são usadas caixas acústicas aos pares para obter o efeito da estereofonia. Em cinemas e home-theaters são usados múltiplas caixas acústicas para obter o efeito de surround.


Tipos de aparelhos
Existem vários tipos de caixas acústicas e no seu projeto são usados os parâmetros T/S dos alto-falantes.

Selada
As caixas acústicas seladas, ou suspensão acústica, são caracterizadas pelo completo isolamento da massa de ar traseira do falante em relação à da dianteira. Como o ar dentro da caixa é comprimido e expandido conforme a movimentação do cone do alto-falante, a pressão interna tem efeito similar a uma mola, expelindo o cone quando ele entra e puxando o cone quando ele sai. Esta é uma caixa relativamente fácil de ser projetada, sendo sua única variável o volume interno de ar livre.
No entanto, a suspensão (ou mola) acústica é bastante menos linear que a mecânica. Por isso é aconselhável projetar o alto-falante e a caixa de forma que a força de restituição predominante seja a mecânica.
Acusticamente, ela é caracterizada por tempos de resposta rápidos, isto é, a variação do tempo de resposta do alto-falante varia pouco em função da freqüência, ficando geralmente abaixo de 10ms. Assim, ela é responsável por graves rápidos e precisos, percebido em tambores e bumbos rápidos. Porém, sua desvantagem é a extensão dos graves, isto é, a resposta em freqüência cai relativamente bastante conforme se entra na região dos sub-graves (<50 Hz). A resposta do alto-falante numa caixa deste tipo está 180 graus fora de fase acima da ressonância com a resposta abaixo da ressonância.
No entanto, abaixo da ressonância o nível sonoro é tão baixo que existe pouco efeito audível, daí que neste tipo de caixa só se considera a resposta dum driver acima da ressonância. Quanto maior for a força do ímã mais rapidamente se dá esta mudança de fase, daí que ímãs mais fortes representam melhores transientes mas pior extensão do grave.

Dutada (com pórtico)
Também chamada de refletora de graves, esta caixa também é selada em toda sua extensão com exceção de um duto. Este duto, ou pórtico, é nada mais que um tubo de diâmetro e comprimento projetados para ressonar em uma freqüência desejada. É um projeto mais complexo por envolver estas variáveis a mais além do volume da caixa, e necessita de um estudo de compromisso entre resposta em freqüência e tempo de pergunta.
Um fator prático a ser considerado é a velocidade do ar no duto, que se for muito alta pode "soprar" e causar ruídos indesejados. Este tipo de caixa tem grande versatilidade pois pode ter seu comportamento drasticamente alterado por uma simples alteração do comprimento do duto.
Acusticamente, ela tem um reforço de amplitude na região de ressonância do duto de 3dB, e pode ser projetada para que fique plana e capaz de responder com força na região dos sub-graves. Porém, sua desvantagem está no alto tempo de resposta e a sua variação em freqüência, podendo ficar com valores de até 20-30ms de diferença entre 20 Hz e 80 Hz. Isso significa que uma batida de um tambor pode ter o impacto inicial no tempo da música, e o sub-grave demorar para responder, ficando um som embolado e atrasado. Se bem projetada, a caixa oferece um compromisso adequado em tempo de resposta, resposta em freqüência e um grave forte e contínuo.

Passa Banda
Caixas passa banda ou band-pass são caracterizadas por reproduzir somente uma faixa de freqüência. Seu projeto é muito complicado e difícil de acertar, e seu comportamento se assemelha a de uma dutada. Dependendo da configuração de dutos, são chamadas de 4ª ou 6ª ordem. Em som automotivo é ideal para aplicação em sedãs e camionetes .



Linha de Transmissão
É uma caixa diferente das anteriores. Ela pouco se parece com uma caixa pois na verdade não é selada nem tem dutos, mas sim se assemelha a um grande corredor na traseira do alto-falante, cuja área é equivalente à do cone, aberto na outra extremidade. Possui um projeto refinado e alia o baixo tempo de resposta de uma caixa selada com a extensão de resposta de uma caixa dutada. Entretanto, seu uso é restrito devido a suas grandes dimensões.









2.6) Cabos
Conexões de áudio analógico normalmente usam pares de cabos RCA estéreo. Os cabos são peças de extrema importância para a qualidade do som, afinal eles são a conexão entre todos os componentes do sistema de som. Assim, não adianta você ter um bom toca-discos, pré-amplificador, receivers e caixas se você não utilizar cabos de boa qualidade. Como os aparelhos, exitem cabos para todos os gostos e bolsos e existe uma infinidade de marcas e modelos.


2.7) Conectores
Tão importantes como os cabos, os conectores também são responsáveis pela resposta entre os aparelhos do sistema, ou seja, os conectores também devem ser de boa qualidade para o sistema não fique comprometido. Prefira sempre os conectores banhados a ouro e jamais compre cabos comuns esperando uma boa qualidade do som. Cabos de boa qualidade evitam as interferências externas que veremos mais adiante.

2.8) Cabo de aterramento
Os equipamentos que trabalham com sinais de áudio e que possuem grande sensibilidade estão sujeitos a captação de ruídos ou roncos de 60 Hz provenientes da rede de energia. Estes ruídos se manifestam na forma de um ronco que consiste num incômodo para quem monta um amplificador, ou qualquer aparelho que trabalhe com sinais de áudio. Os roncos também aparecem nas instalações de um sistema de som, quando diversos aparelhos como amplificadores, toca-fitas e equalizadores são interligados. O origem desses roncos desagradáveis e como eliminá-los é o assunto trataremos mais adiante.
Os cabos aterramento tem por função eliminar a captação e ruídos ou roncos de 60 Hz provenientes da rede de energia pois ela funciona como uma antena que irradia um sinal numa frequência muito baixa: 60 Hz. De fato, 60 Hz é a frequência da corrente alternada da rede de energia cuja finalidade é alimentar os nossos aparelhos elétricos e eletrônicos.



2.9) Como conectar o sistema de áudio analógico
Existem diversas forma de ligar um sistema de áudio analógico, com os mais diversos tipos de aparelhos e para algumas determinadas funções.
Veja os layouts mais comuns em Toca-discos 06 | Como conectar um toca-discos a um sistema de áudio.

Lembrando que quase todo o sistema deve ser conectado via cabo RCA e cabo de aterramento, até o aparelho que já possui aterramento. Alguns toca-discos já são aterrados internamente e outros não possuem aterramento. Verifique bem o tipo do seu aparelho e não se esqueça de usar também o pré-amplificador para conectar seu toca-discos (Phono) no seu sistema de som.

3) Regulagem e nivelamento do toca discos
Uma cápsula fonográfica está desenhada para seguir os sulcos do vinil e converter suas irregularidades em impulsos elétricos que serão amplificados para serem ouvidos. Para isso, a agulha está projetada para trabalhar em determinadas configurações mecânicas e geométricas que permitirão detectar oscilações da superfície dos sulcos de milionésimos de milímetro. Estas condições de trabalho poderão ser otimizadas até limites determinados somente pela sua necessidade de ouvir cada detalhe que possa ser tirado do vinil ou pela sua obsessão pessoal. Em geral, é como o preço dos componentes de high-end: os maiores benefícios são obtidos nos níveis básicos. Cada passo adicional melhora ainda mais, porém a um preço (ou tempo necessário) cada vez mais desproporcionalmente alto. Estão aqui descritos os procedimentos básicos - porém suficientes – para obter grande parte da beleza estética musical que pode ser obtida de um cápsula fonográfica curioseando os enigmáticos segredos da superfície de um vinil.
As explicações que seguem são de nível intermediário e destinadas a quem está se iniciando na audição de vinis ou para quem quer melhorar a sua instalação e são aplicáveis a toca-discos com braços pivotados.
É bom lembrar que o objetivo de um toca-discos e de uma cápsula é extrair dos sulcos a informação neles contida, sem nenhuma mudança. Para isso, devemos zelar por instalar a cápsula de acordo às especificações do fabricante e evitar - no caminho - fontes de ressonâncias ou realimentação acústica. Porque, dito em outros termos, o que os sulcos querem que a agulha faça, é diferente do que a agulha e o resto do toca-discos estão inclinados a fazer. Devemos entender a importância de cada ajuste e, para isso, damos algumas informações sobre o funcionamento que fundamentam cada passo. Para realizar alguns dos testes auditivos mencionados mais adiante não se esqueça de verificar se a agulha está perfeitamente limpa. As agulhas, que costumam ser as primeiras e únicas vítimas, são delicadas e caras, por isso cuide muito bem delas. Evite em quaisquer circunstâncias, exercer forca rotacional ou de outro tipo sobre qualquer parte do braço. Os seus rolamentos são sensíveis e não previstos para tolerar grandes esforços. A mesma precaução deve ser tomada com a cápsula e com os cabos e conectores.

3.1) Termos e abreviaturas
Prato: parte giratória do toca-discos onde se apóia o disco.
Braço: braço do toca-discos.
Cápsula: instalada na ponta do braço do toca-discos, tem a função de extrair as informações sonoras gravadas nos discos de vinil.
Eixo do braço: centro da articulação do braço.
Eixo do disco: centro do pino no centro do prato onde encaixa o vinil.
Cantilever: suporte que fixa a agulha na cápsula.
VTA: ângulo no plano vertical do cantilever com a superfície do disco).
SRA: ângulo no plano vertical da agulha (medido com a perpendicular ao plano do disco no ponto de apoio)
Azimuth: ângulo da agulha com a superfície do disco, no plano vertical frontal (perpendicular ao braço).
Zenith: ângulo do traçado da agulha no seu percurso com a tangente aos sulcos do disco, no plano horizontal.
PAA: peso de apoio da agulha sobre o disco.
Anti-skating: mecanismo de compensação da tendência do braço a deslizar internamente.

3.2) Checagem mecânica
Uma checagem mecânica geral do sistema base / motor / prato do toca-discos é essencial para garantir uma rotação constante e silenciosa. Um motor barulhento transfere o ruído em forma de vibrações tanto para a base quanto para o prato e, conseqüentemente durante a audição, para o conjunto cápsula / agulha. A lubrificação do motor é algo simples, mas que deve ser feito com o tipo de lubrificante indicado pelo fabricante do toca-discos. A mesma coisa deve ser seguida em relação ao eixo central do prato, que deve girar livremente e com baixíssima fricção. No caso do toca-discos ser tipo belt-drive (com acionamento por correia) ou por polia de borracha, a mesma deve estar limpa e desengordurada e não pode estar folgada. Uma correia folgada ou cuja borracha esteja ressecada e rachada pode estar patinando e, portanto, trazendo oscilações de velocidade. Uma boa reprodução sonora depende da velocidade estar o mais estável possível.


3.3) Manuais e ferramentas
Se você é dos que não gostam de ler manuais, deverá saber, pelo menos, o peso correto de apoio da agulha–PAA especificado pelo fabricante para a sua cápsula. Deixaremos à mão uma lupa, uma pequena chave de fenda (preferentemente do tipo de joalheiro, que impedem ajustes demasiados firmes), uma pinça ou alicate muito delicado, uma balança para peso de apoio (PAA), um dispositivo para alinhar tangencialidade (zenit) da cápsula (protractor ou similar), uma cunha adequada para travar o movimento do prato do toca-discos e um pequeno espelho. Também precisaremos um disco vinil velho ou que não seja mais tocado, plano e de espessura normal (digamos, a mais comum).

3.4) Organizando o local
Procure ter uma área limpa e livre para colocar ferramentas e acessórios, sem se sentir tentado a colocá-los sobre a bandeja do toca-discos, isso é evita quebrar acidentalmente a agulha numa rotação inadvertida da bandeja. Estenda um lenço limpo em algum lugar plano para esse uso. Tenha à mão uma boa luz geral e uma lanterna ou luz menor para iluminar adequadamente as distintas etapas do trabalho de instalação e ajuste. Tenha suficiente espaço ao lado do toca-discos para poder observar a partir de distintos ângulos (especialmente a partir de cima, da frente do braço e do seu lado externo). Mantenha papel e lápis em local ao alcance das mãos para suas anotações (código de cores dos conectores, por exemplo). Desligue o sistema de som e mantenha cápsula com o protetor de agulha colocado.

3.5) Nivelando o toca-discos
Antes de qualquer coisa, seu toca-discos deve estar em cima de uma superfície firme o mais próximo da configuração indicada anteriormente. Se o móvel que você acomoda o o toca-discos estiver desnivelado será preciso calçá-lo ou se o piso for muito irregular, mudá-lo de lugar.


Depois de devidamente acomodado é preciso verificar se o próprio toca-discos está nivelado. Se o braço tiver controles de peso da agulha e/ou anti-skating, os deixaremos na posição neutra (zero grama). Se a agulha for removível extraímos-la com todo cuidado e procuramos um lugar absolutamente protegido para guardá-la. O ideal é um suporte específico, quando houver ou uma caixa pequena com tampa transparente e se isso puder ser feito com o protetor colocado, melhor.
Alguns aparelhos possuem regulagem de altura nos pés ou no sistema de suspensão. Para saber se o aparelho no nível correto, basta usar um nivelador. Já existem aplicativos para smartphones que simulam essa ferramenta, como mostrado abaixo.


