quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Discografia Brasileira - Projeto reúne um belíssimo acervo dos discos brasileiros de 78 rpm

"Um acervo de valor inestimável, um projeto belíssimo, de uma riqueza cultural e musical sem precedentes..." Assim posso descrever a sensação ao conferir as gravações em 78 rpm do projeto "Discografia Brasileira" do O Instituto Moreira Salles (IMS), aliado aos principais colecionadores de gravações em 78 rpm. O acervo digital que já conta com 46 mil arquivos de áudio do tipo.


Há um bom tempo, o IMS já havia adquirido acervos de colecionadores e pesquisadores minuciosos, como Humberto Franceschi e José Ramo Tinhorão, com coleções de 6 mil fonogramas cada um. Porém, um nome imbatível, é o de Leon Barg (1930 – 2009), criador da gravadora Revivendo, que já tratamos aqui no site. A coleção que leva seu nome, considerada o maior acervo de música brasileira em 78 rpm, possui cerca de 31 mil lançamentos, o equivalente a 80% de toda a discografia nacional lançada no período. Obtido pelo IMS no ano passado, os arquivos reunidos por Barg já estão inventariados e aguardam o processo de digitalização para serem incorporados ao site. O site está no ar e pode ser acessado nesse link.
Para se ter uma ideia do tamanho e valor histórico do projeto, a equipe separa, digitaliza, preserva e divulga cinco décadas de produção musical nacional, compreendendo dois processos: o de gravação mecânica, com uso de cornetas, e de gravação elétrica, com a introdução dos microfones. Entre as gravações, encontram-se verdadeiras pérolas: a primeira música a ser gravada no país, “Isto É Bom”, de Xisto Bahia, em 1902; o primeiro samba gravado no Brasil, “Pelo Telefone”, de Donga, disponível em duas versões de 1917 – uma instrumental e outra cantada; o disco pioneiro na gravação em sistema elétrico no Brasil, “Passinho do Má” e “Albertina”, de Francisco Alves em 1927; o primeiro rock brasileiro gravado: “Rock’n’ Roll em Copacabana”, de Cauby Peixoto, em 1957, além do início da bossa nova com “Chega de Saudade”, de João Gilberto, em 1958.





O site do projeto ainda funciona com cruzamento de dados nas buscas, fazendo com os visitantes possam montar suas próprias listas e compartilhar nas redes sociais. Além disso, também disponibiliza algumas listas feitas pela equipe.
Todos os áudios estão na íntegra e foram retirados de discos 78rpm de goma-laca, que chegaram Brasil em 1901, tiveram ápice na década de 1950 e foram sendo substituídas pelos discos de vinil. Por ter prata em sua composição, muitos de seus exemplares foram parar em ferros-velhos e se tornaram sucatas. Ainda bem que nem tudo foi perdido.
Vale muito a pena conferir as gravações maravilhosas do ancestral do LP. Inclusive a matéria foi escrita ouvindo algumas pérolas de Nélson Gonçalves como a "Alma do Tutu" e "Caixinha do Adhemar".

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