terça-feira, 12 de maio de 2015

Show de Fernanda Takai no Teatro Guaíra

Na última sexta-feira, dia 08 de maio, tive a oportunidade de presenciar um espetáculo magnífico proporcionado por uma das maiores cantoras brasileiras da atualidade: estou falando da meiga, competente e simpática Fernanda Takai. Além do seu esplendoroso talento para composição, Fernanda Takai trabalha simultaneamente na sua carreira solo e também com o Pato Fu. Banda que eu pude assistir e curtir em um pocket show realizado no Shopping Curitba há mais ou menos um mês. Nesse pocket show ficou um gostinho de quero mais e, no começo do mês de abril, eu tive a grada surpresa de saber que Fernanda Takai faria um show no Guairão já no começo de maio.
Pois bem, nessa sexta-feira fria, segui para o Teatro Guaíra bem acompanhando pela minha amiga Carla, com muitas expectativas a respeito do show, já que tinha me encantando pelos álbuns da carreia solo de Fernanda Takai.

Foto: Diego Kloss
Agora falando a respeito do show, Fernanda Takai apresentou um show pautado pela elegância, beleza e refinamento, sem grandes ousadias cênicas, mas nem por isso menos sedutor e magnífico. Takai toca seu violão juntamente com os músicos Lulu Camargo (teclados, acordeom e gaita), Larissa Horta (baixo e vocais), Lenis Rino (bateria) e Tiago Borba (guitarra), apresentando no roteiro uma gama de músicas melodiosas que, na voz hábil da cantora de alma mineira e origem amapaense, ganham vida inteligente.
A beleza cênica da balada melodiosa "Partida" (Fernanda Takai, 2014), entoada por Takai enquanto a "neve" cai, salta aos olhos e faz com que o espectador entre numa atmosfera tranquila, pura e romântica.

Foto: Diego Kloss
Na segunda canção do show "Como dizia o mestre" (1975), samba de sucesso autoral do cantor, compositor e pianista fluminense Benito Di Paula, você percebe o quanto o álbum "Na medida do impossível" se desvincula do som do Pato Fu, mesmo que paire uma atmosfera pop roqueira nos arranjos. Com um violão bem tranquilo e uma letra suave, “Doce Companhia”  reforça ainda mais essa característica. Já “De um Jeito ou de Outro” é mais rápida do que as anteriores, com uma pegada mais de pop/eletrônico moderno.



Fotos: Diego Kloss
Takai também tocou três músicas do álbum de 2007, em que a cantora abordou o repertório da antecessora Nara Leão (1942 - 1989), o samba "Diz que fui por aí" (Zé Kétti e Hortênsio Rocha, 1964), a canção "Insensatez" (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1966) e "Com açúcar, com afeto" (Chico Buarque, 1966). Takai tem o dom de irmanar músicas de origens, estilos e tempos distintos. É como se tudo soasse popular e contemporâneo na sua voz delicada, isso pode ser percebido em "Nada pra mim" (John Ulhoa, 1999), definitivamente associada à voz passional da cantora mineira Ana Carolina.



Fotos: Diego Kloss
Numa espécie de tango abrasileirado “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”, feita em dueto com a cantora e compositora fluminense Zélia Duncan, são três minutos e sete segundos de pura sedução feminina em arranjo que embute leve toque de latinidade e citação instrumental de "La vie en rose" (Edith Piaf, Louiguy e Marguerite Monnot, 1945). Tudo a ver, já que o sucesso do cantor pernambucano Reginaldo Rossi (1944 - 2013) exalta o poder de sedução da mulher. Uma das melhores do álbum “Seu Tipo”,  parceria com a roqueira baiana Pitty, é cheia de nuances e conta a história de uma pessoa que está alheia aos acontecimentos recentes, fazendo coisas que estão fora de moda. Entretanto, foi uma surpresa, pelo menos nesse show, a presença da música "Fui eu" de José Augusto, com uma bela interpretação por parte de Fernanda Takai.


Fotos: Diego Kloss
Takai também fez questão de incluir no Set-list o sucesso do padre Zezinho "Amar como Jesus amou" (José Fernandes de Oliveira, 1974), que reaparece em cena estilizada e sem a voz de outro padre cantor, Fábio de Mello, convidado da faixa mais controvertida do álbum.
"Na medida do impossível" é disco pautado por contínuo tempo de delicadeza e nem a conexão de Takai com a densa Marina Lima - coautora (ao lado de Climério Ferreira) da inédita "Quase desatento" - desvia o álbum de sua suave trilha pop.
Todas músicas se harmonizam no canto suave da artista, cuja veia popular salta novamente no novo arrajando dado aos sucessos da Jovem Guarda como em "O ritmo da chuva" (1964 - versão em português de Demétrius para "Rhythm of the rain" - John Claude Gummoe, 1962) e em "A pobreza - Paixão proibida" (Renato Barros, 1968), levada na gaita de Lulu Camargo.


Fotos: Diego Kloss
Outra letra belíssima, “Pra Curar Essa Dor (Heal The Pain)” conta com a boa participação de Samuel Rosa, vocalista do Skank, numa versão que representa pico de sedução pop neste álbum.
Na primeira canção no Encore temos "I don't want to talk about it (Danny Whitten, 1971)", balada lançada em disco pela banda norte-americana Crazy Horse, mas associada a Rod Stewart desde que o cantor escocês a regravou em 1975 e executada e interpretada com perfeição por Takai. E por último, fechando com chave de outro essa magnífica apresentação solo de Fernanda Takai, temos "Debaixo dos Caracóis" de Roberto Carlos.


Para Mauro Ferreira, "Em cena, Fernanda Takai tem a capacidade de diluir naturalmente prévios conceitos, já em si tênues, de brega e chique. Parece fácil, mas não é. Em vozes e mentes menos sutis, o repertório miscigenado do show "Na medida do impossível" poderia soar como samba da mineira doida."
Com Fernanda Takai, tudo se afina de maneira suave e harmoniosa, elevando ainda mais o potencial da cantora e compositora para estar na linha de frente da nova geração da MPB.


Foto: Diego Kloss
Após o término do show a simpática Fernada Takai foi tirar fotos, autografar e atender o público no saguão do Guaíra.



Foto: Diego Kloss

Set-list
Partida
Como dizia o mestre
Doce Companhia
De um jeito ou de outro
Diz Que Fui Por Aí
Nada Pra Mim
Mon Amour Meu Bem Ma Femme
Seu tipo
Fui Eu
Amar Como Jesus Amou
Insensatez
Com Açúcar, Com Afeto
Quase desatento
A Pobreza
Ritmo de Chuva
Pra Curar Essa Dor

Encore:
I Don't Want To Talk About It
Debaixo dos Caracóis

Referência: artigo de Mauro Ferreira do blog Notas Musicais

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