Coloque o nivelador sobre a superfície do toca-discos e ajuste pés de suporte até o nivelador ficar no ponto nulo. Se o seu toca-discos não possui pés ajustáveis, você terá que arrumar a superfície que o toca-discos foi instalada. Por último, não esqueça de verificar também o nível prato pois as vezes ele não foi bem encaixado.


3.6) Conectando e fixando a cápsula
Mexer ou desconectar a cápsula é um processo muito delicado e exige bastante precisão, por isso se você preferir procure uma ajuda profissional.
Identificaremos na parede posterior da cápsula as cores dos pinos de conexão. Na maioria da cápsulas), as cores serão: branco para canal esquerdo vivo, azul para canal esquerdo terra, vermelho para canal direito vivo, verde para canal direito terra. Verificamos a existência no extremo do braço dos quatro cabinhos (geralmente também coloridos) com os devidos terminais para conexão com os pinos da cápsula. Se os fios estiverem danificados, ou forem muito velhos, é prudente substituí-los. Existem cabinhos prontos de excelentes marcas. Pode ser útil fazer um desenho da localização de cada pino para facilitar a conexão.
Existem agora dois caminhos a escolher: fixar a cápsula e depois fazer as conexões ou fazer as conexões e fixar a cápsula depois.
No caso de optar por fixar as conexões primeiro (seqüência melhor no caso de agulhas destacáveis), segure a cápsula sem agulha numa mão e com a ajuda do alicate fixe um a um os clips de conexão, começando pelos mais afastados de você para manter melhor visibilidade. O encaixe dos conectores não deve ser muito justo nem muito frouxo. Se observarmos que os conectores ficam muito soltos, deveremos fechá-los com cuidado. Inserimos a ponta de um palito de dentes dentro do conector e suavemente, este é o momento mais fácil desprender acidentalmente os terminais dos cabinhos, o que significa um problema adicional se você não tiver bons e delicados elementos de solda ou cabinhos de reserva. Depois aperte com o alicate perto da ponta do clip, até sentir que ele está se fechando. O palito evitará colapsar desastrosamente o terminal. Retire o palito e verifique o ajuste no pino da cápsula até que seja o correto. Então, com cuidado, apertamos o resto do clip. Verificar o ajuste de todos os clips antes de começar a conectá-los, já que depois estará mantendo a cápsula na outra mão e seria muito fácil deixa-lo cair ou arrancar um clip.
Depois de colocados os quatro clips e tendo muito cuidado para não causar tração sobre os cabinhos, está na hora de fixar a cápsula na cabeça do braço, o que faremos colocando os parafusos de comprimento adequado de cima para baixo (o inverso é mais fácil e alguns assim o preferem, mas pode haver outros problemas e não é a melhor solução estética). Costuma ser, com algumas cápsulas, um momento chato. O espaço para acertar as porcas nos parafusos é exíguo demais. Ajuda, às vezes, apoiar primeiro a porca mantida com um dedo por baixo, depois alinhar os orifícios da cápsula, da cabeça e da porca com um palito para, por último, introduzir o parafuso e girá-lo com a chave de fenda apropriada (melhor o tipo de "joalheiro"), até sentir que encaixa na rosca da porca. Tudo isto sem soltar o dedo que pressiona a porca desde baixo.O fato de termos retirado a agulha facilita enormemente e diminui o risco - que neste momento é maior, de quebrar o suporte da agulha com a extremidade do dedo. Ajuste os parafusos apenas o suficiente para deixar a cápsula fixa no meio dos trilhos.

3.7) Overhang
Denomina-se overhang a distância entre o ponto de apoio da agulha e o eixo do disco. Essa medida é diferente para cada braço, pois depende da sua geometria e comprimento. Como o comprimento do braço não é infinito, a agulha irá, quando apoiada no disco em movimento, descrever um arco sobre o disco (em vez de uma linha reta), formando diferentes ângulos com os sulcos. Se o overhang estiver errado, esses ângulos tomarão valores muito errados, causando distorção. Quando a cabeça do braço tem ranhuras longitudinais para os parafusos de fixação que permitem deslizar a cápsula ao longo da cabeça durante o ajuste, poderemos corrigir diferenças não muito grandes de overhang, pois o efeito é o mesmo que variar o comprimento do braço (geometricamente não é exatamente assim, porém serve para pequenas variações). Para fazê-lo, siga as instruções referentes ao zenith, pois ambos os ajustes estão relacionados. O overhang está relacionado com o offset, que é o ângulo que a cabeça faz com o corpo do braço ou, mais exatamente, com a linha que se estende a partir da agulha até o eixo do braço. Quanto mais curto o braço, maiores o overhang e o offset e também o skating (ver adiante). Um braço de comprimento infinito não precisaria deles e um braço de deslocamento linear (tangencial, não articulado em eixo externo ao prato) tampouco. O tema é extenso e, para os que querem o máximo de perfeição geométrica, a Wallys fabrica um conjunto de ferramentas para alinhar cápsulas, algumas das quais devem ser solicitadas para cada marca e modelo de braço específico, muito caras por sinal.

3.8) O ângulo de tangência ou zenit (traking angle)
Pelo fato de o braço ter comprimento finito, a cápsula terá dificuldades em seguir os sulcos com perfeita tangência. Você terá que encontrar o ajuste que ocasiona o menor erro ao longo do disco. Este erro faz com que um sulco seja lido antes que o outro, ocasionando, desta maneira, erro de fase entre ambos os canais estéreo, com os correspondentes erros de imagem e soundstage. Existem acessórios como gabarito de um ponto ou "geo-disc" que poderão ajudá-lo.


Existem outros sistemas, entre os quais o DB Protractor ou o sofisticado e caro Wally Tractor, que são gabaritos normalmente com dois pontos sobre os quais é possível verificar alinhamentos. Estes últimos baseiam-se no fato de que, se o overhang for correto, sempre haverá dois pontos nos quais o ângulo entre o movimento da agulha e as paredes do sulco seja perpendicular, isto é, que o curso da agulha seja tangencial aos sulcos. Com isso, o erro de tangência será o mínimo possível no resto dos sulcos do vinil. Quem descreveu esse processo foi Baerwald, nos anos 40. Depois, aceitou-se como norma usar pontos situados a 66 mm e a 121 mm do eixo do disco.


Existem modelos de gabaritos específicos para cada aparelho, mas se você não tiver o manual do seu toca-discos em mãos pode usar o modelo abaixo que o resultado será praticamente o mesmo.


Depois de imprimir o modelo (clicar no links mais adiante), faça um furo para o pino central do toca-discos e insira a folha de papel ali. Em seguida, leve o braço até o primeiro ponto de alinhamento, o mais longe do centro. Com a ponta da agulha quase tocando o ponto indicado para ela, coloque as laterais da cápsula alinhadas às linhas paralelas indicadas na folha – de acordo com a largura da cápsula. Você faz isso afrouxando um pouco os parafusos e apertando-os logo depois de mover a cápsula para regular com as linhas da folha.



Feito isso, leve a cápsula até o segundo ponto de alinhamento, o mais ao centro do disco. Se as laterais da cápsula estiverem alinhadas com as linhas da folha, o posicionamento da sua cápsula no shell está certo. Se as laterais estiverem um pouco fora, afrouxe os parafusos novamente e coloque a cápsula em um ponto médio entre as linhas do primeiro e do segundo ponto de alinhamento, porque dificilmente o alinhamento vai ficar igual nos dois pontos. Aperte os parafusos quando a cápsula estiver regulada no shell.
Após terminar de parafusar, ajuste os parafusos da cápsula sem exageros. Apertá-los muito poderá causar deformações no corpo da cápsula ou no braço e favorecer ressonâncias ou criar problemas mais graves.



Lembre-se que cada toca-discos, cápsula e agulha possui um gabarito específico e eles são pagos. Porém você pode tentar alinhar com dois gabaritos grátis disponibilizados nos links abaixo. O ajuste segue por sua conta e risco.
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Gabarito_alinhamento.jpg
http://www.enjoythemusic.com/protractor3m.pdf

Um membro do Vinyl Engine desenvolveu um programinha bem interessante para imprimir um gabarito personalizado, de acordo com a distância de montagem do braço e o método de alinhamento escolhido:
http://www.conradhoffman.com/chsw.htm

Aqui o tópico onde ele apresenta e discute o programa:
http://www.vinylengine.com/phpBB2/viewtopic.php?t=16849

3.9) O azimuth, ou ângulo vertical da cápsula
Para evitar que a agulha apoie mais num lado do que no outro do sulco, ela deve manter um perfeito ângulo vertical quando vista de frente.
Para verificar isso, coloque o braço apoiado no disco. Olhando de frente em relação ao braço, poderá ver o alinhamento vertical da cápsula. Se ainda não for fácil ver o ângulo, coloque um espelho em baixo cápsula, mas não solte totalmente o braço.


Alguns braços permitem um ajuste fino deste ângulo e outros não. Neste caso, se o ângulo for acentuado, pode tentar colocar arruelas de distinta grossura no parafuso adequado entre a cápsula e a cabeça, de maneira a girar a cápsula até ficar perpendicular ao disco.
Se o ângulo não for muito marcado, talvez seja melhor deixar como está. De todas as formas, é útil saber que um erro de azimuth prejudicará a separação de canais, fazendo com que a imagem não seja bem centrada ou que o foco seja impreciso, além é claro de desgastar a agulha de maneira errada e prejudicar o delicados sulcos do vinil. Também é bom saber que, com um multímetro e um pouco de tempo você poderá medir a correção do azimuth.

Erro do Azimuth
3.10) Contrapeso
Se o braço do seu toca-discos estiver torto, é porque você deve regular o contrapeso e o anti-skating.
Para ajustar o contrapeso do braço siga os passos:
1) Com a agulha no descanso e destravada e o anti-skating no zero, gire o contrapeso (sentido horário: diminui o peso; sentido anti-horário: aumenta o peso) até que ele flutue paralelo ao prato.


2)  Segure com cuidado o contrapeso, e com a outra gire o anel com a escala numérica até que chegue na marca do zero. Depois, com apenas uma mão, gire o contrapeso no sentido anti-horário até que a escala numérica marque o peso determinado pelo fabricante da cápsula. Quanto mais pesado for o shell, maior será o contrapeso para não ocorrer desgaste da agulha e dos discos. Meio décimo de grama pode fazer a diferença no som. Se você perceber que agulha está leve demais e que está escapando do vinil, gire em sentido anti-horário e aumente um pouco o peso até nó máximo 2,5g. Tenha calma para encontrar esse equilíbrio.


Se o seu toca-discos tiver dois contrapesos - um para o braço e outro para definir o peso de trabalho da agulha - gire o contrapeso até que chegue ao peso especificado pelo fabricante da cápsula (se você não tiver o manual em casa, pode encontrá-lo na internet).
Se o braço não for regulado corretamente a pressão sobre a parede interior do sulco será maior que aquela sobre a parede externa, isso causa erros de traçado da agulha no sulco (diferencia entre canais) e gasta a agulha e os sulcos do vinil.

3.11) Anti-skating
“Skating” é o termo usado para expressar a tendência do braço deslizar para o centro do disco enquanto ele estiver tocando. O skating causa desgaste na agulha e no seu disco de vinil.
Anti-resvalo ou anti-skating é um dispositivo do braço que tem por finalidade aplicar uma pequena força mecânica no eixo do mesmo, de forma a equilibrar a força centrífuga que surge pela rotação do prato e tende a fazer a agulha trilhar mais o lado interno do sulco do disco, que equivale ao canal esquerdo. Essa força pode ser mecânica, através de mola ou contra-peso e magnética, através de imãs.
A regulagem do anti-skating compensa essa tendência e evita que ela aconteça. Algumas marcas de toca-discos não possuem essa função, infelizmente.
Esta tendência – de origem friccional - será dependente de:
  • o comprimento do braço (um braço de comprimento infinito teria uma tendência nula a deslizar no disco, pois seus ângulos com os sulcos seriam de 90 graus ao longo do mesmo);
  • o offset da cápsula;
  • o PAA. Quanto maior, maior o skating;
  • a velocidade (portanto, é diferente ao longo do disco);
  • o atrito do contato agulha-sulco (é maior com discos de vinil virgem, como alguns dos melhores vinis modernos);
  • o tipo de agulha (é menor com agulhas cônicas);
  • o tipo de modulação impressa nos sulcos.
A parte de nivelamento do seu toca-discos com a superfície onde ele está é muito importante de ser feita antes de regular o anti-skating.
Gire o anti-skating até que ele atinja o mesmo valor do contrapeso da agulha. A partir daí, com um vinil rodando, observe se a agulha está deslizando mais para o centro do disco. Caso esteja, diminua o valor do anti-skating até que você não perceba mais isso.


