Como evitar a compra de vinis piratas?

Há alguns meses atrás, saiu uma matéria do jornal "O Globo" intitulada "Vinil pirata: Cópias grosseiras de LPs raros são vendidas como originais e revoltam colecionadores" que deu o que falar nos grupos de colecionadores de vinil e afins. Já falamos brevemente sobre esse assunto em outra matéria, mas resolvemos esclarecer alguns pontos acerca do assunto.

Foto: reprodução
Segundo a reportagem "Uma rede de pirataria na internet inunda o mercado com cópias grosseiras de álbuns raros. Os discos, muitos deles produzidos em plástico esverdeado do tipo PETG, dão oferecidos como originais por valores sedutores o bastante para atrair incautos... [...]" e, infelizmente isso não é mentira, basta só fazer uma busca num site de vendas que você vai encontrar vinis raros como “Tim Maia Racional, Vol. 1” (1974) e o famoso e Tincoãs (1973), entre muitos outros títulos a preço de banana, ou nem tanto assim.

Além de verde, a cópia grosseira e falsificada de “Racional, Vol. 1” vendida em lojas on-line tem bordas grossas, material de qualidade duvidosa, arranhões causados provavelmente por limpeza inadequada após a fabricação e o tamanho do rótulo é menor que o padrão, além é claro, da baixa qualidade do som. Parece óbvio que todas essas características são típicas de técnicas “artesanais” de produção. 

Alguns discos desse tipo podem sim estragar a agulha do toca-discos, por isso deve-se ter cuidado ao comprar essas versões "piratas". 

Vinil pirata verde de "Louco por você" de Roberto Carlos - Foto: reprodução


Mas será que a produção de vinis piratas é uma novidade no mercado do vinil?

É óbvio que não. Salvo algumas exceções, o Brasil nunca foi referência no ramo de fabricação de vinis e entre a as décadas de 1970 e 1990, os vinis eram produzidos com PVC reciclado das sobras das bordas após a prensagem, com péssimas masterizações. Além disso, a matéria prima do vinil era importada dos EUA, na base do dólar, com o preço muito elevado. Inclusive, durante a crise do petróleo, chegou-se a produzir vinis de 90g de péssima qualidade. Mas ainda sim, existiram algumas prensagens de 130 a 160g com vinil da melhor qualidade, com a fórmula correta do PVC.

Aqui em Curitiba, a loja Doctor Disco marcou época nos anos 1990 ao vender material contendo o som que rolava na noite curitibana, especialmente de Rock e da Disco Music. Na loja você podia encomendar discos raros ou mesmo fazer seu próprio disco. Muitos DJs mantavam fazer cópias com músicas que estavam fazendo sucesso internacional para poder tocar nas festas. 

Bootleg do Metallica e disco de mixagem da Doctor Disco.
Fotos: Diego Kloss

Além disso, alguns selos independentes americanos, euroupeus e asiáticos, também produzem até hoje, cópias não oficiais de álbuns, bootlegs e shows ao vivo nunca laçando oficialmente pelo artista ou gravadora que detém os direitos.


Então se não é de hoje que esse álbuns são produzidos ilegalmente, qual o motivo de tanto questionamento e revolta?

Segundo a reportagem ainda, "Os falsificadores aproveitam a crescente popularidade dos vinis entre apaixonados por música. [...] Com a alta procura, até consumidores diligentes são enganados. O colecionador Marcelo Batalha estava à procura de “Certa manhã acordei de sonhos intranquilos”, de Otto. Encontrou na internet e chegou a pedir fotos para garantir a autenticidade. Quando a cópia chegou, viu que fora enganado. Descobriu o responsável pela loja e abriu um processo na Justiça, além de relatar o caso num grupo no Facebook dedicado à troca de discos.

É sempre bom lembrar que a produção, reprodução e venda de material sem a devida autorização é crime que pode ser penalizado com prisão de dois a quatro anos, além de multa. Além disso, esse tipo de produção e venda lesa e prejudica autores, intérpretes, gravadoras e o próprio consumidor, que compram um produto de má qualidade e, muitas vezes sem saber, alimentam um mercado ilegal.

Outro grande problema da venda desses vinis piratas é que os pequenos fabricantes se queixam da concorrência desleal. Bruno Borges, que dirige a Vinyl Lab em São Paulo, conta que como é um dos poucos no ramo na cidade, é confundido regularmente com os falsificadores, que enviam LPs de endereços na capital paulista.

No mercado internacional, segundo o Financial Times, o relançamento do disco de vinil provocou uma nova forma de contrabando – e uma repressão da indústria da música, na qual 87 mil cópias falsas no valor de 1,7 milhão de libras foram apreendidas nos últimos três anos.

As falsificações, vendidas em sites como eBay e Amazon, foram recuperadas por uma equipe que trabalha na British Phonographic Industry, o órgão de comércio do Reino Unido. O BPI disse que confiscou 14 mil itens com um valor de mercado de cerca de 200 mil libras este ano, enquanto o problema continua a crescer.  


Como posso verificar se uma cópia é oficial ou não?

Em sites como Discogs é fácil verificar se um vinil é autêntico ou não. Procure pelo "nome", "artista" ou código de registro e se constar no site como "unofficial" fica claro que aquele álbum é pirata e portanto não foi lançado oficialmente. Sempre desconfie de álbuns famosos com preços abaixo do mercado, de edições não oficiais com cores e formatos diferentes e álbuns que nunca foram lançados em vinil. 

Além disso, nunca compre de vendedores que você não conhece a procedência, pois além dos risco de adquirir cópias piratas, existem vários perfis fake enganando muitos colecionadores, mas esse tema deixaremos para outra matéria.

Leia também as matérias sobre o "Mito do vinil 180g" e "Como verificar o estado de um vinil".

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