Existem também alguns discos específicos para regulagem do anti-skating que não possuem sulcos. Para fazer a regulagem com esses discos, você deve escolher três pontos para colocar a agulha no disco: no começo próximo da borda, no meio e no final. Aumento e diminuindo o valor do anti-skating nesses três pontos, a agulha deve correr o menos possível para o centro. Essa regulagem precisa é um pouco mais complicada de fazer e exige mais conhecimento técnico, mas também é possível se você tiver o disco liso próprio para regulagem.

3.12) Vertical Tracking Angle (VTA) e Stylus Rake Angle (SRA)
O VTA é o ângulo vertical do cantilever com a superfície do disco. Se não estiver bem regulado, você vai perceber alterações nos graves e nos agudos do seu som. Infelizmente, alguns aparelhos não possuem essa regulagem.
O SRA é o ângulo entre a agulha e o disco e deveria ser zero.
Você ajusta o VTA numa regulagem na base do braço. O primeiro passo para regular o VTA, é deixar o braço paralelo ao prato. Como as cápsula são diferentes entre si, pode ser que você tenha que fazer pequenas alterações no VTA de acordo com cada uma delas. Você vai saber que está tudo certo quando os graves e agudos de uma música soarem claros e limpos.
O cantilever tem um ponto de apoio na cápsula (que está acima do nível do vinil) e um comprimento definido. Isto faz com que, quando a agulha se movimenta, o ângulo que forma com a superfície do disco mude, tanto no sentido horizontal, quanto no vertical. Um peso errado fará com que o magneto saia do ponto correto de trabalho.
A este ângulo formado entre o cantilever e a superfície do disco denomina-se ângulo de traçado vertical ("vertical tracking angle", ou VTA). O ângulo – VTA – usado por quase todas as cabeças gravadoras varia entre 18 e 25 graus, sendo o mais comum de 22 graus.
Se você observar a agulha lateralmente com uma lupa, verá que, no extremo, o cantilever está curvado de maneira a fazer que – com o devido VTA – a agulha se apoie verticalmente no sulco. A este ângulo (que, às vezes, é confundido com o VTA) entre o eixo longitudinal da agulha e a superfície do disco, denominamos ângulo de apoio da agulha (stylus rake angle, ou SRA) . Ele é medido tendo como referência a vertical (ângulo reto com a superfície do disco). Em cada modelo de cápsula o VTA e o SRA estão inseparavelmente ligados.
O fabricante da cápsula normalmente facilita as coisas, fazendo com que, quando o VTA (e, conseqüentemente, o SRA) determinado pelo peso da agulha é o correto, a parte superior da cápsula estará paralela à superfície do disco. Se o braço (e, logicamente, a cápsula a ele fixada) não estiver paralelo à superfície do disco, o VTA não seria o previsto. Por isso, regular o VTA é sinônimo de regular o ângulo do braço com a superfície do disco como vimos anteriormente.
O VTA pode ser mudado por erro no peso de agulha, mas é pelo ângulo que o braço forma com o disco que devemos regular. Duas dimensões influem nesse paralelismo:a altura da cápsula e a altura do eixo de rotação do braço.
Você não pode mudar a altura da cápsula (salvo se instalar outra de altura diferente, o que termina sendo a causa mais comum de necessidade de regular o VTA). Mas se for ao outro extremo do braço verá que, mudando a sua altura, poderá mudar a atitude do braço, até que ele fique paralelo à superfície do disco. Alguns toca-discos não possuem meios de mudar essa altura - Rega, por exemplo – mas, muitas vezes, é possível colocar arruelas de metal na base do eixo para elevá-lo.
Seja deste modo ou por meio de um controle específico, o importante é regular a altura do eixo do braço para deixá-lo paralelo à superfície do disco quando a agulha estiver nela apoiada com o peso nominal.
Isto é basicamente suficiente para uma regulagem razoavelmente eficaz. Uma régua paralela poderia servir para obter um paralelismo melhor. Também serve traçar linhas paralelas numcartão ou papelão que será depois apoiado sobre um vinil plano para facilitar a visualização do paralelismo da parte superior da cabeça ou da cápsula. Existem também gabaritos para esse fim, como o Wally, por exemplo.
Posteriormente, você poderá experimentar com diferentes ajustes do VTA. Seguramente encontrará diferença na sonoridade, levando em conta que, ao mudar o VTA, você estará mudando SRA que é o fator individual mais importante na qualidade de reprodução de um toca-discos. Não insistimos nas infinitas considerações e técnicas que o tema envolve, mas tentamos esclarecer da melhor maneira esses pequenos ajustes que podem fazer toda diferença na qualidade do som.
Entrando um pouco mais no tema do VTA, observamos que cada cabeça gravadora usa um VTA diferente. Por outra parte, a espessura de cada disco é também diferente e influi no VTA da sua cápsula. Menciono isto para você saber, de antemão, que não existe um VTA único para cada sistema de braço-cápsula. Se quiser ir aos extremos, deveria mudar o VTA (mediante a altura do pivô) cada vez que troca de marca de disco ou usa discos de espessura diferentes.
Para não entrar em complicações para as quais você terá tempo de sobra no resto de sua vida, o mais recomendável seria deixar o VTA regulado com um disco de espessura média e, em caso de dúvida, deixar o eixo do braço algo mais baixo (um milímetro, por exemplo) e não ao contrário. A isto se chama VTA negativo e costuma ser menos prejudicial para o som que o contrário.
Você poderá suspeitar que VTA precisa ser diminuído (abaixando o eixo do braço) se observar médios duros, agudos brilhantes demais, transientes ásperos e baixos "finos" de pouca extensão, sem corpo, e poucos detalhes de baixo nível e pouca micro-dinâmica. O VTA estará negativo e precisará ser aumentado (elevando o eixo do braço) quando verificar o oposto: som apagado e amortecido, extensão de agudos prejudicada, baixos congestos e sem definição, transientes opacos e lentos e, em geral, uniformização da sonoridade. Não esqueça que todos os ajustes influem mutuamente e, às vezes, mudar um deles torna aconselhável revisar os outros, por exemplo, o PAA insuficiente pode simular VTA positivo e vice-versa.

3.13) Ajustes precisos
Existem manuais específicos para determinar o valor certo de peso da agulha, além de uma a balança para ajustar o contra-peso da agulha. Apesar de não ser tão cara (com exceção de algumas marcas), não há necessidade de comprar essa balança, mas se você quer um ajuste mais preciso pode valer a pena.
Deixando o controle de peso da agulha do braço e o anti-skating zerado, começamos por regular o contrapeso do braço até que este fique totalmente horizontal, "flutuando" quando deixado livre.
Recomendo fazer as manobras iniciais de regulagem do contrapeso com o protetor de agulha colocado. Depois de chegado a um ponto aproximado, descobrimos a agulha e acertamos definitivamente o ponto do contrapeso que mantenha o braço o mais horizontal possível. Colocamos um disco velho na bandeja e o braço suspenso sobre ele. Giramos o controle de PAA até a marca do peso indicado para a cápsula em uso. Regulamos o controle de anti-skating de acordo ao peso da agulha. Os braços que não possuem controle de regulagem do PAA deverão ser ajustados com pequenos movimentos do contrapeso, até se obter o valor desejado.
Não se deixe levar pelo impulso de deixar o peso da agulha menor que o mínimo indicado pelo fabricante, pensando desgastar menos o disco. Isto poderá acarretar danos irreparáveis aos sulcos do disco em muito maior medida do que deixar a agulha mais pesada.
Se você tiver dúvidas sobre o anti-skating e se seu toca-discos estiver numa posição que lhe permita observar a cápsula de frente, verifique se o eixo da agulha mostra tendência a ficar lateralizado, como se quisesse avançar de lado. Em agulhas de alta compliância isto é evidente quando o anti-skating está errado. Você pode também usar meios eletrônicos ou auditivos para verificá-lo. Os vinis de teste costumam ter faixas de tons constantes gravados em níveis altos e progressivos. Num desses níveis toda cápsula irá falhar, permitindo-nos ouvir distorção e até simplesmente pulando do sulco. Se você verificar que a distorção se inicia sempre em um dos canais, poderá ajustar o anti-skating até eliminar essa situação de assimetria.

3.14) Conclusão dos ajustes
Depois de terminar toda esses ajustes é muito importante revisar todos os parâmetros novamente. É possível que algo tenha se desajustado no caminho. Não seja obsessivo demais pois o ajuste básico acima relatado dará a você 90% do que é possível obter de uma cápsula.
Um toca-discos, principalmente o conjunto braço / cápsula / agulha, é uma peça de mecânica de precisão bastante frágil e cara. Portanto, se você não se sente seguro ao mexer com esse tipo de tecnologia ou não possui as ferramentas adequadas, sugerimos procurar um técnico especializado.

4) Problemas com áudio analógico e possíveis soluções
Nesta parte citarei alguns os problemas mais comuns com o áudio analógico e citarei algumas possíveis soluções. É válido ressaltar que, devido a infinidade de equipamentos e possibilidades de configuração, a solução para os problemas com áudio analógico são na maioria por vezes por experimentação, melhor dizendo, por tentativa e erro, assim os métodos aqui explanados não são garantia de 100% de sucesso.
Além disso, é importante lembrar que, antes de procurar as soluções, você deve ter feito todo o procedimento citado acima, desde a checagem mecânica até o ajustes precisos de ângulos. Se você não se capaz de fazer esses ajustes, ressalto a importância de contatar um serviço especializado. Lembrando novamente que o blog não se responsabiliza por qualquer dano material ou físico ocasionado pela aplicação incorreta das instruções e procedimentos.

4.1) Definições
Primeiro precisamos entender alguns conceitos básicos para depois poder explanar a respeito dos problemas do som analógico. Esse texto tem como objetivo uma abordagem geral sobre os elementos e princípios mais comuns da Acústica constatados em nosso cotidiano.

4.1.1) Reflexão
A reflexão de uma onda acontece quando ela se choca contra algum anteparo e retorna aos nossos ouvidos (fenômeno também é conhecido como “eco”). A energia transportada num movimento ondulatório, transmitida pelo ar, tem sua intensidade de resposta de acordo com a superfície de interação, dependendo da rigidez do meio. Ou seja, se uma superfície for maleável, a onda não voltará com a mesma intensidade que numa superfície rígida, como ocorre com a luz, que numa superfície perfeitamente lisa reflete totalmente, mas quando a superfície é rugosa, a reflexão se torna difusa e parcial.O ângulo de incidência da onda é o mesmo que seu ângulo de reflexão.
Se uma onda sonora que se propaga no ar encontra uma superfície sólida como obstáculo a sua propagação, esta é refletida, segundo as leis da reflexão ótica. A reflexão em uma superfície é diretamente proporcional à dureza do material. Paredes de concreto, mármore, azulejos, vidro, etc. refletem quase 100 % do som incidente. Um ambiente que contenha paredes com muita reflexão sonora, sem um projeto acústico aprimorado, terá uma péssima inteligibilidade da linguagem. É o que acontece, geralmente, com grandes igrejas e salões de clubes, etc.

4.1.2) Refração
A refração do som ocorre quando as ondas sofrem variações na sua velocidade de propagação quando influenciadas por fluxo de ar com diferenças de temperatura e velocidades variáveis.
Num dia de Sol, por exemplo, a camada de ar mais próxima do chão é mais quente se comparada com outras camadas mais altas. O som sofre uma curvatura no sentido da sublimação do ar, que pelo fato de estar mais quente, se torna menos denso. Esse fenômeno faz com que o som se torne indefinido a longas distâncias. Num dia frio ou à noite, o ar mais próximo do chão é mais frio, a curvatura se inverte melhorando as condições de qualidade sonora a longas distâncias.

4.1.3) Difração
O som é capaz de rodear obstáculos ou propagar-se por todo um ambiente, através de uma abertura. A essa propriedade é dado o nome de difração. Os sons graves (baixa freqüência) atendem melhor esse princípio. Cabe lembrar, portanto, que os sons graves (sons de baixa freqüência e de grande comprimento de onda) têm maior facilidade em propagar-se no ar, como também maior capacidade de contornar obstáculos.

4.1.4) Reverberação
Quando um som é gerado dentro de um ambiente escuta-se primeiramente o som direto e, em seguida, o som refletido. No caso em que essas sensações se sobrepõem, confundindo o som direto e o refletido, teremos a impressão de uma audição mais prolongada. A esse fenômeno se dá o nome de reverberação.

4.1.5) Eco
O eco é uma conseqüência imediata da reflexão sonora. Define-se eco como a repetição de um som que chega ao ouvido por reflexão 1/20 de segundo ou mais depois do som direto. Considerando-se a velocidade do som em 340 m/s, o objeto que causa essa reflexão no som deve estar a uma distância de 17 m ou mais.

4.1.6) Interferência
A interferência sonora ocorre quando acontece uma sobreposição dos vales ou cristas ondulatórias. Existem dois tipos de interferência, a construtiva e a destrutiva. A destrutiva ocorre quando a sobreposição das ondas coincide com suas áreas de pico e vale - em outras palavras, a combinação das duas ondas resultará em uma onda cuja região de compressão fica ainda mais comprimida e a região de rarefação fica ainda mais rarefeita. Em resultados práticos, se duas caixas de som estiverem emitindo ondas que estão interferindo uma com a outra construtivamente, o volume (intensidade sonora) ficará mais alto.
Na interferência destrutiva, a região de pico coincide com a região de vale. O resultado disso será uma onda que tende à homogeneidade na concentração de suas partículas, em que quase não haverá compressão ou rarefação. Em resultados práticos, no mesmo exemplo das caixas de som, a intensidade sonora ficará menor.

4.1.7) Ressonância
Ressonância é a coincidência de frequências entre estados de vibração de dois ou mais corpos. Sabemos que todo corpo capaz de vibrar, sempre o faz em sua freqüência natural. Quando temos um corpo vibrando na freqüência natural de um segundo corpo, o primeiro induz o segundo a vibrar. Dizemos então que eles estão em ressonância.
A ressonância é um fenômeno que ocorre quando um objeto, ao vibrar forçadamente, produz ondas que atingem outro objeto fazendo-o vibrar com drástico aumento na amplitude (que ocorre apenas quando a frequência da vibração do primeiro objeto é igual à frequência natural do segundo). Um exemplo desse fenômeno pode ocorrer num violão: se tocarmos uma corda de uma maneira tal que ela vibre numa frequência que seja a frequência natural de outra corda, esta segunda irá vibrar também (ressonância).

4.1.8) Microfonia
A microfonia é uma aplicação sobre a ressonância, pois a frequência sonora emitida pela cápsula de capitação de um microfone é absorvida pelo auto-falante que responde com a emissão de onda na mesma frequência entrando num ciclo perpétuo de captação e emissão de ondas com a mesma frequência.

4.1.9) Mascaramento
Na audição simultânea de dois sons de frequências distintas, pode ocorrer que o som de maior intensidade supere o de menor, tornando-o inaudível ou não inteligível. Dizemos então que houve um mascaramento do som de maior intensidade sobre o de menor intensidade. O efeito do mascaramento se torna maior quando a os sons têm frequências próximas.

4.1.10) Ondas Estacionárias
É um fenômeno que ocorre em recintos fechados. Consiste na superposição de duas ondas de igual freqüência que se propagam em sentindo oposto. Ao se sobreporem, a coincidência dos comprimentos de onda faz com que os nós e os ventres ocupem alternadamente as mesmas posições, produzindo a impressão de uma onda estacionária. Em locais fechados, o som refletido em uma parede plana e o som direto podem criar esse efeito, causando graves problemas acústicos para o ambiente.

4.1.11) Efeito Doppler-Fizeau
Quando a fonte ou o observador se movem (com velocidade menor que a do som) é observada uma diferença entre a freqüência do som emitido e recebido. Esse característica que é conhecida como Efeito Doppler-Fizeau, torna o som mais agudo quando as fontes se aproximam, e mais grave no caso de se afastarem.  

4.1.12) Transmissão
Transmissão é a propriedade sonora que permite que o som passe de um lado para outro de um superfície, continuando sua propagação. Fisicamente, o fenômeno tem as seguintes características: a onda sonora ao atingir uma superfície, faz com que ela vibre, transformando-a em uma fonte sonora. Assim, a superfície vibrante passa a gerar som em sua outra face. Portanto, quanto mais rígida e densa (pesada) for a superfície menor será a energia transmitida.  

4.1.13) Absorção
Absorção é a propriedade de alguns materiais em não permitir que o som seja refletido por uma superfície. O som absorvido por uma superfície é a quantidade som dissipado (transformado em calor) mais a quantidade de som transmitido.

4.2) Princípios do Som

4.2.1) Princípio de Huygens-Fresnel
A propagação do som no ar se dá a partir da fonte geradora, em todas as direções. Por ser uma vibração longitudinal das moléculas do ar, esse movimento oscilatório é transmitido de molécula para molécula, até chegar aos nossos ouvidos, gerando a audição. O Princípio Huygens-Fresnel se aplica a essa propagação: cada molécula de ar, ao vibrar, transmite para a vizinha a sua oscilação, se comportando como uma nova fonte sonora. A seguir são discutidas as propriedades da propagação no ar.

4.2.2) Propagação Livre
A propagação do som no ar se dá a partir da fonte geradora, com a formação de ondas esféricas. Essas ondas terão um comprimento de onda l e uma velocidade de propagação. Devemos levar em consideração que a densidade do ar é bastante influenciada pelo vapor d'água (umidade). Porém, o fator que mais influi na velocidade do som é a temperatura.
O som ao se propagar sofre uma diminuição na sua intensidade, causada por dois fatores:
 - Dispersão das ondas : o som ao se propagar no ar livre (ondas esféricas) tem a sua área de propagação aumentada, em função do aumento da área da esfera. Como a energia sonora (energia de vibração das moléculas de ar) é a mesma, ocorre uma diluição dessa energia, causando uma atenuação na intensidade.
- Perdas entrópicas : Sempre que se aumenta a pressão de um gás, a sua temperatura aumenta; ao se expandir o gás, a temperatura diminui (Boyle). Numa onda sonora, onde acontecem sucessivas compressões e rarefações, ocorrem pequenos aumentos e diminuições na temperatura do ar. Pela 2ª Lei da Termodinâmica, sempre que se realiza uma transformação energética, acontece uma perda, ou seja, parte da energia se perde em forma de calor. É a chamada perda entrópica. Sem a existência desta perda, seria possível o moto-contínuo. Assim, na propagação do som, parte da energia se transforma em calor, atenuação esta que depende da freqüência do som, da temperatura e da umidade relativa do ar.
A Atenuação do som na propagação :
  • é diretamente proporcional à freqüência, ou seja, o som agudo "morre" em poucos metros, enquanto que o som grave se pode ouvir a quilômetros de distância. - é inversamente proporcional à temperatura.
  • é inversamente proporcional à umidade.
  • a poluição do ar, principalmente o monóxido e dióxido de carbono, são muito absorventes, atenuando bastante o som.
  • não sofre influência da pressão atmosférica.
A Velocidade do Som na propagação :
  • é diretamente proporcional à temperatura.
  • é diretamente proporcional à umidade.
  • não sofre influência da pressão atmosférica.
  • não varia com a freqüência.
Portanto, na propagação, o ar oferecendo maior resistência à transmissão de altas frequências, causa uma distorção no espectro de frequências. Por isso que, nos sons produzidos a grandes distâncias, nós ouvimos com maior nível os sons graves, ou seja, os sons agudos são atenuados na propagação.


4.3) Problemas e soluções
Depois de compreendido essas definições vamos aos problemas e possíveis soluções.

4.3.1) Vibrações
Trechos do artigo "Vibrações: têm elas importância para nós?" de Víctor A. Mirol
Uma vibração é uma oscilação das moléculas ou de todo um objeto. Dependendo da rigidez e do tamanho
da substância da qual este é composto, as diversas partes poderão oscilar em sincronia ou não. Quando essa vibração é anárquica – isto é, composta de frequências pobremente relacionadas – podemos considerá-la como ruído. Quando é fundamentalmente composta de frequências relacionadas, estamos na presença do som propriamente dito. Portanto, a divisão entre vibração e som pode ser muito tênue.
O único que sabemos positivamente é que quanto mais estáveis – ou seja,
sem vibrações – forem as condições de trabalho de um componente eletrônico ou eletromecânico, menor interferência haverá sobre os sinais que passam através dele.
Lembremos que vibrações do ambiente podem vir por três caminhos: pelo ar, pelo chão ou por contiguidade. No primeiro caso, estão ruídos diversos de dentro ou fora da sala e – não podemos esquecer – o próprio som provindo dos alto-falantes, tanto direto, como refletido por superfícies que podem vibrar predominantemente em determinadas frequências com muita intensidade. Estes sons “musicais” agem
por retro-alimentação: o sinal sonoro faz vibrar o componente, introduzindo uma modulação que estará atrasada no tempo com o sinal eletrônico passando por ele e pode estar em relações de fase variadas, resultando em distorção. Os outros induzem movimento vibrátil por acoplamento do ar com a estrutura
mecânica do componente, tanto mais quanto maior sua área e menor seu peso. Os ruídos transmitidos pelo chão chegam ao componente por acoplamento direto, ou através dos pés de borracha que possam existir, e que modificam – para melhor ou pior – o efeito resultante. Com exceção de vibrações próprias do planeta (sísmicas) e de acoplamento de elementos vibráteis com o chão ou paredes do prédio (motores, condicionadores de ar, trânsito), outros ruídos que chegam pelo chão são originados no ar (aviões, helicópteros, trânsito, alto-falantes). Estas vibrações agirão diferentemente de acordo com a massa e a rigidez do chão (que para este fim, é a superfície sobre a qual está apoiado o componente, seja o chão mesmo, ou uma estante ou outro suporte). Por exemplo, um chão de madeira solta irá vibrar com a sonoridade dos falantes e transmitir essa vibração para um componente nela apoiado, somando-se àquela que chegar diretamente pelo ar. Em todo caso, interessa determinar, para cada componente, qual o caminho de entrada da vibração (ar, chão) e, no caso das vibrações internas do componente, se sua atenuação está prevista no projeto do fabricante.
Diversos componentes vibram – ou são sensíveis a vibrações.
[...]
Toca-discos (terrestre, aéreo). Os discos em rotação – como qualquer outro objeto girando – geram oscilações basicamente no plano horizontal. No caso dos LPs, por volta dos 0,5 Hz e seus harmônicos. Também ondulações na sua superfície fazem o braço subir e descer e, portanto, criar oscilações
de baixa freqüência que influem no posicionamento da agulha dentro do conjunto magnético da cápsula. O motor também gera vibrações e, por isso, está geralmente isolado da bandeja por suspensões internas.
[...]
Todas estas vibrações afetam o posicionamento da agulha e criam sinais que modulam o sinal impresso no disco. São, porém, as vibrações externas – provindas do ambiente – as que criam
mais preocupação. Estas são causadas por passos, golpes e outras fontes na sala ou seus exteriores e, também, vibrações causadas pela própria música emanada dos alto-falantes. As vibrações aéreas acoplam-se facilmente pela ampla superfície e pouca massa da tampa do toca-disco e do próprio LP.
[...]
Pré-amplificadores (terrestre, aéreo). Como nos casos anteriores, o nível de sinal muito baixo – especialmente quando existe circuito de phono – é o que os faz sensíveis a vibrações, tanto as externas, como a microfonia (válvulas e alguns componentes passivos). Quando estão incorporados a amplificadores
– amplificadores integrados – a vibração do transformador da fonte de alimentação pode, também, ser um
problema. As válvulas podem ser muito sensíveis a vibrações – característica chamada de microfonia: a capacidade de gerar correntes quando submetidas à vibração em forma análoga a como reage um microfone. Naturalmente, estes sinais modularão qualquer sinal que estiver passando nesse momento, tanto
mais quanto mais tênues eles forem.
[...]
Os componentes passivos – em especial capacitores ou condutores imersos em campos magnéticos – também são sensíveis, às vezes, às mesmas vibrações.
Amplificadores. Os transformadores, em especial os de grande potência, podem causar vibrações que podem ser transmitidas a componentes de baixo sinal circundante, quando apoiados em superfícies leves e comuns. Os integrados, se de alto ganho, assemelham-se aos pré-amplificadores.
Alto-falantes. A situação aqui é complexa. Eles causam intensa agitação molecular no ar – ou seja, o som que ouvimos – e esta interfere com os componentes de baixo nível de sinal e, em especial, com transdutores: toca-discos, CD players e transportes. Além do som emitido diretamente pelos cones dos alto-falantes, as paredes da caixa, que recebem a onda posterior dos drivers, vibram e transmitem essa vibração ao ar, enfatizando certas frequências. A própria caixa como um todo, reagindo em oposição ao impulso dado à bobina móvel e ao cone do falante pelo sinal provindo do amplificador, oscila mais ou menos intensamente (lembremos que o cone do falante só irá para frente – com violência, no caso de um golpe de bumbo – ao sofrer aceleração causada pelo campo magnético da bobina móvel, se a massa e rigidez da caixa permitir, de acordo à lei da ação e reação. A caixa tende a oscilar em sentido contrário ao cone). Apesar do cuidado do fabricante, estas vibrações podem ter modos muito pronunciados, que são projetados para o exterior e
que agem também retornando sobre o próprio driver .
Temos que lembrar que, similarmente ao que acontece em cápsulas de toca-discos, o movimento
do cone sempre é relativo ao campo magnético do imã e, se este vibra, o sinal será modulado – ergo, distorcido. Daí a necessidade da caixa estar muito firmemente fincada no chão .
Condicionadores de sinal podem originar vibrações causadas por indutores que serão transmitidas ao
entorno, via planos de apoio. Fontes de alimentação podem, também, agir da mesma forma.
Nos casos de equipamentos leves, o efeito de qualquer tipo de vibração é sempre mais nocivo e cobra dimensões mais preocupantes.
[...]
Vamos lembrar, já que mencionamos força e pressão, a diferença entre elas. Força é definida como a magnitude que, aplicada a uma massa, imprime a ela uma aceleração – faz com que ela se mova no sentido da força impulsora, aumentando a sua velocidade com o tempo de aplicação, a uma taxa constante.
[...] uma primeira medida de defesa contra uma vibração seria a de aumentar a massa do componente. Como não podemos aumentar essa massa diretamente, o que fazemos é apoiar solidamente o componente sobre uma massa maior. Por isso é que um componente mais pesado será menos sensível a vibrações, e que um componente – leve ou pesado – apoiado rigidamente sobre uma massa maior também o será. Por isso, na coluna B vemos os componentes vibrando menos que nos casos da coluna A (casos de vibrações internas e aéreas: nas terrestres não haverá, logicamente, nenhuma vibração do componente). Também por isso é que, na coluna C, os mesmos componentes, apoiados sobre uma massa muito maior que eles – no caso, o chão – ficam quase isentos de vibrações (naturalmente, no caso das vibrações terrestres, o componente solidamente fixado ao chão – terceira linha – vibrará tanto quanto ele).
Por último, nas colunas D e E temos o caso de um apoio por intermédio de molas. Aqui, as vibrações serão
maiores ou menores, dependendo da freqüência natural de vibração do conjunto massa-molas
[...]
Ocorre que nestes casos, o efeito da vibração sobre a massa suspensa será diferente:
a) quando a freqüência da vibração é menor (pouca modificação);
b) igual (grande transferência da vibração para o corpo suspenso);
c) maior (atenuação da vibração transmitida, tanto mais, quanto maior a freqüência desta).
Podemos dizer, então, que desde que a relação de frequências seja favorável, a vibração será amortecida, tanto mais quanto maior for a massa (do componente ou da base na qual está apoiado solidamente) e quanto menor for a rigidez das molas.
[...]
O uso de elastômeros (cuja máxima vantagem seria a sua capacidade de mostrar amortecimento resistivo) pode criar problemas imprevistos, pois suas elasticidades costumam ser limitadas. Se somarmos a isso o uso de componentes de baixa massa (ou sem um suporte pesado), poderíamos estar favorecendo frequências ressonantes altas e perceptíveis. O seu componente resistivo pode atenuar esse efeito em parte. O resultado final dependerá de fatores, alguns mencionados, como: tipo, forma e volume do elastômero, peso do componente/base, tipo e frequências vibráteis existentes no ambiente e banda passante do sistema. Uma
consideração adicional seria a de que para ressonâncias em baixas frequências transmitidas pelo ar, às vezes uma mudança de local do componente pode amenizar o seu efeito deletério, devido à diferente pressão sonora em diferentes locais da sala de audição.
Casos especialmente desfavoráveis a considerar são:
1) toca-discos leves apoiados sobre tip-toes, em chão com muita vibração (madeira solta, por exemplo) ou sobre elastômeros, se situado muito perto de alto-falantes de boa extensão e volume de baixos;
2) caixa acústica leve apoiada sobre bases elásticas.
Os sistemas comumente utilizados e suas aplicações
A diversidade de origem (do exterior, do próprio componente), de freqüência (desde 0,5 Hz de um LP
até toda a faixa média de áudio emitida por alto-falantes, incluído aí o grupo de vibrações externas de baixa
freqüência, em geral), de planos de vibração (horizontal em discos, vertical e oblíqua em CDs, e diversa em motores de toca-discos, múltipla no caso de transformadores) faz com que diversas soluções tenham sido encontradas para combatê-las. Temos pés de borracha, tip-toes, caixas de areia, bolas de tênis, Shindos e tantos outros. Também muito diversos são os materiais de construção desses dispositivos. Indo por partes, poderemos tentar analisar cada grupo deles.
Air-born
Air-born é a vibração causada por ondas sonoras e no caso do sistema de áudio, das ondas provenientes das caixas acústicas.

Acessórios de acoplamento
O acoplamento em mecânica é uma conexão ou interação entre dois sistemas, mediante o que se transfere energia de um para outro.

Tip Toes ou spikes
Colocados no mercado há muitos anos, eles proveem – como mostra a coluna C – acoplamento rígido entre
o componente e o chão, criando um aumento virtual da massa do componente. São às vezes chamados de
diodos mecânicos, porque transmitiram vibrações do componente para o chão e não o inverso, o qual é particularmente verdadeiro quando se trata de pisos de madeira. De fato, foram muito úteis no caso de toca-discos e de alto-falantes colocados em pisos com carpetes, por permitir o contato direto com o piso subjacente.
Para que estes dispositivos cumpram o objetivo a que se propõem, é necessário observar alguns preceitos. Em primeiro lugar, eles devem ser três, que é o único número que permite um apoio estável de todos no chão. Quatro já poderia fazer com que um deles se apoiasse com menor força ou ficasse no ar, com o que o toca discos ficaria instável e parcialmente no ar, configurando a situação da coluna A. Alguns vêm com mecanismo de ajuste para evitar esse problema quando usados quatro ou mais, mas não é tão confiável como usar três cones.
O componente deve se apoiar nos cones em pontos fortes da estrutura. Estes costumam ser os locais onde estão situados os pés que o fabricante colocou originalmente, que deveriam ser retirados e substituídos pelos cones. O problema, normalmente, é que o toca-discos vêm com quatro suportes, geralmente de borracha. Necessariamente, um dos cones teria que ser colocado em um ponto da estrutura que poderia não ser devidamente reforçado. Por isso, um exame da estrutura do chassi do toca-discos é obrigatório para escolher o lugar do terceiro cone, geralmente colocado atrás. Outra consideração é a de tratar de manter uma estabilidade adequada do toca-discos e isso requer levar em conta a situação do seu centro de gravidade, que deveria ficar no centro geométrico do triângulo de cones. Deve, naturalmente, ser evitado
colocar material elástico entre o toca-discos e os cones, como borrachas, elastômeros ou os próprios pés originais do toca-discos porque isso anularia a vantagem do acoplamento rígido (ou, no mínimo, criaria uma situação difícil de calcular). Também deve ser seriamente considerado o plano sobre o qual apoiar o conjunto, já que, para que seja útil, deve ser sólido, estável e de alta massa. Por isso, bandejas de madeira, estantes, ou suportes de parede, devem ser analisados com cuidado e, em todo caso, usar bandejas
de suporte de granito bem pesadas para obter a massa amortecedora que procuramos debaixo dos cones. Uma outra consideração a ser feita é o caso dos toca-discos com suspensão interna. Muitas vezes o fabricante incorpora essa suspensão calculada para amortecer as vibrações do motor e externas. Como o sistema disco-cápsula está contido nesse sistema interno, mesmo acoplando o toca-discos com o chão por meio de cones, deixaríamos o prato e a cápsula abertos a vibrações provindas dos alto-falantes. Nestes casos, provavelmente, os tip-toes poderiam ser menos efetivos que no caso das bandejas sem suspensão.
[...]
Alto-falantes em chão acarpetado constituem sua mais clássica aplicação: eles fixam a caixa diretamente no piso, sem permitir sua oscilação reativa ao movimento do cone dos falantes e ajudando a dissipar as vibrações das paredes.Quando se pode dispor de uma base sólida e maciça, os cones (tip-toes) são confiáveis como acopladores de massa. Se a base não for confiável (quando ela pode ser origem de vibrações), não são uma boa escolha. Mesmo assim, o uso de elastômeros poderia ser pior, pois podem ser excitadas ressonâncias em freqüências audíveis que piorem a situação. Sem dúvida, um sistema com molas e massa suspensa é o melhor. [...]
Quando o toca-discos pode pode dispor de uma base sólida e maciça, os cones (tip-toes) são confiáveis como acopladores de massa. Se a base não for confiável (quando ela pode ser origem de vibrações), não são uma boa escolha. Mesmo assim, o uso de elastômeros poderia ser pior, pois podem ser excitadas ressonâncias em freqüências audíveis que piorem a situação. Sem dúvida, um sistema com molas e massa suspensa é o melhor.
O Tip Toe ou Spike tem por finalidade diminuir o contato da superfície, concentrando toda a força peso num único ponto, o que provoca maior “firmeza” de uma caixa acústica ao piso. Mas, se o seu piso vibrar, não tenha qualquer dúvida de que esta vibração será transmitida às caixas.
Desta forma, a utilização de spikes depende de outros fatores. Se o toca-discos estiver instalado num rack através de spikes e este rack vibrar ou for instável, a vibração atingirá a cápsula, inevitavelmente. Mas, se a base for muito rígida, feita em alvenaria e com tampo em granito, o uso de spikes vai provocar uma firmeza muito maior do toca-discos sobre este tampo.


A utilização de spikes em caixas acústicas é viável sim, pois a caixa mais firme favorece muito os graves, principalmente. Mas, como foi dito anteriormente, alguns outros fatores devem ser observados para que isso funcione assim, pois apenas o falante tem que vibrar. O movimento brusco do falante causa ação e reação no gabinete e sua tendência é se mover, mesmo que seja imperceptível. Portanto usamos spikes, para garantir o bom acoplamento da estrutura que deve ficar parada (o gabinete e não o falante).

Esferas Deslizantes (Shindo, Pulsar Points, Daruma etc)
Sistemas que funcionam como acoplamento rígido para esforços simétricos no eixo vertical, e como sistemas oscilantes para vibrações laterais ou assimétricas. Consistem em uma base côncava no centro e uma cobertura, também côncava, entre as quais existe uma esfera metálica que permite que a base e a cobertura deslizem entre si, aumentando a sua energia potencial na medida em que se afastam do centro de equilíbrio (nesse sentido agindo como molas). Quando três ou mais destes dispositivos são colocados como suporte de um componente, este pode oscilar lateralmente. O movimento lateral terá um efeito de retorno, já que as esferas, ao deslizar lateralmente, também o fazem em sentido ascendente devido à curvatura da concavidade, adquirindo energia potencial. Dependendo do acabamento das pistas de rolagem, esse movimento de vai e vem será amortecido mais ou menos rapidamente.
Por ser um movimento complexo, existe mais de um grau de liberdade no sistema, embora, quando considerado um único elemento, se equivalente é o de um sistema de molas com eixo horizontal, plano no qual são eficientes para limitar vibrações (como muitas das provindas do terreno, de vibrações de estantes ou de vibrações internas).
Para funcionar adequadamente, requerem um ótimo acabamento das superfícies côncavas e um material de alta dureza (nas pistas e nas esferas) para manter durabilidade e uniformidade de movimento. Combinados com elastômeros brindam elasticidade e amortecimento em todos os sentidos. Se isto é eficaz, dependerá do tipo de vibração perturbadora e do peso apoiado. Têm sido relatados bons resultados como suporte de alto-falantes, embora teoricamente não deveria ser assim. Existem alguns outros tipos de sistemas de amortecimento ou isolamento de vibrações que combinam um, dois ou mais dos tipos mencionados.
Devido à dificuldade em determinar uma freqüência de ressonância, é difícil predizer o seu resultado em cada tipo de aplicação, em especial os elastômeros e as esferas deslizantes. A audição ou a aplicação em componentes de peso e características similares àqueles onde se pretende usá-los é a única forma de
avaliá-los. Em geral, os diversos tipos de elastômeros ressoam em frequências bem dentro da faixa de áudio e, por isso, podem dar resultados em alguns componentes e não em outros.
Clamp
Conhecido como peso anti-ressonância possuir a função de melhorar a resposta nas baixas frequências e aumenta dinâmica e profundidade sonora. O clamp também ajuda a minimizar as vibrações indesejadas do vinil, bem como a estabilizar o mesmo.
É importante lembrar que existem dois tipos: o "record clamp" e o "record weight". O "record clamp" é um clamp de fato, que tem como princípio de funcionamento exercitando pressão (sem necessidade de ser pesado) em cima do centro do disco se "agarrando" no pino central e assim mantendo a pressão.
O peso desse tipo de clamp em teoria não afeta o eixo de um toca-disco, uma vez que se agarra ao pino, permitindo que se controle a pressão aplicada para aprimorar o contato do disco com o tapete. Porém, o que pode afetar é o exagero ao se aplicar a pressão.




O "record weight" tem o objetivo do melhor acoplamento do disco no prato realmente através de peso sem se prender ao pino central. Verifique se o seu modelo de toca-discos suporta o peso do clamp. (sugestão de Reto Wüthrich)



Acessórios de desacoplamento
Ine­xis­tência ou eliminação de acoplamento entre dois circuitos.
Existem diversas formas de se absorver vibrações e as mais efetivas são feitas por componentes “amortecedores”. Estes sim têm a função de absorver o movimento (energia). Nestes casos, utilizam-se normalmente peças elásticas (não rígidas), como a borracha, molas e outros.

Vibrapods
No caso do toca-discos, geralmente (depende do caso), o desejável é o desacoplamento. Um bom desacoplamento geralmente feito com vibrapods, molas, borracha ou esferas, tem a propriedade de absorver vibrações, funcionando como um fio terra, ou seja, qualquer vibração causada por airborne vibration (vibração causada por ondas sonoras) é instantaneamente absorvida pelo desacoplador. Existe uma relação entre a massa do aparelho e o coeficiente de elasticidade do desacoplador. O desacoplamento só é eficaz caso essa relação seja correta.



Suportes Flexíveis (Elastômeros)
Construídos em sorbothane, navcom e similares, consistem em suportes para serem colocados embaixo dos equipamentos. De diversas formas e tamanhos, têm como característica comum a elasticidade combinada com amortecimento, próprio desses tipos de borrachas. Quando carregados com o peso dos componentes, confirmam um sistema ressonante cuja massa é a do componente e a elasticidade é a dos suportes. O problema, às vezes não considerado suficientemente, é que os elastômeros não possuem suficiente flexibilidade para ressoar a uma freqüência suficientemente baixa quando combinados com as massas pequenas dos componentes e que, quando usados pesos grandes, sua capacidade de deformação é excedida.
Uma solução é usar entre eles e os componentes, bases de granito pesadas, mas – como acabamos de dizer – o risco é o de esmagar as borrachas até o ponto em que não sejam mais elásticas. Colocar mais suportes não resolve, pois a elasticidade do conjunto diminui (os elementos elásticos em paralelo se combinam como resistências em paralelo e o valor total é menor que o menor deles) e fazem a freqüência natural de ressonância aumentar. Funciona, porém, em alguns casos, dependendo das frequências (ou harmônicos) envolvidas e do peso do componente.
Podemos usá-los embaixo dos suportes originais do componente, pois, embora isso aumente a incerteza, de todas as maneiras não temos uma forma fácil de medir seu comportamento.
[...]
Mesmo assim, é quase impossível medir o coeficiente de amortecimento, e isso faria com que o cálculo de
comportamento e de atenuação seja necessariamente só uma aproximação.
O recurso é o mais famoso em áudio: colocá-los e ouvir o resultado com paciência e com diferentes tipos de
música. Existem também em forma de lâminas de elastômero de alguns milímetros de espessura.

Sistemas com Molas de Compressão ou de Suspensão
Estes sistemas permitem ser calculados (ao menos no modo de liberdade correspondente ao k – coeficiente de elasticidade – conhecido das molas) com mais previsibilidade e, quando bem desenhados para a aplicação pretendida, costumam dar resultados consistentes.
[...]
Como podemos ver, o resultado de um sistema qualquer de atenuação de vibrações dependerá da previsibilidade do seu comportamento e do conhecimento que tenhamos do tipo de vibração existente no local e das características de cada sistema, em especial da freqüência de ressonância nos sistemas
elásticos envolvidos.
4.3.2) Problemas no ambiente e no suporte dos aparelhos
Desde que Thomas Edison inventou o fonógrafo, a tecnologia do som tentou reproduzir com aparelhos a mesma música que se ouvia ao vivo. Nunca conseguiu. A sensação de som envolvente proporcionada por uma orquestra num teatro dificilmente pode ser imitada. A barreira não está só na masterização, mas também na audição final, mesmo que os recursos e aparelhos para atingir o som puro sejam quase ilimitados. Mas como não estamos tratando de um sistema complexo com aparelhos profissionais valvulados, não vou discorrer sobre a disposição para audiófilos por dois motivos: primeiro porque não entendo do assunto e segundo porque esse tema é extremamente complexo e demandaria um artigo bem maior.
Dessa forma, podemos dizer que os problemas do sistema simples de audição não começa, somente na hora em que a música deixa o vinis e adentra a agulha, cápsula, toca-discos, conectores, cabos, pré-amplificador, equalizador, receiver e caixas acústicas, mas também na momento em que o som sai pelas caixas acústicas e o sinal elétrico passa para o indomável fenômeno da propagação das ondas sonoras pelo ar.
Antes de uma fábrica de vinis receber a fita master, o original que vai gerar a matriz para a produção dos discos, é feita a pré-masterização, quando a música recebe vários aperfeiçoamentos. No estúdio é possível realçar graves ou agudos de gravações novas ou antigas e criar ambientes que as músicas não tinham originalmente. Na mesa de mixagem qualquer música pode ser melhorada, pois em cada trecho se podem corrigir o volume e a freqüência (graves, médios e agudos), dando uniformidade à gravação.
Muito desse trabalho é feito segundo o ouvido de quem edita, mas há meios precisos de visualizar a qualidade de uma gravação sonora. Os chamados equalizadores paramétricos dividem as frequências audíveis pelo ouvido humano (entre 20 e 20 000 hertz) em 8 grandes grupos. Outro aparelho, o spectrum analyser, mostra as frequências em forma de gráfico. O técnico da mixagem pode então ver se algumas frequências estão com volume muito mais alto do que outras — o que pode significar, no ouvido, agudos estridentes ou graves cavernosos — e baixá-las.
A mesa tem recursos que mudam algumas características das músicas pela variação da reverberação, ou seja, a repetição do sinal original como um eco. Escolhe-se o modo “igreja”, por exemplo, e a mesa vai reproduzir o sinal original algumas vezes, dando a impressão de que aquela música foi mesmo gravada numa igreja, com todas as reverberações típicas daquele local. O mesmo efeito pode criar ambiência em gravações antigas, feitas com menos recursos técnicos do que hoje.
Entre o fim da edição de uma fita no estúdio e a produção da matriz do vinil, há muita tecnologia para garantir a qualidade do som analógico.
Com equipamento estéreo já é possível conseguir um som de altíssima qualidade. A criação da imagem acústica, ou seja, a capacidade de simular a espacialidade de uma apresentação ao vivo, é perfeitamente viável com os canais direito e esquerdo. Se ao tocar um vinil de música popular o ouvinte se posicionar corretamente entre as caixas, terá a impressão de que alguns instrumentos estão à esquerda, outros à direita e a voz no meio. Essa separação é feita na mixagem do vinil e proporciona a sensação de que se está defronte ao palco.
Porém, uma audição ao vivo acontece em condições que extrapolam a música vinda das caixas acústicas. No concerto de uma orquestra, o som que chega aos nossos ouvidos não parte em linha reta dos músicos: é a somatória das ondas sonoras que vêm dos instrumentos e das ondas refletidas nas paredes e no teto. A simulação de envolvimento, que faz com que o ouvinte se sinta numa platéia, só foi viável com a invenção do sistema Surround. Desenvolvido pela empresa americana Dolby, o Surround usa duas caixas frontais, como no estéreo, mais duas caixas de efeito atrás e foi criado originalmente para o cinema. O Surround gerou uma variante mais avançada, o Pro Logic, com uma quinta caixa para o canal central entre as duas da frente. Mas infelizmente para o vinis, gravados em apenas dois canais, não há os efeitos com dispostos num sistema de som com mais canais. Na verdade, apenas um percentual do sinal emitido para as caixas frontais vai para trás, trazendo a sensação de envolvimento de um concerto. Por isso, os home-theaters não são o melhor equipamento para a audição dos vinis. Mas mesmo com essa limitação o som analógico pode ter sim suas vantagens, na tentativa de chegar o mais próximo do som puro.
Não vou entrar nó mérito da discussão entre som analógico e digital, afinal isso é tema para um bom e longo artigo, tema de intensas discussões entre amantes do vinil e do CD.
A partir do momento em que é convertido em impulsos elétricos, para movimentar os diafragmas dos alto-falantes e produzir as ondas sonoras, todo o processo analógico pode perder seu grau de pureza, mediante alguns erros de ambientação, posicionamento, suporte da aparalhagem que compõe o sistema de som. Além disso, temos alguns problemas dos próprios aparelhos e dos cabos também, que trataremos mais adiante. Construir um ambiente para um sistema analógico com caixas acústica é um trabalho empírico, não há como fazer simulações, difícil de ser mensurado. Os testes são feitos um a um, em cada componente, até o produto final.
Algumas caixas extrapolam a noção das três divisões básicas das frequências escutadas pelos ouvidos humanos — woofer para os sons graves, midrange para os médios, tweeter para os agudos. Já existem caixas de quatro vias, uma das quais destinada a graves profundos, assim como há o subwoofer, uma unidade separada só para as baixas freqüências. O subwoofer apareceu como resposta aos exíguos espaços da vida moderna. É que, para se obter fidelidade sonora em freqüências abaixo de 200 hz, a caixa precisa ter grande volume, espaço difícil em residências minúsculas. A solução é compactar as caixas, colocando só os médios e os agudos, separando os graves. Os médios e agudos devem ficar à frente e na mesma altura das orelhas do ouvinte, pois dão a espacialidade do som.
Os graves, porém, mais do que audíveis, são sensíveis como um impacto. Pelo fato de ser uma onda sonora de grande comprimento e por não conferir o caráter de espacialidade, o subwoofer pode ficar em qualquer lugar da sala, até embaixo do sofá. Na verdade, para o sistema de dois canais não é recomendado a utilização do subwoofer.
Além disso, os materiais que compõem as caixas também influem é muito na qualidade. Os cones dos alto-falantes, as peças que vibram em alta velocidade para produzir o som eram feitos de papel, mas hoje existem modelos feitos de fibra de carbono e outros materiais mais nobres, já que se busca leveza e resistência.

Soluções
Para os colecionadores que desejam ter um som analógico num padrão aceitável, que talvez não possua um grande poder aquisitivo como é o meu caso, é possível sim ouvir som com qualidade com um bom equipamento estéreo, desde que se respeitem algumas regras:
1) A primeira é posicionar-se corretamente diante das caixas, para obter a melhor imagem acústica: o ideal é ficar num dos vértices de um triângulo imaginário formado pelas duas caixas e você.


2) Os aparelhos do sistema analógico devem ficar preferencialmente no meio das caixas acústicas e afastados pelo menos 30 cm um do outro.
3) As caixas devem ficar longe do toca-discos e em móveis separados preferencialmente, para evitar alguns problemas de ressonância que veremos mais adiante. Também não devem ficar no chão, mas na mesma altura do ouvido.

Jamais use esse Layout. As caixas estão muito próximas e no
 mesmo móvel que o toca-discos
4) No caso da utilização de um subwoofer (não recomendado), o ideal é colocá-lo no chão e no mínimo a um metro do toca-discos.
5) Enormes janelas ou portas de vidro na sala de audição provocam reflexões indesejáveis, que podem ser resolvidas com o uso de cortinas.
6) Procure usar móveis resistentes de madeira maciça para colocar os aparelhos que compõe o seu sistema, principalmente o toca-discos, já que o conjunto agulha e cápsula são muito sensíveis e suscetíveis à interferências externas do ambiente.
7) Procure ter todos os componentes com grau semelhante de qualidade: de nada vale um bom toca-discos sem boas caixas. O padrão de qualidade deve incluir até os cabos de conexão.

Layout simples e correto. Aparelhos separados um do outro e
caixas formando o triângulo e elevadas do chão. Seria interessante
afastar um pouco mais as caixas do móvel, por causa da vibração.

4.3.3) Hum ou Humming 
(Trechos do artigo "Eliminando os ruídos de áudio de 60 Hz (ART436)" do Instituto Newton C. Braga (NCB).
Os equipamentos que trabalham com sinais de áudio e que possuem grande sensibilidade estão sujeitos a captação de ruídos ou roncos de 60 Hz provenientes da rede de energia. Estes ruídos se manifestam na forma de um ronco que consiste num incômodo para quem monta um amplificador ou qualquer aparelho que trabalhe com sinais de áudio. Os roncos também aparecem nas instalações de um sistema de som quando diversos aparelhos como amplificadores, toca-fitas e equalizadores são interligados. O origem desses roncos desagradáveis e como eliminá-los é o assunto tratado nesta parte.
A rede de energia funciona como uma antena que irradia um sinal numa frequência muito baixa: 60 Hz. De fato, 60 Hz é a frequência da corrente alternada da rede de energia cuja finalidade é alimentar os nossos aparelhos elétricos e eletrônicos.
A irradiação do sinal não é algo desejado, mas ocorre e com ela alguns problemas que afetam o funcionamento de muitos aparelhos eletrônicos, principalmente os de som. O que ocorre é que, se o sinal de 60 Hz "irradiado" pela rede de energia for captado pelos circuitos amplificadores dos equipamentos de som, eles passam a ser reproduzidos em fones e alto-falantes.
Como 60 Hz é uma frequência de áudio, ou seja, corresponde a um som que podemos ouvir, o resultado é a reprodução de um som constante, semelhante a um ronco ou zumbido bastante grave. Se o leitor quer ter uma ideia melhor deste som, basta colocar o dedo num jaque conectado na entrada auxiliar de um amplificador.
Seu corpo funcionará como uma antena e captará os sinais irradiados pela rede de energia que então serão amplificados pelos circuitos do aparelho de som. Evidentemente, não se trata de algo interessante ter um ronco no alto-falante do sistema de som, quando não há música sendo reproduzida ou outro sinal.
Se este ronco está presente, ele pode estar "entrando" no seu equipamento de som de forma indevida.
As caixas dos equipamentos de som são metálicas e devidamente aterradas funcionando como blindagens eficientes. Os próprios cabos por onde passam os sinais são blindados e devem ter sua malhas aterradas para evitar a captação de zumbidos. Os sinais induzidos pela rede de energia ficam na malha dos fios ou na caixa do aparelho que os desvia para a terra.

A malha serve de blindagem evitando que os roncos e
 ruídos sejam misturados aos sinais.
Problema nos conectores
No entanto, por melhor que seja a blindagem de um cabo ou que seja a caixa que aloja um aparelho, os roncos podem encontrar "brechas" e penetrar nos circuitos amplificadores aparecendo então de forma ingrata nos alto-falantes.
Um primeiro ponto importante a ser observado é a própria conexão dos cabos. A blindagem atua onde pode alcançar, mas nos pontos de emendas ou de colocação de um jaque ou um plugue a blindagem deve ser removida, descobrindo um pedaço do cabo.

O pequeno pedaço de fio descoberto capta roncos.
Pode parecer pouco que um ou dois centímetros de um cabo descascado tenha algum efeito, mas esse pequeno comprimento pode perfeitamente captar alguns microvolts de ronco e transferi-lo ao equipamento de som. Os cabos que operam com sinais muito fraco, como por exemplo os que transferem o sinal de uma cápsula magnética de um toca-discos são bastante sensíveis a este problema.

Origem e soluções
O primeiro passo na eliminação deste problema é identificar sua origem:
  • coloque o amplificador na condição em que o ronco se manifesta.
  • desligue o cabo de conexão do toca-discos ou aparelho ligado ao amplificador da rede de energia, mantendo-o sem alimentação.
  • desligue o cabo de conexão do toca-discos ou de alta impedância ligada ao amplificador. Se, ao desligar o cabo o ronco desaparecer, estará caracterizada a origem do problema. Mas se o ronco não desaparecer, ele pode ter outras origens, conforme veremos. Pode estar sendo gerado no circuito do amplificador ou captado pela própria caixa em vista de não estar devidamente aterrada.
Se o ronco foi provocado pelo cabo, verifique então:
  • se sua blindagem está fazendo bom contacto com os plugues e o circuito nas duas extremidades.
  • se o jaque do amplificador está devidamente ligado à terra.
  • se existem emendas no fio, verifique estas emendas, reduzindo o tamanho exposto do cabo interno. 
Emendas também podem captar roncos.
Aterramento
Quando dois ou mais aparelhos são interligados, para que suas caixas ou chassi atuem como blindagem de maneira eficiente evitando o aparecimento de roncos, eles devem estar sob mesmo potencial.
Pode ocorrer que, por diferenças de características ou pelos próprios circuitos externos, dois aparelhos conectados à mesma rede de energia, quando em funcionamento apresentem uma diferença de potencial de alguns microvolts ou milivolts, pois diferenças de aterramento podem facilitar a captação de roncos.

Diferenças de aterramento podem facilitar a captação de roncos.
Essa diferença consiste num sinal que aparece nos circuitos de saída do toca-discos e entrada do pré-amplificador e do pré amplificador para o amplificador.
Por isso, essas ligações devem ser aterradas por meio de uma cabo de aterramento. A maioria do toca-discos possui saída para fio-terra, porém o pré-amplificador deve ter a entrada para o aterramento, o mesmo serve para o amplificador.
Lembre-se: não misture aterramento elétrico (tomada elétrica) como terra do toca-discos. O terra do toca-discos é para interligar a parte metálica do braço do toca-discos à carcaça do pré amplificador de phono ou do integrado com o pré de phono. O terminal correto para se ligar é esse com parafuso perto da entrada de toca-discos. Veja se a parte que faz contato esteja limpa, sem oxidação. Não interligue em mais de um ponto simultaneamente.

Soluções
É fácil o leitor verificar se o problema tem esta origem:
  • ligando os dois aparelhos sem sinal e abrindo o volume do amplificador o ronco aparece.
  • encostando a caixa de um aparelho no outro ou ainda interligando-a por um momento por meio de um pedaço de fio, o ronco desaparece.
  • interligando os "Terras" de dois aparelhos, se o ronco não desaparecer, sua origem pode ser outra.
Para eliminar o ronco que tenha esta origem, basta usar os terminais de terra comum que todos os equipamentos de som possuem em sua parte traseira.
  • Interligue os terminais de terra de todos os aparelhos que formam o sistema, se usarem caixas separadas. O fio usado nesta interligação deve ser grosso e o mais curto possível.
Para o aterramento gambiarras não funcionam, por isso não invente. Se o sue toca-discos não possui saída de aterramento não aconselho mexer no braço para puxar os fios de aterramento.

Não faça gambiarras, elas só irão piorar o ruído e
danificar o aparelho e as caixas.
Terras fora de fase
Dois aparelhos conectados à mesma rede de energia, um funcionando como fonte de sinal (tape-deck, pré-amplificador, equalizador, etc) e outro como amplificador final de potência, podem apresentar pequenas diferenças de potencial entre seus chassis ou caixas, da mesma forma que no caso anterior, mas por estarem com as fases diferentes de alimentação.
O que ocorre é que seus transformadores de força podem estar com as fases diferentes em relação à tensão de entrada o que afeta levemente a tensão do secundário em relação a fase.
Assim, entre os chassis ou caixas surge uma pequena tensão alternada na frequência de 60 Hz, resultante da defasagem da alimentação dos transformadores.

Origem e soluções
Uma maneira simples de se verificar se o problema é este é a seguinte:
  • ligue os aparelhos de modo que o ronco seja produzido.
  • inverta a tomada de força de um dos aparelhos, girando-a de 180 graus. Este simples procedimento pode ajudar na redução ou eliminação de roncos.
  • se o ronco desaparecer por completo, estará caracterizado o problema. Uma interligação adicional com fios grossos entre os chassi pode resolver de forma definitiva o problema.
Roncos internos
Existem também os roncos que são gerados por deficiências dos próprios circuitos ou ainda de casamento de características de aparelhos. Muitos amplificadores de montagem caseira também manifestam roncos, quer seja pelo mau dimensionamento da fonte quer seja por uma ligação indevida de seus cabos ou irradiação de componentes.
A conexão da fonte à placa ou entre as placas de um amplificador, assim como as linhas de alimentação devem ser curtas e grossas. Se possível, a entrada de alimentação deve ser desacoplada por meio de um capacitor. Fios curtos e grossos nas fontes ajudam a evitar roncos. Uma trilha curta, um fio fino e longo funcionam como antenas e podem captar roncos que vão modular os circuitos alimentados ou mesmo passar para as entradas de sinal, gerando os roncos. Uma blindagem de fios de alimentação não deve ser descartada nos circuitos muito sensíveis, como por exemplo os que possuam pré-amplificadores que operem com sinais de alguns microvolts na entrada.
Uma outra fonte de ronco é o próprio transformador de alimentação que irradia com grande intensidade sinais na frequência da rede de energia. De fato, o campo magnético em torno de um transformador de alimentação é suficientemente forte para poder gerar tensões nos circuitos de entrada, pois o campo magnético do transformador pode induzir roncos numa placa.

Origem e soluções
Um mau posicionamento do transformador dentro do equipamento pode causar sérios problemas de ronco.
Como descobrir se essa é a origem e o que fazer em caso positivo é o que veremos:
  • se colocando uma chapa de alumínio provisoriamente entre o transformador e a placa do amplificador o ronco diminui, a origem pode estar no campo magnético.
  • se aterrando por um momento o transformador, usando um fio o ronco diminui o problema está neste componente.
Este caso ocorre principalmente nos transformadores montados em placas cuja blindagem não esteja aterrada. As soluções são simples neste caso:
  • mudar de posição o transformador dentro da caixa, caso o amplificador seja um projeto caseiro. Na verdade, é bom experimentar antes de fazer a fixação deste componente.
  • aterrar a carcaça do transformador, se ele estiver montado em placa de circuito impresso, ligando-a ao terra do circuito ou ao chassi.
  • tentar afastar ou blindar os circuitos sensíveis de entrada do aparelho usando, por exemplo, compartimentos de alumínio ou cobre. Os transmissores, que são muito sensíveis a este problema devem ter suas fontes montadas em compartimentos para que sejam evitados roncos e a própria interferência de uma etapa em outra.

Volume e posicionamento
Duas outras origens comuns desse ruído são também o volume excessivo usado no amplificador e o posicionamento errado das caixas acústicas. Procure não exagerar no volume e verifique a potência suportada pelas caixas. Além disso, afaste as caixas acústicas dos demais aparelhos, principalmente do toca-discos, considerando sempre o tamanho do ambiente. Leia atentamente o tópico "Problema no ambiente e no suporte dos aparelhos".

Conclusão
O que vimos são apenas algumas das origens para os roncos que aparecem em equipamentos de som. Evidentemente, problemas de funcionamento dos próprios circuitos não foram considerados. Uma deficiência num capacitor de desacoplamento de fonte, um diodo com problemas numa fonte, um transformador que tenha fugas são apenas alguns exemplos de falhas que podem gerar roncos.
Além disso, existem aqueles que não têm origem na própria rede de energia e que não cabem ser analisados nesta parte.

4.3.4) Rumble
Se refere sempre a ações mecânicas, oriundas de realimentação acústica ou por vibrações geradas no próprio sistema de tração ou movimentação do prato, braço, suspensão etc.
O conjunto cápsula e agulha é estar suscetível também às vibrações geradas pelo motor do próprio toca-discos, principalmente os direct-drive. Além do próprio motor, a qualidade do material das peças que compõe o toca-disco também contribuem em muito para o aparecimento desse tipo de ruído. O pratos de plástico são o mais suscetíveis a vibração do motor e em alguns casos não tem muito o que fazer para acabar com essa vibração. Se você ainda não comprou seu toca-discos, prefira os que possuem pratos metálicos pesados e resistentes. Se você já comprou ou possui um toca-discos antigo, a seguir temos algumas possíveis soluções.

Soluções
1) Compre uma borracha com 2mm a 4mm de espessura.
2) Recorte no tamanho do prato.
3) Acomode a borracha no prato.
Esse procedimento pode resolver e/ou amenizar esse ruído, lembrando que o toca-discos da Technics são emborrachados em baixo do prato para evitar esse ruído. Você pode tentar também utilizar os feltros próprios para tocas-dico, mas lembre-se também de afastar as caixas acústicas.



4.3.5) Outras interferências
Ao contrário do que muitos podem pensar, a energia que chega até nossas casas pelos fios da rede de energia não é tão "limpa" como pode parecer à primeira vista.
Junto com os 60 Hz da "ondulação suave" da tensão da rede chegam picos de tensão denominados transientes, trens de pulsos e variações de maior duração, denominados surtos e até sinais de rádio gerados por aparelhos os mais diversos.
Os ruídos de maior frequência que chegam pela rede podem afetar o funcionamento de diversos tipos de aparelhos, principalmente os que operam recebendo sinais de rádio como receptores AM, receptores FM, televisores, video-cassetes e principalmente os sistemas de áudio a analógico.
No caso do toca-discos, esse ruído aparece na forma de barulho, um barulho que se assemelha muito ao próprio barulho do motor que o produz.
Pela rede chegam também sinais gerados por computadores, video-games, video-cassetes e outros aparelhos e captados por um televisor podem provocar ondulações da imagem e muitos outros problemas.
Outro grande problema são os sinais emitidos por aparelhos celulares e rede de internet wifi.

Soluções
Para o caso das interferências causadas pela rede de energia uma solução não muito barata, porém eficiente, é a utilização de um condicionador de tensão para energia elétrica exclusivo para seu som. Não pode ser utilizado para esse fim régua nem estabilizador ou nobreak.
Para o caso de posicionamento, procure manter os aparelhos e cabos do sistema de aúdio o mais afastados possível das fontes de interferência.

5) Estudo de Caso
Para finalizar, resolvi descrever os problemas com o áudio analógico e quais soluções eu adotei para melhorar a qualidade sonora. Depois de muita pesquisa e perguntas para alguns colecionadores e audiófilo, comecei a analisar as deficiências do meu sistema de áudio, os problemas que eu estava enfrentando e quais soluções mais viáveis e baratas poderia adotar para resolvê-las.
Meu sistema de áudio não é dos mais caros e perfeitos, mas comprei um toca-discos Stanton T92, ligado a um mixer Stanton M 202 (conexão PHONO) que funciona como o  pré-amplificador. O mixer está conectado na master a um micro-system Sony Genezi GTR 555 com subwoofer. A cápsula do TD é magnética modelo Stanton 500 v3 e agulha stanton 500.
O problema é que quanto eu mais aumentava o volume do mixer ou do som, principalmente o grave, fazia um som muito forte, tipo uma microfonia. Além disso, quando o toca-discos não estava ligado eu escutava um ruído chato.
Comecei a pesquisar sobre ressonância na web e o pessoal comentou sobre o problema de rumble e humming. Fiz alguns testes e constatei que não seria o rumble (problema de ordem mecânica) pois o barulho aparecia quando deixava agulha sobre o vinil sem executá-lo, isto é, sem o movimento do motor.
Verifiquei se não seria mal contato nos cabos RCA (antigos, não blindados) ou ainda nos cabos fonte, mas mesmo ligando em tomadas separadas o problema persistiu. Sempre liguei o toca-discos, mixer e som num filtro de linha. Pensei ser um problema de aterramento, mas esse modelo da Stanton possui aterramento interno e não tem saída para fazer o aterramento.
Depois de diversos testes e conversas com meu amigo Rafael Bardal do Clube do Vinil e Toca-Discos de Curitiba, constatei que meu problema era vibração acústica do meu subwoofer, mais conhecido como air-born ou vibração causada por ondas sonoras. Além disso, os cabos que eu usava eram de péssima qualidade e mesmo com o aterramento interno eu escutava o hum constante.

Soluções
1) Como eu não queria desligar o subwoofer, afastei o toca-discos do mixer, do som e das caixas acústicas. 2) Coloquei o mixer e o som entre as caixas formando o triângulo equilátero e o toca-disco ficou do lado esquerdo por causa do espaço do meu escritório. Infelizmente não consegui colocar os toca-discos e as caixas em móveis separados.
3) Coloquei o subwoofer no chão e abaixei o volume de 10db para 4db.
4) Mandei fazer cabos melhores, comprei dois cabos Sparflex com conectores Amphenol. Nessa troca, o problema do humming estava resolvido, mas o Air-born ainda persistia.
5) Mandei fazer um peça de granito do tamanho do meu toca-discos para tentar amenizar a vibração do móvel e comprei também uma borracha com 5mm de espessura para usar por baixo do granito (elastômetro).


6) Depois de mais alguns ajustes na equalização o problema de Air-born sumiu e agora posso aumentar o volume normalmente, sem o aparecimento do ruído.

6) Conclusão
Espero que esse artigo tenha ajudado os colecionadores a esclarecer suas dúvidas a respeito do sistema de áudio analógico, desde os componentes e nomenclaturas, passando pelo nivelamento e regulagem e concluindo com os problemas e soluções.
Se você ainda está com alguma dúvida entre em contato conosco pelo email <devoltaparaovinil@gmail.com>, tentaremos responder o mais breve possível.

7) Referências
www.facebook.com/groups/clubevinilcuritiba
www.clubehiend.com.br
www.xtreme-dj.com
www.somvintage.com
www.erpires.com.br
www.audiorama.com.br
www.clubedoaudio.com.br
www.enjoythemusic.com
www.noize.com.br
www.newtoncbraga.com.br
www.klickeducacao.com.br
www.if.ufrgs.br
www.kahlaudio.com

Se algum autor ou site não quiser que seu artigo seja apresentado no blog, por favor entre em contato conosco pelo email <devoltaparaovinil@gmail.com> que retiraremos o trecho sem problemas. Lembrando que o blog não possui fins lucrativos a ideia é apenas repassar conhecimento aos antigos e novos colecionadores.

37 comentários:

  1. Voce tem algum projeto de caixa de som para indicar?

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  2. Parabéns pelo blog. Matéria bastante completa. Valeu pelas dicas!

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  3. Excelente matéria, bem minuciosa e precisa. As dicas são bem explicadas com desenhos, etc. Parabéns a todos.

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  4. Texto muito abrangente; aprendi muito, principalmente sobre agulhas e sons. Obrigado.

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  5. Se pelo menos 01% (um por cento) dos vendedores de som em festas, lessem esta postagem, não estragariam tantos casamentos e aniversários pensando em parecer mais que os noivos e aniversariantes.

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  6. Adorei o site!!
    Não sou profissional e adoro vinil.
    Vi um aparelho que me pareceu bem bacana, queria por em casa para ouvir com os amigos. O problema é que não conheço a marca...Vcs podem me dizer se a marca Raveo Aria é legal?
    Obrigada, Biancca (:

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    1. Olá Biancca
      Obrigado por ler o blog.
      A questão de qual toca-discos adquirir é sempre complicada pois temos que levar em consideração muitos fatores. Entretanto, existem dois problemas principais, que são orçamento e espaço.
      Optar por um sistema de áudio analógico, e digo sistema porque não estamos falando só do toca-discos, demanda um bom investimento.
      Infelizmente todas as maletas, vitrolas, de marcas como ION, Crosley, TEAC, Sonata, Echo Vintage e Reveo podem ser consideradas vinyl killers.
      Todas não possuem dois acessórios fundamentais para preservar a vida útil dos vinis: contra-peso e anti-skating.
      Além de possuírem peças de qualidade muito inferior: agulha e braço de plástico, cápsula de porcelana, motor de baixa potência e caixas embutidas muito fracas.
      Não posso recriminar essas marcas, mas também não posso indicar algo que não confio. Acredito que eles estão apenas aproveitando o bom do vinil para vender esse tipo de aparelho.
      Enfim, é difícil adquirir um sistema de áudio completo, indico ao meus leitores que procurem toca-discos, receiver, caixas, usadas, e vão trocando na medida do possível por aparelhos melhores.
      É possível achar aparelhos 3 em 1 usados de boa qualidade, mas claro que isso demanda pesquisa e também um certo risco.
      Fora isso, os TDs novos mais indicados estão na lista num post do blog na seção toca-discos.
      Espero ter ajudado

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  7. Olá. Estou afim de montar um sistema de áudio, mas não entendi muito bem como funciona, por exemplo em que ordem os equipamentos devem ser conectados e se seria possível construir um sistema com o toca disco, um preamp e uma caixa acústica, (sem o receiver no caso). Se o meu toca disco tiver preamp interno seria bom ter um preamp externo mesmo assim? E gostaria de saber sobre as entradas R e L no toca disco. Gostaria de comprar o modelo Stanton T-92 mas não sei quais equipamentos além desse preciso comprar pra ter uma boa experiência

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    1. Leve em conta que não sou tão exigente quanto ao som. Obrigado desde já.

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    2. Olá Andressa...
      É possível fazer diversos layouts para um sistema de áudio.
      O Stanton T-92 possui uma chave PHONO/LINE. Para usar a phono você vai precisar de um receiver e caixas que possuam entrada phono. No caso da LINE, o stanton já possui um pre-amp embutido, assim basta ligar num micro-system ou home theater por exemplo. Mas sinceramente se você via gastar com um TD da stanton, eu optaria por usar a saída phono, pois a qualidade é bem superior. Se você quiser utilizar a saída phono para ligar em uma entrada line (microsystem ou home theater), você vai precisar de um pre-amp externo.
      Mas eu recomendaria um sistema inteiro em phono, a experiência é bem melhor.
      Espero ter ajudado.

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  8. Olá...muito interessante a matéria,tenho uma dúvida,se eu tenho um toca discos Numark TT USB já com preamp interno.O que é necessário para ter um som para uma sala com potência e qualidade,só preciso de um amplificador e cxs??Qual a potência ideal de ambas??

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    1. Olá
      Não pude ver pessoalmente um TD da numark. Mas o pre amp dele é apenas para saida LINE. Para melhorar sua experiência eu recomendaria usar a saída PHONO (mundando a chave na parte traseira) ligando em um reciver e caixas com entrada phono.
      Espero ter ajudado.

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    2. Olá...muito obrigado pela resposta,meu toca disco estava ligado pela saída LINE no meu micro-sistem (não estava contente com a qualidade)por causa disso adquiri um receiver CCE SR-5050 na qual conectei na entrada PHONO,comprei caixas acústicas da Polyvox CPL,liguei o som hoje e fiquei muito contente,agora sim tenho um som com potência e qualidade...obrigado pela ajuda...abs!!!

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    3. Que bom Wilson...
      O que vc fez foi corretíssimo.

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  9. Fantástica a matéria.
    Vocês indicam alguém para consertos e manutenção de aparelhos ? Estou herdando um Garrard SB, com caixas e pré-amplificador da Gradiente, e, como não me acho capaz para mexer nele, prefiro o serviço de alguém qualificado...
    Abs
    Eduardo.

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    1. Olá
      Só conheço assistências em CTBA.
      Preciso saber qual sua cidade.
      Obrigado

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  10. Oi Diego ! Moro em Curitiba sim, você poderia me indicar algum lugar ?
    Muito obrigado !
    Abraços

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    1. É só entrar em sebos em curitba, no final do post tem algumas assistências.
      Não conheço a qualidade do serviço delas pois nunca precisar.
      Tem que pedir orçamento.

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  11. Boa noite. Adquiri um Watec four restaurado e o mesmo da metade do disco em diante perde o agudo. Uma agulha le son original pode resolver?

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    1. Olá Júlio
      Verifique se o mesmo acontece com todos os discos.
      Se sim, pode ser problema na agulha.
      Se não, pode ser problema em um LP específico.
      Também pode ser problema nos cabos RCA, saídas do TD e do receiver, nas caixas, tem que ir testando.
      Espero ter ajudado.

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    2. Olá Júlio
      Verifique se o mesmo acontece com todos os discos.
      Se sim, pode ser problema na agulha.
      Se não, pode ser problema em um LP específico.
      Também pode ser problema nos cabos RCA, saídas do TD e do receiver, nas caixas, tem que ir testando.
      Espero ter ajudado.

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  12. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    1. Obrigado por acessar o blog.
      Não permitimos links de produtos no blog.
      Agradecemos a compreensão

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  13. Essas tensões que você fala que ele entrega na saída é a tensão de pico ou RMS(tensão eficaz)?

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  14. Olá! Gostei da maneira que fez seu blog.
    Quero dar de presente um toca-disco, mas não sei por onde começar. Quero fazer surpresa e por isso não quero perguntar muito, sabe?
    Não sei que marca tem um bom som, o que precisa o aparelho precisa essencialmente ter. Leio as especificações dos aparelhos que vendem por aí, mas não faço a minima ideia do que falam rsrsrsr...
    Será que vc pode me ajudar?!
    Desde já agradeço.
    Atenciosamente

    Juliana

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    1. Olá Juliana.
      Entre em contato pelo email ou pela mensagens na página do facebook. Fica mais fácil de nos comunicarmos.
      Obrigado.

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  15. Olá, Diego! Parabéns pelo blog! Riquíssimo de informação, tanto para iniciantes quanto para iniciados!

    Queria tirar uma dúvida... Tenho um toca discos Audio Technica LP60, já com pré-amp. Uso ele num mini system que eu já tinha antes, da Panasonic. Quero dar um upgrade e ter uma experiência mais completa na audição do vinil e penso em comprar um receiver.

    A minha pergunta é a seguinte: se eu comprar um receiver 5.1, o toca-discos não vai funcionar? Vai funcionar pior ou igual ao que funcionaria num receiver stereo? Sei que o mais indicado é o receiver stereo, mas é que penso em investir num receiver melhor que também sirva para conectar outros aparelhos (TV, blu ray, home theater).

    Desde já, obrigado pela atenção! Um abraço!

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    1. Olá Leonardo.
      O toca-discos possui somente saída estereo. Se você ligar num receiver 5.1 não haverá separação de canais.
      De qualquer forma você vai precisar de pre-amplificador para converter o sinal phono do TD em Line do receiver.
      Para entender melhor leia a materá Toca-discos 6 na seção Toca-discos no blog. Lá eu falo certinho como conectar um TD a um sistema de áudio.
      Espero ter ajudado

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  16. oi tenho um toca disco sharp com saida RCA E UM CABINHO TERRA ,QUAL O MELHOR LOCAL PARA LIGAR ESSE CABIMHO TERRA?

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    Respostas
    1. Olá.
      Para conectar um fio terra você precisa que o Td tenha a saída específica e que o seu pre-amp ou receiver tenha entrada para aterrar.
      Entre em contato pelo email, para esclarecer melhor sua dúvida.

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  17. Olá, parabens pela matéria muito completa.

    Adquiri um toca discos da audio tecnica que ja vem com a chave line/phono, porem usando em line no meu aparelho de som que não é um receiver fica um pouco baixo, sera que seu eu comprar um pre amplificador e usar a o TD no modo phono ganharei em altura e qualidade de som?

    Obrigado e abraços...

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    Respostas
    1. Olá José. A saída mais indicada para o TD é a saída phono.
      A configuração mais indicada é com uso de Td>pre amplificador de potência > caixas. Entenda com mais detalhes no post Toca-discos 6 da seção Toca-discos do blog.
      Espero ter ajudado.

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  18. Tenho toca-discos de maleta da Imaginarium e o conectei na entrada auxiliar (rca - p2) da caixa de som bluetooth Bose Soundlink Mini 2 que tem 25 watts e a qualidade de som agradou-se bastante, apesar de não ser audiofilo. Assim sendo, muito agradeceria a gentileza de comentários a respeito deste meu procedimento.
    Abraços

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  19. Olá Diego, estou prestes a comprar um Stanton T-92 e gostaria de sua recomendação de marcas e modelos para Equalizador, Caixas, Receiver, Pré-amplificador, enfim um sistema completo. Estou visando qualidade do audio e dos aparelhos e dinheiro não será problema.

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